Apoiar manifestações sim, participar não!

22/12/2015 18:00

 

O Brasil vive uma crise econômica, política e social. A crise social pode ser classificada como uma crise de ética e de credibilidade. O “jeitinho brasileiro” que sempre rodeou as relações sociais e “disfarçou” o conceito de corrupção está sendo questionado pela população!

 

A indignação da população é percebida nos mais variados campos das relações sociais, transcendendo o mundo da política. O eleitor indignado é o mesmo consumidor que se sente ultrajado. O consumidor ultrajado é o mesmo cidadão desrespeitado, o mesmo cidadão desrespeitado é o mesmo chefe de família frustrado.

 

O IPO - Instituto Pesquisas de Opinião durante o ano de 2015 manteve investigações sobre a percepção da população em relação às manifestações populares.

 

           Os gaúchos são favoráveis as manifestações populares, sendo que 74,1% dos gaúchos consideram importantes as manifestações, afirmam que “as pessoas devem ir para as ruas”. Esta percepção está ancorada em três lógicas de argumentos:

 

- o maior motivador das manifestações está associado ao combate à corrupção e a impunidade, fomentando um sentimento de “moralidade”. Sendo que 64% dos gaúchos acreditam que a corrupção no Brasil é antiga e independe dos partidos que estão no poder.

 

- o segundo motivador está associado ao descontentamento com o governo da presidente Dilma Rousseff. Esta insatisfação está associada à diminuição dos programas sociais, mudança nos direitos dos trabalhadores e o aumento do custo de vida. Os eleitores “suspeitam” que a diminuição dos direitos e benefício e o aumento da inflação sejam resultados do aumento da corrupção.

 

- o terceiro fator está associado a precarização dos serviços públicos, a necessidade de que os serviços básicos sejam priorizados pelas políticas públicas.

 

Os mesmos gaúchos que declaram apoiar as manifestações populares afirmam, em sua maioria, não ter interesse de participar de manifestações pelo receio de violência, depredações ou pela apropriação indevida das manifestações por partidos políticos.

 

A grande maioria da população gaúcha (88%) não participa de nenhum tipo de instituição associativista ou partido político e delega a outrem a responsabilidade de lhe representar em debates que não lhe são caros ou desconhecidos.

 

Diante destes indicadores da cultura política brasileira verifica-se que a tendência do gaúcho é de não participação em manifestações políticas, independentemente de ser contra ou a favor ao governo. O momento inspirador de junho de 2013, em que um pequeno percentual da população participou de manifestações de rua em várias cidades do RS, foi "sufocado" pelos "oportunistas da violência", que utilizaram a massa para praticar vandalismo ou até mesmo crimes.

 

A inexistência de uma grande massa de manifestantes nas ruas das principais cidades do RS não expressa apoio ou desapoio a determinada tese. A ausência de um grande contingente nas manifestações demostra a cultura política de não participação, fomentada pelo receio com a violência.  

 

 

A “pedalada” que motiva o impeachment assusta o eleitor

14/12/2015 16:00

A maior parte do eleitorado gaúcho “sabe” que impeachment significa “cassar o Presidente”. Dentre a população com menor grau de educação formal, a contextualização do conceito de impeachment é realizada pelos mais velhos, relatando o episódio que culminou com a renúncia do ex-presidente Collor de Mello antes da cassação de seus direitos políticos.

 

O impeachment é um processo instaurado com base em denúncia de crime de responsabilidade contra alta autoridade do poder executivo cuja sentença é da alçada do poder legislativo. O pedido de impedimento que transita contra a presidente Dilma Rousseff está baseado no crime de responsabilidade fiscal, em função das denominadas “Pedaladas Fiscais” que se configura na utilização de recursos de bancos públicos no subsidio de programas sociais.

 

O eleitor que tem “noção” do conceito de impeachment, não tem “noção” do conceito de “Pedala Fiscal” ou o que significa “crime de responsabilidade fiscal”. O eleitor relembra que o ex-presidente Collor foi impedido por um comportamento pessoal irregular, onde houve beneficio próprio, mas ainda está confuso quanto a acusação que atinge a Presidente Dilma.

 

É importante relembrar que o ano de 2015 foi ímpar na quantidade de denúncias de corrupção, em especial, a operação “Lava Jato”. Estas denúncias somadas ao aumento do combustível e do custo da energia elétrica aumentaram a perplexidade do eleitor, este conclui que os aumentos estão associados ao esquema de corrupção que envolviam a Petrobras, para os eleitores é corrente a ideia de que “eles roubam e nós pagamos”.

