A cultura política do descrédito e ceticismo

24/07/2015 18:00

No comportamento da maior parte do eleitorado gaúcho verifica-se um alto nível de desinformação, de apatia, ceticismo e descrédito em relação a política.  Os eleitores não acreditam nos partidos e na política e votam na pessoa, votam "em um candidato", com base nas imagens e nas percepções que dispõem deste. Para os eleitores, que não acreditam e não se identificam com o “mundo político”, o personalismo político é muito mais importante do que a identificação partidária.            

 

Em estudos realizados pelo IPO verifica-se que o comportamento da maioria dos eleitores gaúchos caracteriza-se:

 

- pelo seu ceticismo e descrença política, tendo em vista que os eleitores não confiam e não acreditam nos políticos (média de 80% dos gaúchos acreditam que os partidos e políticos atuam em causa própria);

 

- pelo distanciamento dos eleitores frente ao “mundo da política”. Como a população mantém um sentimento de “ineficácia política” e vive num clima de “indiferença informada”, não participa da política, mantendo-se em uma posição de desinteresse, num contexto em que a política é vista como algo distante e negativo;

 

- pelo voto personalista, dado a pessoa do candidato em função de sua imagem e seus atributos simbólicos. Como os eleitores não acreditam na “política” e nos partidos, mantém-se afastados do processo político, respondendo aos apelos das campanhas personalistas.

 

A desinformação da maior parte do eleitorado não é um reflexo de sua “suposta irracionalidade”, mas antes, o resultado de uma cultura política cética e personalista, um modus operandi de relacionamento com a política. A descrença nos partidos faz parte de um processo de construção da cultura política do país, de uma democracia que não estimula a participação política.

 

O comportamento, baseado na percepção pessoal, é reflexo da forma de como a política está estruturada. Os eleitores comportam-se desta maneira não necessariamente por opção política, mas utilizam-se das ferramentas que estão disponíveis. Quando realizam suas escolhas, baseados em princípios de juízo moral, apenas terminam por reproduzir as relações de reciprocidade que são estabelecidas historicamente na sociedade brasileira. O comportamento dos eleitores apenas exterioriza a percepção que os mesmos detêm do “mundo político”.

 

O eleitor faz a opção que acha mais correta. Movido por um sentimento de esperança, escolhe o “melhor candidato”, mesmo que o voto seja orientado pela imagem dos candidatos. Neste sentido, a partir da imagem estabelecida pelo candidato, a vinculação do eleitor com a figura do mesmo pode ser considerada um ato coerente a sua cultura cética e descrente. O desafio dos candidatos é estabelecer laços de confiança com o eleitor. E o desafio do sistema político brasileiro, é fomentar a participação política e a restabelecer a credibilidade dos partidos políticos.

Os pontos positivos da cidade de Rio Grande

20/07/2015 19:45

Investigar a opinião pública é o papel do sociólogo (profissional que estuda a sociedade). Um questionamento muito interessante é compreender a visão da população sobre os pontos positivos de sua cidade. Diante de tantos problemas cotidianos, o que a população de uma cidade destaca? Qual são os elementos que compõem a identidade do município.

Questionados sobre “o que a cidade tem de bom?”, os rio-grandinos entrevistados destacaram “os pontos positivos da cidade”, sendo que a principal resposta gira em torno do “desenvolvimento”.
Interpelados sobre o que é “desenvolvimento”, relatam o desenvolvimento econômico em função do Porto, a partir do crescimento do Polo Naval. A população relata a importância do desenvolvimento econômico, e os benefícios que o mesmo traz, tais como: oferta de empregos, maior poder aquisitivo, novos serviços e produtos. Rio Grande, depois do Polo Naval, “faz parte do mapa do Brasil”. Entretanto, os entrevistados relatam que este “ponto positivo” citado não está consolidado, temem que o Polo Naval não se mantenha por muito tempo. Também relatam os pontos negativos do desenvolvimento econômico, como aumento do custo de vida (em função da lei da oferta e procura) e o aumento da frota de veículos, dificuldades no trânsito.

Os pontos positivos que estão no “coração da população” são as atividades festivas como a “Festas do Mar”, a “FEARG e FECIS”, citadas como feiras importantes culturalmente para o município. Os entrevistados relatam que as festas e as feiras permitem o encontro dos amigos e conhecidos, a oportunidade de shows importantes na cidade e a divulgação da cidade.

Os prédios históricos e os Molhes da Barra também são lembrados pela população, que acredita que tais “bens do município” necessitam de uma ação mais efetiva para serem cortejados por turistas.

As belezas naturais como a praia do Cassino, Lagoa dos Patos entre outras são lembradas pela população, citadas como pontos positivos naturais.

Como entender as manifestações e a insatisfação popular

20/07/2015 15:00

Quando o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião "bate a porta" dos gaúchos para questionar sobre as manifestações populares, que ocorrem desde 2013 até o momento, os argumentos centralizam-se na descrença e no ceticismo da população com a política e com os políticos. E este comportamento que indica a existência de uma aversão generalizada à corrupção e à desonestidade vem de longe e inclui inclusive, os que não vão as ruas.

