A relação do rio-grandino com o comércio de Rio Grande

28/08/2015 19:00

Em junho de 2015 o IPO realizou uma pesquisa para a CDL Rio Grande sobre os Hábitos e Perfil do consumidor do Rio Grande. A pesquisa demonstra que o consumidor que estava acostumado a um cenário de estabilidade econômica onde havia poder de compra terá que reaprender a consumir. A tendência é que o consumidor tenha que fazer um ajuste fiscal doméstico, revendo as suas contas pessoais e decidindo as novas compras em função de sua necessidade. Um consumidor que irá reaprender a pedir desconto, pechinchar!

Mensalmente são 109.333 rio-grandinos da população ativa frequentam o comércio local e realizam compras pelo menos quatro vezes ao mês.

A preferência dos consumidores de Rio Grande em relação aos pontos de venda é pelas lojas fixas do centro (66%). Sendo que 16,3% gostam das lojas de bairro e 3,7% preferem comprar no shopping. Os motivos da preferência pelas lojas do centro reside na variedade, no mix, os consumidores avaliam que encontram tudo o que precisam no centro de Rio Grande. Os que preferem as lojas de bairro, definem sua opção pela comodidade, proximidade com o local de moradia. Já o diferencial mais levado em conta pelos frequentadores de shopping é o estacionamento.

A pesquisa identificou os pontos positivos do comércio de Rio Grande, sendo eles os produtos/ variedade, as promoções/preços e localização das lojas.

O principal ponto negativo destacado foi o atendimento. Os consumidores reclamam da falta de boa vontade de alguns vendedores. O consumidor deseja atenção, que o vendedor seja um consultor, tenha conhecimento ou interesse pelo produto que está sendo comercializado, saiba explicar as qualidades ou fragilidades do produto ou até mesmo indicar substitutivos.
É importante frisar que em época de crise, o diferencial competitivo das lojas de varejo estarão na recepção, no atendimento, na acolhida ao cliente. O consumidor irá avaliar a necessidade do gasto, de acordo com a demanda de sua família. Neste contexto, de decisão de compra utilitária (pela necessidade) o “bom atendimento” terá um papel tão importante quanto o preço/ desconto.
 
Para maiores informações clique aqui e consulte a página da CDL Rio Grande.

Do que o gaúcho se orgulha?

13/08/2015 18:00

 

Os entrevistadores do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião - realizaram a seguinte pergunta aos gaúchos: "o que existe ou acontece em RS que te enche de orgulho?"

 

Quando se avalia o motivo de orgulho em relação a cidade em que vive o gaúcho tende a citar ícones de sua cultura local, monumentos ou prédios que representam a sua cidade. Quando o questionamento remete ao Estado 1/3 dos gaúchos, das diferentes regiões do Estado, destacam o tradicionalismo e os ícones que representam a cultura gaúcha. O "povo/ a solidariedade e a união" ocupam a segunda posição dentre os motivos de orgulho, sendo um argumento citado por 17,5% dos gaúchos. E a "história/ povo de história" é destacado por 6,2%. É importante compreender que estes três motivos de orgulho representam 57,5% dos argumentos espontâneos e constituem os elementos identitários do gaúcho.         

 

O amor pelos times de futebol é lembrado por 4,8% dos gaúchos, que citam o seu time de preferência como motivo de orgulho do RS.

 

Em torno de 10% dos gaúchos não se orgulham de nada ou não sabe citar o motivo de orgulho. Sendo que 6,4% dos gaúchos se orgulham do RS de forma geral.

 

 

 

Principais motivos de orgulho dos gaúchos

 

  • O tradicionalismo/ ser gaúcho (chimarrão, churrasco, pilcha, CTGs...) = 33,8%
  • Seu povo/união/solidariedade 17,5%
  • A cidade em que mora/ pontos turísticos da cidade 9,5%
  • Sua história/ povo de história 6,2%
  • Times futebol (Grêmio, Inter, outros)  4,8%
  • Sua paisagem/geografia (Serra, Pampa...) 4,7%
  • O Emprego/ desenvolvimento 2,0%
  • Sua fauna (animais) 1,3%
  • Educação 0,9%
  • Povo trabalhador/ perseverante 0,7%
  • A agricultura 0,5%
  • Saúde da população 0,5%
  • Tranquilidade/ qualidade de vida 0,3%
  • Politização da população 0,3%
  • Políticas públicas 0,2%
  • Orgulha-se de tudo 6,4%
  • Não se orgulha de nada 5,0%
  • Não sabe citar 5,2%

 

            Mais de 76% dos motivos de orgulho atribuídas pelos gaúchos se concentram nas primeiras seis respostas. A análise indica que os elementos de identidade, que nutrem o orgulho do gaúcho, estão alicerçados nos ícones do tradicionalismo, que se conectam a história do RS, as "façanhas" de seu povo e em sua organização social, incluindo o amor por seus tradicionais times de futebol.

