Utilização de redes sociais e tecnologias

30/06/2015 18:00

As análises sobre a opinião dos gaúchos sobre a economia no primeiro semestre de 2015 indicam que os mesmos estão temerosos ou pessimistas, preocupados com a inflação, com o aumento do desemprego e 1/3 está mais endividado do que o normal, sendo que os mais preocupados e afetados estão na nova classe C, que será a primeira a reduzir o consumo e calcular investimentos futuros.

É importante analisar que este cenário temeroso com a economia é o primeiro na história brasileira onde a população tem acesso a novas ferramentas de comunicação e de relacionamento entre si e com o mercado. Por essa lógica, será importante analisar o comportamento do consumidor nos próximos meses tendo em vista a utilização das redes sociais e dos smartphones. Em cenários de crise o consumidor tende a se reposicionar, a buscar alternativas de consumo, a aumentar a solidariedade entre grupos. As redes sociais e os smartphones naturalmente terão um papel importante nessa mudança de comportamento que deverá ser observada com atenção por agências e analistas de mercado.

A importância das redes sociais no RS

No geral da pesquisa 52,3% dos gaúchos utilizam redes sociais, em especial o Facebook. As redes sociais estão presentes em todas as faixas etárias e rendas, entretanto, a pesquisa confirma que o maior grau de utilização ocorre entre os mais jovens e entre a população de maior renda.

Porto Alegre e a região sudeste (Rio Grande, Pelotas e outras) se destacam com maior percentual de população conectadas as redes.

A utilização de smartphones

A maioria dos gaúchos não utiliza smartphone, mas os 35,0% que utilizam ainda ultrapassam a média nacional conforme a pesquisa realizada pela AG2 Publicis  que em 2013 apontou que 26,0% dos brasileiros tinham acesso a este tipo de aparelho eletrônico.
Em relação ao perfil socioeconômico, verificou-se que quanto maior a renda e a escolaridade e quanto menor a idade, maior é o uso de smartphone. O principal uso do smartphone é para o acesso a redes sociais, 65,9% dos gaúchos diz que o que mais utiliza no aparelho é o acesso às redes. Em segundo lugar foram citadas as funções de ligações e mensagem via SMS (21,1%).

O IPO ouviu 1.500 gaúchos distribuídos em todas as sete mesorregiões do IBGE entre os dias 07 e 13 de abril de 2015.

Preocupação do gaúcho e do rio-grandido com aumento de preços e com o desemprego

18/06/2015 15:00

 

A expectativa negativa em relação ao cenário econômico é reforçada pela constatação de que 91,7% dos gaúchos dizem que estão sentido o aumento de preços em produtos de consumo mensal, em especial, nas compras de supermercado e farmácia. Os gaúchos acreditam que o aumento de preços está sendo impactado pelo aumento de combustíveis e energia, ocorrido no início do ano e, que também seja um consequência dos escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras. Os entrevistados afirmam que “não conseguem mais comprar os mesmos produtos no supermercado ou na farmácia com o que gastavam antes, os produtos sobem mais que os salários”. O aumento de preços é percebido em todas as regiões do Rio Grande do Sul. Para a população do sudeste gaúcho (Rio Grande e cidades vizinhas), 91,4% afirmam que "os preços estão subindo mais do que o aumento de salários".

 

Os gaúchos temem que este aumento de preços seja um caminho para a volta da inflação e que ocorra aumento do desemprego. A pesquisa verificou que 68% dos gaúchos e 60,9% da população de Rio Grande (e cidades do entorno) temem o desemprego. Na cidade de Rio Grande, este receio é reforçado pela percepção de que o Polo Naval não está "andando como deveria".