 

Esta perplexidade do eleitor foi se transformando em certo “temor” ao se deparar com a revisão e alteração de direitos dos trabalhadores, diminuição de programas sociais e aumento do custo de vida, acompanhado da precarização de serviços públicos como saúde e segurança e a estagnação de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

 

E o eleitor temeroso e descrente “está sendo avisado” que há um pedido de impedimento contra a Presidente por crime de “reponsabilidade fiscal” e se os índices de avaliação da Presidente contemplassem pelo menos um terço de avaliação positiva a retórica de defesa utilizada poderia fazer analogia com uma ação “Robin Hood”, que explicaria que “tirou dos bancos para pagar programas sociais como “Bolsa Família”, “Minha Casa Minha Vida” ou “Minha Casa Melhor”, com possibilidade de garantir o apoio popular.

 

Contudo, os índices de aprovação que não são favoráveis a defesa da Presidente e de seus aliados também não são favoráveis aos ataques do Presidente da Câmara e de seus aliados. Os eleitores desejam “que se vire a página o mais rápido possível”, acreditam que o perdedor desta disputa será a população, o Brasil. Afirmam que “não aguentam mais tanta corrupção, acusação e serviços públicos mal feitos” e o “aperto no bolso”. Se comportam como filhos que observam os “pais brigando sem saber quem tem razão” e desejam construir a sua história longe desta briga.

As redes sociais atuam como um “telefone sem fio”

07/12/2015 19:00

A brincadeira popular realizada nas escolas denominada ‘’telefone sem fio’’ se caracteriza por uma história ou frase que é contada ao “pé de ouvido’’ de uma criança e ela precisa repassar a história para o colega ao lado, e assim sucessivamente até que o ciclo se feche, dentro de um grupo determinado e o último a ouvir a história deve repetir a frase aos colegas. Na maioria dos casos, a frase que chega ao final se distancia drasticamente da frase inicial.

A lembrança desta brincadeira é pertinente para a reflexão sobre o risco do ‘’ruído de comunicação’’, natural nas relações sociais e para compreender a confiança da população gaúcha nas informações disponíveis nas redes sociais.

As redes sociais estão se tornando um local privilegiado de comunicação entre as pessoas, onde há o estabelecimento de relacionamentos e interesses mútuos. Esta forma de comunicação transcende o campo das relações pessoais, neste espaço a mensagem é difundida de forma descentralizada e está presente nas relações entre consumidores e empresas, entre  os eleitores e os políticos e assim por diante.  Inclusive, as redes sociais estão alterando a forma, a logística de trabalho dos profissionais e dos veículos de comunicação.

No RS mais de 60% dos gaúchos estão conectados as redes sociais.O  IPO – Instituto Pesquisas de Opinião realizou grupos focais, nas mais variadas cidades do Estado, para compreender a utilização e a importância dessas mídias, na vida cotidiana da população e, principalmente, como as  informações disponíveis são utilizadas. O primeiro fator de motivação no acesso as redes sociais estãoassociadas ao relacionamento interpessoal, as pessoas afirmam que gostam de saber “o que as outras pessoas fazem” (em especial, sua rede de relações), adoram contar “o que estão fazendo” ou “sentindo’’, mesmo sob pena de realizar “simulações” para garantir uma postagem nova.  Sem contar, na possibilidade de ‘’15 minutos de fama” com a chance de “viralizar” um fato ou acontecimento, cobrindo um ‘’furo”!

Quando questionados sobre a “crença’’ nas informações disponíveis nas redes sociais os entrevistados são unânimes em dizer que nas redes sociais a “muita inverdade”, “informação distorcida” ou “intencionalmente plantada”. E, é neste contexto que a analogia entre a brincadeira de “telefone sem fio’’ da escola e as redes sociais se constitui no imaginário popular, ‘’uma brincadeira boa de se fazer para passar o tempo, mas que não dá para acreditar em tudo que dizem”.

            Os usuários afirmam que “estão aprendendo a se virar” nas redes, desenvolvendo “técnicas de defesa’’  para validação das informações disponibilizadas nas redes sociais , tanto de amigos, familiares ou sobre notícias ou acontecimentos, para tanto:

a)                           verifica a credibilidade da fonte ou avalia o histórico da mesma/ seriedade da pessoa no mundo real (inclusive quando se trata de avaliação da postagem de um amigo ou parente);

b)                           pergunta na própria rede se alguém tem informação ou valida a notícia (inclui contatos inbox);

c)                            conferir se um meio oficial de comunicação relata a notícia, em especial, jornal impresso ou rede de televisão;