 

A situação de descrédito tem sua origem na percepção de que a maioria dos políticos de posse de um mandato atuam em favorecimento de uma pequena parcela, não atendendo as principais demandas da maioria dos eleitores. Esta percepção de descrédito amplia-se no acompanhamento dos noticiários, onde amontoam-se denúncias e acusações por fraudes e irregularidades das mais diversas matizes.

 

A partir das desilusões acumuladas com o comportamento e as atitudes dos políticos, o imaginário social do eleitor atribui à política uma conotação negativa, onde os políticos são considerados “todos iguais”. Nesse sentido, o argumento “não gosto de política” processa-se como uma forma do eleitor se isentar e manter-se afastado do mundo da política.     

 

Cada novo escândalo de corrupção reforça a visão de que os políticos são todos iguais. E os partidos políticos, ao invés de ressaltarem suas diferenças, construindo sua própria identidade e se aprofundando em suas propostas de forma positiva, preferem desconstituir a imagem dos opositores, optam por uma construção da negação, alimentando como "numa bola de neve" essa idéia de que os políticos são todos iguais.

 

E é neste contexto da cultura política brasileira é que deve-se analisar as manifestações. Os gaúchos afirmam que são contra a corrupção e desejam "que os serviços públicos sejam minimamente feitos". A população verifica no seu dia-a-dia o aumento do custo de vida, a explosão da violência e o descaso das autoridades com os problemas cotidianos. Na percepção da população, não há melhoria na qualidade dos serviços em áreas como a saúde, educação, segurança e infraestrutura.

 

As manifestações representam "um copo de água cheio" de uma cultura política de descrença. Não devem ser analisadas por um único motivo, nem contra um único partido ou governante. As manifestações refletem a insatisfação com as práticas permissivas que incomodam e prejudicam a população no seu cotidiano.

 

Passa pela interpretação de que o aumento da energia e dos combustíveis foi resultado do esquema de corrupção na Petrobrás e que este aumento resultará na ampliação do custo de vida, na volta da inflação. "A vida está pior em função da corrupção".

 

A insatisfação está ancorada na percepção de que, para a maioria, há uma luta constante pelos direitos mínimos. As dificuldades cotidianas para se conseguir uma consulta, se deslocar com segurança, ser bem atendido por um funcionário público, conseguir uma vaga na creche desmotivam a população que se sente "pedindo um favor". Estes se dizem atônitos quando assistem no noticiário o aumento de salários de servidores públicos, listas de benefícios que não condizem com a realidade da maioria ou com o momento político econômico do país.

 

Os relatos de insatisfação são inúmeros, expõem dilemas cotidianos, mas indicam uma visão única do eleitor: "como está não pode ficar". Os eleitores desejam uma quebra de paradigma, uma nova forma de governar. Onde a honestidade seja a bandeira e o comprometimento a meta.

 

Por princípio básico, o objetivo da democracia seria alcançar o bem comum, a igualdade econômica, política e social. As manifestações indicam que este objetivo básico deve voltar ao foco da tripartição de poderes.

 

 

 

 

Os motivos de orgulho do rio-grandino

08/07/2015 15:00

 

Você já parou para pensar o que te deixa orgulhoso na sua cidade? Para descobrir o que deixa a população de Rio Grande orgulhosa, o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião ouviu os moradores do município sobre o tema.  Verificaram-se as seguintes lógicas de argumento:

 

a)    Seu povo/ união e a solidariedade = 42,5%;

 

b)    A cidade/ suas características/ natureza/ praia = 31,5%;

 

c)    A história da cidade = 11,0%;

 

d)    O desenvolvimento da cidade/empregos = 8,6%;

 

e)    Times de futebol = 6,4%.

 

É importante analisar que a maior parte da população se orgulha do povo rio-grandino, se orgulha da solidariedade que é percebida, compartilhada entre a população que mora na cidade. Mesmo que esta solidariedade ocorra, em grande parte, no cerne das “redes de relação” das pessoas (família, amigos, colegas de trabalho) este resultado demonstra que a população de Rio Grande possui grandes vínculos de identidade e fraternidade.

 

  Outro motivo de orgulho são as características naturais, em especial a praia do Cassino. O rio-grandino percebe a sua cidade com uma geografia única.  A praia do Cassino “acostumou” o rio-grandino a estabelecer um contato com a natureza, sendo que praia supre a demanda de lazer no verão e simboliza a cidade, um cartão de visitas. No inverno a população não tem local apropriado para descansar ou confraternizar em contato com a natureza, segundo os entrevistados, o município carece de lazer de bem estar, locais nos bairros para realização de atividade de esporte, mateadas, recreação para crianças.

 

Contudo, há também quem sinta orgulho da história da cidade seus pontos turísticos são valorizados pela população e serve como meio de promover a cidade.

 

O desenvolvimento econômico, em especial, o Polo Naval orgulha, em especial, a população mais jovem da cidade.

 

E aqueles que amam o seu clube de futebol, defendem que o orgulho da cidade está associado aos times de futebol que a representam.

 

 

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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