 

A expectativa do aumento do desemprego é uma ideia presente entre todas as faixas etárias, no entanto, os mais jovens (entre 16 e 24 anos) apresentam menor pessimismo ou preocupação com o tema. Deve-se levar em consideração que esta faixa etária tem ingressado mais tarde no mercado de trabalho devido à subsistência e apoio dado pelas famílias, na última década, devido ao aumento do poder de consumo. Com a mudança na tendência da economia, tanto pelo aumento do custo de vida, como pela diminuição das vagas de trabalho, as famílias terão uma condição mais limitada de manter os jovens sem trabalhar e, por outro lado, os jovens tenderão de reavaliar as oportunidades de trabalho, se comprometendo mais com as regras empresariais.

 

A expectativa de aumento do desemprego é maior conforme aumenta a renda familiar, quanto maior é o salário da família, maior é a preocupação com a possibilidade do desemprego.

 

Este receio está associado ao grau de endividamento das famílias, com o crescimento econômico dos últimos anos e com as previsões de crescimento econômico de cidades como Rio Grande, muitas famílias comprometeram suas rendas com financiamento de veículos, imóveis ou bens de consumo duráveis. Quando há inflação e economia em dificuldades “as pessoas tendem a “encurtar os gastos”, não se endividar”. Entretanto, a preocupação dos gaúchos está associada a um novo momento, há uma mudança de contexto. Até o final do ano de 2014 a população estava sendo incentivada a consumir, a nova classe C estava tendo acesso a muitos bens e serviços. Com a mudança da tendência econômica, com aumento de combustíveis e com o aumento de energia, os gaúchos terão que refazer as contas pessoais e se preparar para um novo cenário.

 

O IPO ouviu 1.501 gaúchos distribuídos em todas as sete mesorregiões do IBGE entre os dias 07 e 13 de abril de 2015. 

Relatório da pesquisa poderá ser acessado no link Banco de dados do site do IPO: http://www.ipo.inf.br/index.php/banco_dados.html.

Quem influencia quem: o eleitor e o político!

09/06/2015 18:00

Ao longo dos anos os estudos do IPO têm verificado que há vários ciclos viciosos que possuem suas raízes na cultura política (que remonta a história política brasileira), vejamos alguns deles:

 

- Os eleitores reclamam que os políticos não fazem nada e não prestam contas e os políticos reclamam que os eleitores não participam e não fazem a sua parte;

 

- A cultura política do eleitor favorece a manutenção do sistema político eleitoral (pois os políticos sabem que os eleitores votam na pessoa do candidato) e o sistema político eleitoral alimenta a cultura política vigente, favorecendo o personalismo nas campanhas eleitorais;

 

- Os eleitores condenam determinadas ações (como nepotismo), mas simulando um cargo político afirmam que teriam que ter apoio de parentes, pelos laços de confiança estabelecido;

 

- Os eleitores afirmam que os políticos atuam em causa própria/ interesses pessoais, quando simulado a possibilidade do eleitor ocupar um cargo eletivo afirma que atuaria em causa própria;

 

- Os eleitores acreditam que a obrigação da implantação e manutenção de política pública são dos governantes, e os governantes esperam que a população participe e colabore na manutenção de uma política pública.

 

Os testes sobre a responsabilidade da limpeza pública nos municípios são mais “instigantes” para um pesquisador e mostram uma “luz no fim do túnel”, por ter o menor grau de terceirização mútua de responsabilidades.

 

Os eleitores afirmam que os governantes “não limpam a cidade como deveriam” e os governantes reclamam que os eleitores “jogam lixo em qualquer local”. Esse é um dos quesitos com maior grau de maturidade entre a população. Em várias cidades temos visto o reconhecimento de que “o gestor local não dá conta de limpar o que a população suja”, “que sofás vão parar em caneletas” ou que “a população precisa fazer a sua parte”, com mais de 70% de adesão.

 

Diante do dilema “de quem influencia quem” ou “de quem é reflexo de quem” e da importância da cultura política para o desenvolvimento de uma sociedade o mais indicado é que o “contrato social” seja revisto, e restabelecido as obrigações, as regras e os comportamentos da população e dos governantes.  Que cada um faça a sua parte!

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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