Como entender a tendência de mudança do eleitorado

07/08/2015 12:00

 

Na maior parte das pesquisas que o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião realiza nas mais variadas cidades do RS, verifica-se a tendência de mudança. Via de regra o indicador de tendência de continuidade ou mudança estava associado aos indicadores de gestão do governante. Atualmente esses indicadores, necessariamente, não conversam mais entre si.

 

A investigação do fenômeno tem indicado que o conceito de tendência de mudança não está mais associado a mudança do gestor ou de seu grupo e sim há uma mudança na forma de governar. O conceito está associado a percepção de que um governante precisa conhecer a necessidade e a capacidade de melhoria dos serviços públicos  e mostre proximidade do candidato/gestor com a população. Que as estruturas sejam mais ágeis, menos burocratizadas e que atuem para melhorar a vida cotidiana da população. Em outras palavras, o eleitor está dizendo: "precisa mudar, os políticos precisam entender e respeitar a população!", "não importa quem seja o Prefeito, importa que ele faça diferente, que ele cumpra o que prometeu".

 

O eleitor vive o seu maior pico de ceticismo com a política, deseja confiar em um candidato que tenha condições de “cumprir o que promete” e que suas características pessoais validem este sentimento de confiança (fio de bigode) somado as condições dadas para governar (partido com credibilidade, ter equipe para governar, conhecer os problemas da cidade, ter plano de governo factível...).

 

Essa tendência de mudança será alimentada pela cultura política personalista do eleitor. Neste contexto o voto deve ser compreendido como uma rede de relações que transcende os domínios da política. Há uma “dimensão de naturalização” do processo eleitoral que fomenta uma situação paradoxal que permite que o eleitor, ao mesmo tempo desconfie do processo eleitoral e atribua importância ao ato. O eleitor vive em um permanente estágio de frustração e esperança. Esse paradoxo explicaria as constantes mudanças do comportamento eleitoral. A maior parte do eleitorado vive na permanente busca do “bom candidato”.                  

 

No imaginário social dos eleitores, a política não possui nenhuma ligação direta com a sua existência. “Uma coisa é a política, outra coisa são os governantes”. Na percepção da maioria do eleitorado, os governantes não conseguem efetivar suas “promessas” em função da “política”. A política, para os eleitores, é vista como uma disputa pelo poder, onde todos os políticos são “quase iguais”. Num sentido hobbesiano, é como se o “mal” fosse algo perene a todos os políticos.

 

Entretanto, quando se aproximam as eleições, no “tempo da política”, os eleitores precisam escolher, como eles próprios definem: “o menos pior”, trata-se de um movimento contingente de aproximação, na hora da escolha eleitoral e de afastamento da política, “na hora da luta diária”.

 

Os eleitores, mesmo descrentes e desinteressados, não deixarão de ter expectativas. Essas expectativas alicerçam-se em esperanças. Esperança por dias melhores, por promessas cumpridas, por melhores condições de vida... Desprovidos de saber político, não atribuem importância à sua participação política e depositam muita importância ao governante. Cada vez mais as percepções negativas do funcionamento do sistema político tendem a produzir atitudes de agressividade em relação a vida pública.

 

A cada eleição, munidos unicamente de esperanças e não de mecanismos de participação política, os eleitores introjetam em seus sistemas de crenças uma “certa expectativa”, “mais uma nova esperança”. A cada promessa não cumprida, a cada escândalo de corrupção ou de malversação de recursos públicos, as expectativas da população revertem-se em frustrações. A esperança gradativamente transforma-se em decepção. Mas os eleitores, céticos, são constituídos por seres humanos que sonham e, por sonharem, não deixam de ter esperanças na mudança.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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