Ao mesmo tempo que há uma crença parcial nas informações disponibilizadas nas redes sociais, os entrevistados percebem as redes sociais como uma “prática viciante”, que estimula “a vontade de ficar olhando”, se atualizando “sobre o que o outros estão fazendo, dizendo ou onde estão indo”. Afirmam que ao mesmo tempo que as redes conectam as pessoas (atualiza as informações ou notícias sobre amigos e familiares), causa um esvaziamento de conteúdo, relatado como uma “falta de assunto”, tendo em vista muitos dos tradicionais questionamentos de uma relação social foram antecipados “nas e pelas” postagens. O acompanhamento das postagens de amigos e familiares desfavorece as conversas reflexivas e os desabafos, que são substituídos pelos comentários ou pelas curtidas que criam uma sensação de informação sobre a “vida do outro” e uma percepção de que o conhecimento sobre a vida do amigo ou familiar é como “a última frase contada pelo telefone sem fio”, sem a certeza de que é a realidade dos fatos.

 

As redes sociais atuam como um “telefone sem fio”

A brincadeira popular realizada nas escolas denominada ‘’telefone sem

fio’’ se caracteriza por uma história ou frase que é contada ao “pé de ouvido’’ de

uma criança e ela precisa repassar a história para o colega ao lado, e assim

sucessivamente até que o ciclo se feche, dentro de um grupo determinado e o

último a ouvir a história deve repetir a frase aos colegas. Na maioria dos casos, a

frase que chega ao final se distancia drasticamente da frase inicial.

A lembrança desta brincadeira é pertinente para a reflexão sobre o risco

do ‘’ruído de comunicação’’, natural nas relações sociais e para compreender a

confiança da população gaúcha nas informações disponíveis nas redes sociais.

As redes sociais estão se tornando um local privilegiado de comunicação

entre as pessoas, onde há o estabelecimento de relacionamentos e interesses

mútuos. Esta forma de comunicação transcende o campo das relações pessoais,

neste espaço a mensagem é difundida de forma descentralizada e está presente

nas relações entre consumidores e empresas, entre  os eleitores e os políticos e

assim por diante.  Inclusive, as redes sociais estão alterando a forma, a logística

de trabalho dos profissionais e dos veículos de comunicação.

No RS mais de 60% dos gaúchos estão conectados as redes sociais. O  IPO

– Instituto Pesquisas de Opinião realizou grupos focais, nas mais variadas

cidades do Estado, para compreender a utilização e a importância dessas mídias,

na vida cotidiana da população e, principalmente, como as  informações

disponíveis são utilizadas.  O primeiro fator de motivação no acesso as redes

sociais estão associadas ao relacionamento interpessoal, as pessoas afirmam que

gostam de saber “o que as outras pessoas fazem” (em especial, sua rede de

relações), adoram contar “o que estão fazendo” ou “sentindo’’, mesmo sob pena

de realizar “simulações” para garantir uma postagem nova.  Sem contar, na

possibilidade de ‘’15 minutos de fama” com a chance de “viralizar” um fato ou

acontecimento, cobrindo um ‘’furo”!

Quando questionados sobre a “crença’’ nas informações disponíveis nas

redes sociais os entrevistados são unânimes em dizer que nas redes sociais a

“muita inverdade”, “informação distorcida” ou “intencionalmente plantada”. E, é

neste contexto que a analogia entre a brincadeira de “telefone sem fio’’ da escola

e as redes sociais se constitui no imaginário popular, ‘’uma brincadeira boa de se

fazer para passar o tempo, mas que não dá para acreditar em tudo que dizem”.

Os usuários afirmam que “estão aprendendo a se virar” nas redes,

desenvolvendo “técnicas de defesa’’  para validação das informações

disponibilizadas nas redes sociais , tanto de amigos, familiares ou sobre notícias

ou acontecimentos, para tanto:

a) verifica a credibilidade da fonte ou avalia o histórico da mesma/

seriedade da pessoa no mundo real (inclusive quando se trata

de avaliação da postagem de um amigo ou parente);

b) pergunta na própria rede se alguém tem informação ou valida a

notícia (inclui contatos inbox);

c) conferir se um meio oficial de comunicação relata a notícia, em

especial, jornal impresso ou rede de televisão;

Ao mesmo tempo que há uma crença parcial nas informações

disponibilizadas nas redes sociais, os entrevistados percebem as redes sociais

como uma “prática viciante”, que estimula “a vontade de ficar olhando”, se

atualizando “sobre o que o outros estão fazendo, dizendo ou onde estão indo”.

