O gaúcho está reaprendendo a “fazer a lista de compras”!

30/11/2015 11:30

Com a crise econômica o gaúcho está reposicionando os hábitos de consumo, revendo “sua lista de compras”, aculturando a premissa da pesquisa de preço, retomando a prática “da pechincha” e buscando marcas e produtos alternativos. Este processo de “ajuste fiscal doméstico” é reflexo do atual momento e sucede o momento anterior de crescimento econômico, onde o gaúcho estava “aumentando a sua lista de compra” e escolhendo em função da qualidade e da marca. Agora, as marcas secundárias, com preço competitivos, estão passam a ser reavaliadas pelos consumidores que buscam produtos alternativos.

 

O temor da população é de que haja uma redução generalizada do seu poder de compra resultante do aumento de preços, especialmente, dentro da nova classe média. E o medo é que esta diminuição do poder de compra seja acompanhada do aumento do desemprego.

 

Ao longo das diferentes pesquisas realizadas neste segundo semestre de 2015 o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião tem monitorado a readaptação da população consumidora e os novos hábitos de consumo, que estão sendo constituídos no cotidiano de cada um dos principais segmentos que compõe o varejo gaúcho.

 

No supermercado = O consumidor começou o corte com os produtos considerados supérfluos em cada residência e que está associado aos produtos que estão “fora de cesta básica”. Segundo os entrevistados a maior parte destes produtos “são os de geladeira”, em especial, produtos congelados. No açougue a regra do consumidor é pela diminuição da quantidade de carnes e a busca por substitutivos, mesmo que impacte na revisão do cardápio da família. O setor de higiene e beleza e os artigos de uso pessoal ou doméstico também são alvo do corte das famílias, com diminuição do consumo de produtos secundários, que “podem ficar para depois”.

 

Na farmácia = trata-se de um segmento com um impacto considerável nas despesas de cada residência, em especial, dentre a população com mais de 50 anos. O primeiro corte esteve associado aos produtos de higiene e beleza pessoal, e o segundo corte atinge as medicações consideradas secundárias por cada consumidor, desde os suplementos vitamínicos, fitoterapias até medicamentos que o consumidor julgue como desnecessários, que segundo o consumidor “pode passar bem sem”.

 

No setor de vestuários, calçados e acessórios = os consumidores afirmam que estão “freando o consumo por impulso”. Em função do endividamento das famílias e da diminuição da oferta de parcelamento sem juros. A tendência é de diminuição do ticket médio do setor, com uma decisão racional otimizando custo X benefício da compra. Neste cenário, além das promoções será primordial o atendimento personalizado e um mix de opções que atenda as diferentes preferências e necessidades.

 

É uma nova tendência de consumo, o consumidor continuará comprando, mas sua decisão será menos impulsiva e mais seletiva, de acordo com as suas necessidades. Neste contexto o preço torna-se um dos principais fatores de decisão!

O gaúcho confia desconfiando!

24/11/2015 15:00

Para analisar a confiança dos gaúchos nas Instituições é necessário “ter em mente” a conjugação de fatores históricos-estruturais que se estabeleceram na história do RS, as atuais denúncias de corrupção e malversação de recursos públicos da política brasileira, acrescido a este cenário das condições econômicas incertas e instáveis que afetam diretamente a população e que eclode no agravo do distanciamento e ceticismo da maioria da população em relação à política e aos políticos.

É neste ambiente que “brota” o maior percentual de desconfiança dos gaúchos, medido pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, ao longo das últimas duas décadas.

Neste momento mais 55% dos gaúchos não confiam “em nada e em ninguém” e a outra metade “dá um voto temeroso de confiança”. A frase que permeia o senso comum da população e ecoa de porta em porta na consolidação da premissa que “se confia desconfiando”. A pesquisa de opinião realizada com uma amostra de 1.500 entrevistados, distribuídos nas sete mesorregiões do IBGE, indica que o menor grau de confiança se encontra nos políticos, nos “representantes do povo”.

-    Meios de comunicação = 45,4%
-    Polícia/Brigada Militar = 44,7%
-    Governo do Estado do RS = 31,7%
-    Justiça = 28,6%
-    Assembleia Legislativa do RS = 14,5%
-    Partidos políticos = 5,5%

O modo pelo qual os eleitores vislumbram, concebem a política e confiam nas instituições, influencia e direciona as ações dos mesmos, como um círculo vicioso. A racionalidade da maior parte do eleitorado é relativa a posição na estrutura social em que estes estão inseridos, com base nas informações e percepções da realidade política que os circunda. E os dados indicam que há uma crise de legitimidade, que faz com que a parca confiança nas instituições atue como um limitador da unicidade e do desenvolvimento social, gerando uma crise social que engessa a frágil capacidade de participação política, a mobilização e inviabiliza o exercício da cidadania.

