As crises sempre nos ensinam algo!

26/05/2016 08:50

As crises sempre nos ensinam algo e temos que compreender seus ensinamentos e utilizar os mesmos como ferramenta de evolução individual e social.  A população brasileira vive uma crise política, econômica e social sem precedentes.

Diferente de outras crises que assolaram o país, esta crise política se caracteriza pelo desmantelamento de uma rede de corrupção que não tem data para encontrar seu ponto final.

A atual crise econômica precede um momento de alta pujança que permitiu uma das mais expressivas mobilidades sociais desde o nascimento do último ciclo democrático. Neste momento o consumidor tenta compreender a conjuntura, conter seus gastos e se prevenir de uma recessão.
A população que observa e é afetada pela crise política e econômica, vive uma crise social que se manifesta por altos índices de desconfiança nas instituições e baixo interesse por política.

Analisar o comportamento da sociedade neste contexto é intrigante e instigante. Ao mesmo tempo que a população se mostra temerária com o atual cenário, manifesta indícios de alterações culturais e comportamentais que sinalizam uma tendência de superação de alguns dilemas perenes a cultura política brasileira, como o “jeitinho brasileiro”.

A população assiste estarrecida a cada nova fase da operação Lava Jato e acredita que são necessárias mudanças estruturais que alterem tanto a forma de governar quanto de fazer política. O cidadão acredita que “como está não pode ficar” e, portanto, é necessário que o “certo seja certo” e o “errado seja errado”, sinalizando uma preocupação com o quadro situacional e a necessidade de repactuar um novo comportamento social, que prime de forma mais enfática pelo bem comum.

Aos dirigentes políticos, estas crises estabelecem a oportunidade de rever seus conceitos, restabelecendo os elos tênues de representação política, redesenhando os mecanismos de participação política. Momento oportuno para oxigenar os partidos de quadros, que ainda tentam se apresentar como partidos de massa.

As crises postas possibilitam a revisão de conceitos, da sociedade que temos e da sociedade que queremos ter, do político que temos e do político que queremos ter, bem como, do cidadão que somos e do cidadão que podemos ser! A questão a saber é se estamos com a mente aberta para aprender a lição, sabendo que “não há nada tão bom que não tenha algo de ruim e nada tão ruim que não tenha algo de bom!”

O dito e o não dito!

18/05/2016 07:30

Estudar cotidianamente o comportamento da sociedade exige o conhecimento e o aprimoramento de técnicas com capacidade de compreender o que as “pessoas dizem”, dentro do politicamente correto e o que elas “gostariam de dizer”, o que realmente pensam.

 

A cada estudo os cientistas sociais do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião mesclam técnicas de investigação utilizando a epistemologia como ferramenta cotidiana na tarefa de compreender o que é “dito” e o que “não é dito!”

 

Pensando em um exemplo de investigação entre “o dito” e o “não dito” no que se refere a um tema polêmico, como maioridade penal verifica-se que há, no mínimo, três lógicas que fornecem elementos de argumentos para a posição “do dito”, da resposta dada pelo entrevistado em uma pesquisa:

 

a) a influência social = indivíduos que reproduzem o discurso dominante, seja absorvido através da mídia ou de sua rede de relações pessoais ou virtuais.

 

b) a experiência = indivíduos que passam ou vivenciam ou se relacionam com pessoas que passaram por situações de violência que envolvem menores de idade;

 

c) posição técnica ou ideológica = indivíduos que possuem conhecimento técnico ou posição ideológica sobre o tema avaliado.

 

            Cada um dos três grupos, em menor ou maior grau, externa primeiramente “o dito”, sua posição sobre um tema com base na lógica que sustenta a sua avaliação, o seu politicamente correto. Na sequência do debate, do processo de investigação, verifica-se que na maior parte dos casos há um “não dito”, ou seja, o que realmente o indivíduo pensa em relação ao tema e que tem como base as suas crenças, a sua cultura, os seus sentimentos, a sua educação familiar, incluindo a existência ou não de base religiosa.

 

Neste sentido é preciso que os fatos sejam compreensíveis para quem não os viveu. Na avaliação de uma situação ou na tomada de decisão, cada um vê as coisas através do seu próprio prisma, “pelo seu umbigo” ou pelos seus interesses pessoais. Cada um constrói a realidadepelas paixões, pelos desejos, pelos interesses. Neste caso, o resultado de uma decisão parcial gera uma decisão ou avaliação que não é necessariamente verdadeira! Por este motivo a posição da opinião pública varia conforme o tempo ou mudam conforme discursos convincentes e persuasivos.

 

Para buscar a estabilidade da opinião pública, entre o dito e o não dito é necessário compreender o papel de cada um no campo pessoal (indivíduo) e no campo impessoal (sociedade). A compreensão do papel do indivíduo no campo impessoal tende a fortalecer os sentimentos de igualdade, de respeito a maioria, o bem comum e fomentar a participação e a solidariedade, tão necessárias em momentos de crises.

 

Para que este exercício mental seja funcional e aplicável temos que nos perguntar sobre a família que temos e a que queremos ter? A escola que temos e a escola que queremos ter? O trabalho que temos e o trabalho que queremos ter? A igreja que temos e a igreja que queremos ter? A cidade que temos e a que queremos ter? E esta reflexão precisa ser sem preconceito, sem juízos de valor, desprovida de interesses pessoais e movida pelo bem comum. