O animal símbolo do gaúcho

25/09/2015 17:48

 

O principal motivo de orgulho de 1/3 dos gaúchos é o tradicionalismo e os ícones que representam a cultura gaúcha. O tradicionalismo se acentua na semana Farroupilha, onde se cultua a tradição gauchesca nos seus mais variados segmentos, usos e costumes.

 

O simbolismo da tradição gaúcha também encontra representação na fauna e na flora do Estado. O IPO - Instituto Pesquisas de Opinião realizou a seguinte pergunta a uma amostra de 1.500 entrevistados, distribuídos nas sete mesorregiões do IBGE: "Qual animal você escolheria como símbolo (para representar) do Rio Grande do Sul?".

 

Os resultados demonstraram que quando os gaúchos pensam em um animal que representa o Estado a principal lembrança está associada ao cavalo/ cavalo crioulo, representando quase metade do Estado.

 

            - Cavalo/ cavalo crioulo = 45,6%;

 

            - Quero-quero = 14,6%;

 

            - Cachorro/cachorro campeiro = 10,7%;

 

            - João-de-barro = 4,6%;

 

            - Ovelha = 3,9%;

 

            - Vaca/boi = 2,5%;

 

            - Outros animais/ conforme a região = 11,3%;

 

            - Nenhum animal representa = 0,9%;

 

            - Não soube citar = 5,9%.

 

A análise por região do Estado demonstra que quanto mais urbanizada a cidade, maior o % de representação do cavalo e do cavalo crioulo como animal símbolo do gaúcho, correspondendo a 52,3% do imaginário do porto-alegrense.

 

No interior o imaginário da relação do cavalo como símbolo do gaúcho se mantém com 1/3 das lembranças. O cavalo dá espaço para animais típicos de cada região e que mantém uma relação próxima com a população, por ter feito parte de seu cotidiano, de sua educação ou das histórias contadas de geração em geração.

 

O principal concorrente do cavalo é o Quero-quero que é citado como animal símbolo por 14,6% dos gaúchos e com representação de 1/3 da população da região centro/sul. Há muitas histórias em relação ao simbolismo do Quero-quero, sendo que a população do interior o considera como o "sentinela dos pampas", por estar sempre alerta quando alguém se aproxima.

 

E em terceiro lugar o cachorro/ cachorro campeiro citado por 10,7% dos entrevistados por sua importância na história do RS, os entrevistados que lembram do cachorro afirmam que este animal foi importante no trabalho de campo, na proteção e convivência com o gaúcho, destacando o princípio de que "o cachorro é o melhor amigo do gaúcho".

Os pontos positivos e negativos da crise econômica

21/09/2015 11:00

 

A cada dia os gaúchos estão mais temerosos em relação à economia e a política e externam essa preocupação nas pesquisas de opinião. O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião verificou que: 

 

  • 77,3% dos gaúchos acreditam que a inflação irá aumentar;
  • 91,7% afirmam que o poder de compra está menor (não conseguem mais comprar os mesmos itens com o mesmo orçamento);
    • 68% dos gaúchos temem o desemprego. A maior preocupação está entre a população até 40 anos de idade, em especial, entre os jovens.
    • 1/3 está mais endividado do que o normal em função do comprometimento da renda com o agravo da diminuição do poder de compra e tende a ter que “abrir mão” de alguma de suas contas.

 

Contudo, uma crise econômica sempre traz aprendizados e no atual cenário há comportamentos positivos e negativos que devem ser observados.

 

 

 

Os principais comportamentos positivos:

 

  1. Diferentes de outras crises econômicas, neste momento a população tem mais acesso a informações, em especial sobre política e economia (⅓ com smartphone e ½ com redes sociais);
  2. O acesso a estas informações é instantâneo e acontece literalmente em todos os lugares: em casa, no trabalho, na rua...no celular “na palma da mão”.
  3. Há mais interação entre a população. Cada dia fica mais fácil emitir opiniões, se posicionar sobre estes temas e compartilhar este posicionamento. A população troca experiências, dicas, sugestões ou pratica escambos para enfrentar a nova situação econômica;
  4. Ocorre o incremento de iniciativas empreendedoras. O orçamento apertado ou comprometido estimula famílias a desenvolverem atividades econômicas que possibilitem rendas ou rendas extras. Quando esta atividade é realizada com diferenciais competitivos, tende a se tornar um case bem-sucedido;
  5. Os momentos de crise econômica são oportunos para instituições, empresas ou pessoas que se propõe a liderar em seu segmento.