E este comportamento permeia o cotidiano da população nas mais variadas formas de relacionamento social. A desconfiança nas Instituições ativa o modo de navegação social do “jeitinho brasileiro”, potencializa o sentimento de injustiça, nutre a sensação de impunidade e, por consequência, estimula o “caos social” fazendo com que a população “sofra mais e mais”. A população afirma que “como está não dá para ficar” e relata os dilemas com a prestação de serviços desqualificados, a perda ou falta de acesso aos direitos básicos, os delitos a que é exposta, as usurpações de agentes públicos e até mesmo como tem ficado a mercê da violência cotidiana, que tem seus indicadores em flanco crescimento.
Para o enfrentamento da crise social que se avizinha o “tema de casa” está no reposicionamento das Instituições (em especial dos três poderes), visando a premissa inicial do sistema democrático: a proteção e bem-estar da sociedade, o “bem comum”.

O destino do décimo terceiro e o ajuste fiscal doméstico!

17/11/2015 16:00

A cada dia é mais intensa a preocupação da população gaúcha com a crise econômica (em especial com a retomada da inflação e medo do desemprego), ampliada pela indignação com a crise política (escândalos de corrupção e malversação de recursos públicos) e que acirra uma crise social (falta de confiança/ credibilidade nas instituições).

Diante deste cenário de instabilidade econômica e receio a primeira mudança no comportamento do consumidor se caracterizou pela diminuição do consumo por impulso, afetando as compras de produtos ou serviços considerados como supérfluos.

Preocupados com a ampliação de gastos gerados pelas festas de final de ano e com as contas do início do próximo ano, os gaúchos iniciam uma segunda mudança de comportamento, que incide no “ajuste fiscal doméstico”.

Este “ajuste fiscal doméstico” se caracteriza como uma mudança na tendência de comportamento do consumo, em especial, da nova classe C.
Começa na reavaliação do cotidiano de consumo, desde a revisão dos gastos fixos, avaliação dos produtos substitutos ou até corte de despesas.

As marcas secundárias, com preços competitivos, estão sendo reavaliadas pelos consumidores, que neste momento buscam produtos alternativos.

As pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião indicam que 1/3 dos gaúchos estão mais endividados do que sua normalidade.
O décimo terceiro salário deverá ser um “fôlego” no ajuste fiscal doméstico.   

Neste momento, quando os consumidores gaúchos "pensam" no destino do décimo terceiro, há três grupos de comportamento:

a) O primeiro pensa em "pagar dívidas" ou até mesmo "pagar as contas do mês".

b) O segundo grupo, temeroso com economia, pensa em "poupar", ter uma reserva técnica, visando especialmente, o aumento das despesas no início do ano (como IPTU, IPVA, Escola..).

c) E, o terceiro grupo, tende a investir em presentes ou comprar bens de consumo duráveis ou produtos para a família. Os consumidores afirmam que tendem a diminuir o valor dos presentes, "dando uma lembrancinha". A tendência é que o Papai Noel seja mais "modesto" e o décimo terceiro ajude no equilíbrio do ajuste fiscal doméstico.
O décimo terceiro servirá como um “alento” para os gaúchos e subsidiará o replanejamento das férias, que deverá ocorrer utilizando as potencialidades das cidades, das praias próximas e até mesmo, estreitando a relação entre as famílias, resgatando as visitas ou passeios coletivos.

O destino do décimo terceiro e o ajuste fiscal doméstico!

A cada dia é mais intensa a preocupação da população gaúcha com a

crise econômica (em especial com a retomada da inflação e medo do

desemprego), ampliada pela indignação com a crise política (escândalos de

corrupção e malversação de recursos públicos) e que acirra uma crise social

(falta de confiança/ credibilidade nas instituições).

Diante deste cenário de instabilidade econômica e receio a primeira

mudança no comportamento do consumidor se caracterizou pela diminuição do

consumo por impulso, afetando as compras de produtos ou serviços

considerados como supérfluos.

Preocupados com a ampliação de gastos gerados pelas festas de final

de ano e com as contas do início do próximo ano, os gaúchos iniciam uma

segunda mudança de comportamento, que incide no “ajuste fiscal doméstico”.

Este “ajuste fiscal doméstico” se caracteriza como uma mudança na

tendência de comportamento do consumo, em especial, da nova classe C.

Começa na reavaliação do cotidiano de consumo, desde a revisão dos gastos

fixos, avaliação dos produtos substitutos ou até corte de despesas. As marcas

secundárias, com preços competitivos, estão sendo reavaliadas pelos

consumidores, que neste momento buscam produtos alternativos.

As pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião

indicam que 1/3 dos gaúchos estão mais endividados do que sua normalidade.

O décimo terceiro salário deverá ser um “fôlego” no ajuste fiscal doméstico.