Afirmam que ao mesmo tempo que as redes conectam as pessoas (atualiza as

informações ou notícias sobre amigos e familiares), causa um esvaziamento de

conteúdo, relatado como uma “falta de assunto”, tendo em vista muitos dos

tradicionais questionamentos de uma relação social foram antecipados “nas e

pelas” postagens. O acompanhamento das postagens de amigos e familiares

desfavorece as conversas reflexivas e os desabafos, que são substituídos pelos

comentários ou pelas curtidas que criam uma sensação de informação sobre a

“vida do outro” e uma percepção de que o conhecimento sobre a vida do amigo

ou familiar é como “a última frase contada pelo telefone sem fio”, sem a certeza

de que é a realidade dos fatos.

As redes sociais atuam como um “telefone sem fio”

07/12/2015 19:00

A brincadeira popular realizada nas escolas denominada ‘’telefone sem fio’’ se caracteriza por uma história ou frase que é contada ao “pé de ouvido’’ de uma criança e ela precisa repassar a história para o colega ao lado, e assim sucessivamente até que o ciclo se feche, dentro de um grupo determinado e o último a ouvir a história deve repetir a frase aos colegas. Na maioria dos casos, a frase que chega ao final se distancia drasticamente da frase inicial.

A lembrança desta brincadeira é pertinente para a reflexão sobre o risco do ‘’ruído de comunicação’’, natural nas relações sociais e para compreender a confiança da população gaúcha nas informações disponíveis nas redes sociais.

As redes sociais estão se tornando um local privilegiado de comunicação entre as pessoas, onde há o estabelecimento de relacionamentos e interesses mútuos. Esta forma de comunicação transcende o campo das relações pessoais, neste espaço a mensagem é difundida de forma descentralizada e está presente nas relações entre consumidores e empresas, entre  os eleitores e os políticos e assim por diante.  Inclusive, as redes sociais estão alterando a forma, a logística de trabalho dos profissionais e dos veículos de comunicação.

No RS mais de 60% dos gaúchos estão conectados as redes sociais.O  IPO – Instituto Pesquisas de Opinião realizou grupos focais, nas mais variadas cidades do Estado, para compreender a utilização e a importância dessas mídias, na vida cotidiana da população e, principalmente, como as  informações disponíveis são utilizadas. O primeiro fator de motivação no acesso as redes sociais estãoassociadas ao relacionamento interpessoal, as pessoas afirmam que gostam de saber “o que as outras pessoas fazem” (em especial, sua rede de relações), adoram contar “o que estão fazendo” ou “sentindo’’, mesmo sob pena de realizar “simulações” para garantir uma postagem nova.  Sem contar, na possibilidade de ‘’15 minutos de fama” com a chance de “viralizar” um fato ou acontecimento, cobrindo um ‘’furo”!

Quando questionados sobre a “crença’’ nas informações disponíveis nas redes sociais os entrevistados são unânimes em dizer que nas redes sociais a “muita inverdade”, “informação distorcida” ou “intencionalmente plantada”. E, é neste contexto que a analogia entre a brincadeira de “telefone sem fio’’ da escola e as redes sociais se constitui no imaginário popular, ‘’uma brincadeira boa de se fazer para passar o tempo, mas que não dá para acreditar em tudo que dizem”.

            Os usuários afirmam que “estão aprendendo a se virar” nas redes, desenvolvendo “técnicas de defesa’’  para validação das informações disponibilizadas nas redes sociais , tanto de amigos, familiares ou sobre notícias ou acontecimentos, para tanto:

a)                           verifica a credibilidade da fonte ou avalia o histórico da mesma/ seriedade da pessoa no mundo real (inclusive quando se trata de avaliação da postagem de um amigo ou parente);

b)                           pergunta na própria rede se alguém tem informação ou valida a notícia (inclui contatos inbox);

c)                            conferir se um meio oficial de comunicação relata a notícia, em especial, jornal impresso ou rede de televisão;

Ao mesmo tempo que há uma crença parcial nas informações disponibilizadas nas redes sociais, os entrevistados percebem as redes sociais como uma “prática viciante”, que estimula “a vontade de ficar olhando”, se atualizando “sobre o que o outros estão fazendo, dizendo ou onde estão indo”. Afirmam que ao mesmo tempo que as redes conectam as pessoas (atualiza as informações ou notícias sobre amigos e familiares), causa um esvaziamento de conteúdo, relatado como uma “falta de assunto”, tendo em vista muitos dos tradicionais questionamentos de uma relação social foram antecipados “nas e pelas” postagens. O acompanhamento das postagens de amigos e familiares desfavorece as conversas reflexivas e os desabafos, que são substituídos pelos comentários ou pelas curtidas que criam uma sensação de informação sobre a “vida do outro” e uma percepção de que o conhecimento sobre a vida do amigo ou familiar é como “a última frase contada pelo telefone sem fio”, sem a certeza de que é a realidade dos fatos.