 

Os principais comportamentos negativos

 

 

 

  1. Metade da população gaúcha (menor de 40 anos) não tem experiência com inflação e crise econômica. Viveu sob a égide da estabilidade econômica e não sabe lidar com um cenário de crise;
  2. Os gaúchos terão que reaprender a comprar, trabalhar e economizar em cenário com inflação. Migrando de um cenário com aumento do poder de compra para um onde há diminuição do poder de compra;
  3. A população está “inerte” quanto ao futuro. Há uma percepção de temor com a economia e com a política do país que não permite ao gaúcho ter uma expectativa positiva com o futuro, é um momento de incerteza que não permite uma avaliação a médio e longo prazo;
  4. O gaúcho tem mais informação, mas o debate está mais “acalorado” e “sem profundidade” (principalmente nas redes sociais). Há maior preocupação em emitir uma opinião do que em ter conhecimento e compreensão do tema em debate;

 

O gaúcho acredita que todos os políticos são responsáveis pela atual situação e tendem a repelir discursos políticos tradicionais.

O eleitor sabe votar!

10/09/2015 17:00

Há quem diga que o eleitor não sabe votar! Mas quando as equipes do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião "batem nas portas dos eleitores" e questionam o motivo da intenção de voto, existe sempre uma razão que direciona o voto dos eleitores, seja ela ideológica, partidária ou pessoal. Em torno de 80% das escolhas eleitorais dos gaúchos são motivada por avaliações e percepções intuitivas e emocionais em torno das imagens constituídas pelos candidatos, o voto personalista ocorre com a conivência ou com o apoio dos partidos políticos.

 

Os eleitores foram e continuam sendo, “moral e civicamente”, imbuídos do dever de participar das eleições unicamente por intermédio do ato de votar. Historicamente, os eleitores brasileiros são desprovidos de sofisticação política, neste cenário os critérios políticos não fazem parte do processo decisório da maioria do eleitorado (ideologia, preferência partidária, interesse de classe, proposição..).

 

Vivendo em um permanente paradoxo de esperança e frustração, que retroalimenta o descrédito e o ceticismo com a política, os eleitores agem em correspondência com a sua percepção de mundo político, comportam-se em consonância com a cultura política do personalismo e destinam o seu voto à pessoa do candidato, movidos de “muita razão e bom senso”. Procuram sempre escolher o “melhor candidato” ou o "menos pior".  

 

Neste contexto não há “incoerência” no comportamento eleitoral. Os eleitores apenas respondem aos estímulos das campanhas eleitorais, votam coerentemente, depositando esperança em um candidato e de acordo com a percepção negativa que possuem das instituições políticas democráticas do país.

 

Tendo como foco de analise os critérios de decisão eleitoral de um sistema democrático, a "incoerência" reside na atuação e na prática dos partidos políticos que primam pelo caráter personalista e pela manutenção de práticas autoritárias de favorecimento pessoal, que estão muito aquém do politicamente desejável, do ponto de vista democrático.

 

Para que o círculo vicioso seja quebrado (voto personalista X campanhas personalistas), precisa haver uma ruptura histórica que possibilite a efetivação de mecanismos democráticos que propiciem mudanças estruturais, tanto no que refere-se ao comportamento dos eleitores, quanto a atuação dos partidos e de suas campanhas eleitorais.  Para que, numericamente, prevaleça o eleitor politicamente estruturado, dotado de uma consciência crítica reflexiva, há muito a ser feito, começando por uma reforma política efetiva.

 

Atualmente, o eleitor sabe votar! Vota em consonância com a cultura política personalista, respondendo a campanhas personalistas. O foco do debate deve avaliar se a cultura política que temos é a cultura política que queremos ter!

 

 

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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