Neste momento, quando os consumidores gaúchos "pensam" no destino

do décimo terceiro, há três grupos de comportamento:

a) O primeiro pensa em "pagar dívidas" ou até mesmo "pagar as contas

b) O segundo grupo, temeroso com economia, pensa em "poupar", ter

uma reserva técnica, visando especialmente, o aumento das despesas no

início do ano (como IPTU, IPVA, Escola..).

c) E, o terceiro grupo, tende a investir em presentes ou comprar bens de

consumo duráveis ou produtos para a família. Os consumidores afirmam que

tendem a diminuir o valor dos presentes, "dando uma lembrancinha". A

tendência é que o Papai Noel seja mais "modesto" e o décimo terceiro ajude no

equilíbrio do ajuste fiscal doméstico.

O décimo terceiro servirá como um “alento” para os gaúchos e

subsidiará o replanejamento das férias, que deverá ocorrer utilizando as

potencialidades das cidades, das praias próximas e até mesmo, estreitando a

relação entre as famílias, resgatando as visitas ou passeios coletivos.

Porque há tantas regras: do mundo real ao mundo virtual!

10/11/2015 15:00

As leis sugiram para proteger e organizar a sociedade e o Estado deve visar o bem comum. No Estado Democrático de Direito as leis existem para garantir que a democracia e os direitos de todos sejam respeitados e ao obedecer às leis, contribuímos para um mundo mais justo para todos.

 

E como pode ocorrer proteção e organização se a maior parte das leis são de desconhecimento público?

 

A principal constatação como pesquisadora na coordenação do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião é de que a ampliação do ordenamento jurídico brasileiro tem aumentado o desconhecimento da população em relação as leis, sua capacidade de aplicação e importância social. E são inúmeras as “leis que não pegam” no “mundo real” por falta de conhecimento, aplicação, fiscalização e punição. Cada “lei que não pega” aumenta a premissa do senso comum “de que não dá nada” e é um ”alimento” paulatino para a cristalização do sentimento de impunidade, que começa na percepção de pequenos delitos e crimes do cotidiano até os grandes temas de corrupção da política brasileira!

 

Analisar este cenário de desconhecimento e de sensação de ineficiência da aplicação das leis migrando da perspectiva “do mundo real” para o “mundo virtual” confirma que o desconhecimento é ainda mais acirrado no mundo virtual.

 

As regras começam a serem “dribladas”, em muitos casos inconscientemente, quando pais permitem que filhos menores de 13 anos tenham um perfil no Facebook. Para descumprir o regulamento norte americano que o Facebook utiliza para regular a idade mínima, os pais são obrigados a adulterar a idade de seus filhos, cometendo uma segunda infração. Este pequeno exemplo, que ocorre na “porta de entrada” do mundo virtual, é um prenúncio que indica a impercepção de que as regras e as leis do mundo real valem para o mundo virtual!

 

Atualmente, 60% dos gaúchos estão conectados as redes sociais e entre adolescentes e pré-adolescentes este patamar alcança 80% dos casos e o mundo virtual “é a praia” deste segmento, sendo que estes são considerados “nativos digitais”.

 

No mundo virtual estes jovens “se sentem empoderados”, seus perfis traduzem ou “tentam traduzir” o estilo de vida que possuem ou “gostariam de possuir” e uma “tempestade de emoções”. Usam o espaço virtual para externar tudo que pensam ou sentem, desconhecendo que as leis do mundo real (como crimes de ofensa verbal ou moral, crimes raciais, discriminação e preconceito, etc) se aplicam ao mundo virtual. Sem contar as leis que tipificam os chamados delitos ou crimes informáticos, como a Lei Carolina Dieckman.

 

Estes jovens “empoderados” no mundo virtual, se sentem protegidos pela sensação de que não serão identificados e não se preocupam com o princípio supremo que diz que o direito de um termina quando começa o de outro. Este sentimento de “empoderamento” possui sua raiz no escasso conhecimento que seus pais detêm do funcionamento, do alcance e dos limites da internet. Literalmente, estes pais não têm noção do que os filhos fazem e dos riscos que correm!

 

Muitos pais acreditam que propiciar o acesso à internet aos filhos é como “presentar o filho com um “jogo de videogame”, “uma forma do filho estar dentro de casa”, “sob os olhos da família”. Esta leitura fornece as famílias uma falsa sensação de segurança e permite a estes “nativos digitais” um certo “passe livre” para navegar na web, cometerem delitos ou ficarem vulneráveis aos mais variados tipos de situação, incluindo o cyberbullying, sexting, até acessar links que permitem o sequestro de dados ou outros crimes praticados por anônimos da deep web.

 

Este cenário indica a necessidade de um debate sobre as regras morais, éticas e legais que devem ser respeitadas no mundo real e no mundo virtual. E este debate precisa perpassar todas as instituições sociais, em especial, a instituição familiar e educacional. Além disso, as famílias devem orientar e acompanhar seus filhos, “se uma criança de 12 anos não deve andar desacompanhada nas ruas do mundo real, também não deve andar desacompanha ou sem orientação nas várias “ruelas” do mundo virtual”.

 

 

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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