 

As redes sociais atuam como um “telefone sem fio”

A brincadeira popular realizada nas escolas denominada ‘’telefone sem

fio’’ se caracteriza por uma história ou frase que é contada ao “pé de ouvido’’ de

uma criança e ela precisa repassar a história para o colega ao lado, e assim

sucessivamente até que o ciclo se feche, dentro de um grupo determinado e o

último a ouvir a história deve repetir a frase aos colegas. Na maioria dos casos, a

frase que chega ao final se distancia drasticamente da frase inicial.

A lembrança desta brincadeira é pertinente para a reflexão sobre o risco

do ‘’ruído de comunicação’’, natural nas relações sociais e para compreender a

confiança da população gaúcha nas informações disponíveis nas redes sociais.

As redes sociais estão se tornando um local privilegiado de comunicação

entre as pessoas, onde há o estabelecimento de relacionamentos e interesses

mútuos. Esta forma de comunicação transcende o campo das relações pessoais,

neste espaço a mensagem é difundida de forma descentralizada e está presente

nas relações entre consumidores e empresas, entre  os eleitores e os políticos e

assim por diante.  Inclusive, as redes sociais estão alterando a forma, a logística

de trabalho dos profissionais e dos veículos de comunicação.

No RS mais de 60% dos gaúchos estão conectados as redes sociais. O  IPO

– Instituto Pesquisas de Opinião realizou grupos focais, nas mais variadas

cidades do Estado, para compreender a utilização e a importância dessas mídias,

na vida cotidiana da população e, principalmente, como as  informações

disponíveis são utilizadas.  O primeiro fator de motivação no acesso as redes

sociais estão associadas ao relacionamento interpessoal, as pessoas afirmam que

gostam de saber “o que as outras pessoas fazem” (em especial, sua rede de

relações), adoram contar “o que estão fazendo” ou “sentindo’’, mesmo sob pena

de realizar “simulações” para garantir uma postagem nova.  Sem contar, na

possibilidade de ‘’15 minutos de fama” com a chance de “viralizar” um fato ou

acontecimento, cobrindo um ‘’furo”!

Quando questionados sobre a “crença’’ nas informações disponíveis nas

redes sociais os entrevistados são unânimes em dizer que nas redes sociais a

“muita inverdade”, “informação distorcida” ou “intencionalmente plantada”. E, é

neste contexto que a analogia entre a brincadeira de “telefone sem fio’’ da escola

e as redes sociais se constitui no imaginário popular, ‘’uma brincadeira boa de se

fazer para passar o tempo, mas que não dá para acreditar em tudo que dizem”.

Os usuários afirmam que “estão aprendendo a se virar” nas redes,

desenvolvendo “técnicas de defesa’’  para validação das informações

disponibilizadas nas redes sociais , tanto de amigos, familiares ou sobre notícias

ou acontecimentos, para tanto:

a) verifica a credibilidade da fonte ou avalia o histórico da mesma/

seriedade da pessoa no mundo real (inclusive quando se trata

de avaliação da postagem de um amigo ou parente);

b) pergunta na própria rede se alguém tem informação ou valida a

notícia (inclui contatos inbox);

c) conferir se um meio oficial de comunicação relata a notícia, em

especial, jornal impresso ou rede de televisão;

Ao mesmo tempo que há uma crença parcial nas informações

disponibilizadas nas redes sociais, os entrevistados percebem as redes sociais

como uma “prática viciante”, que estimula “a vontade de ficar olhando”, se

atualizando “sobre o que o outros estão fazendo, dizendo ou onde estão indo”.

Afirmam que ao mesmo tempo que as redes conectam as pessoas (atualiza as

informações ou notícias sobre amigos e familiares), causa um esvaziamento de

conteúdo, relatado como uma “falta de assunto”, tendo em vista muitos dos

tradicionais questionamentos de uma relação social foram antecipados “nas e

pelas” postagens. O acompanhamento das postagens de amigos e familiares

desfavorece as conversas reflexivas e os desabafos, que são substituídos pelos

comentários ou pelas curtidas que criam uma sensação de informação sobre a

“vida do outro” e uma percepção de que o conhecimento sobre a vida do amigo

ou familiar é como “a última frase contada pelo telefone sem fio”, sem a certeza

de que é a realidade dos fatos.
Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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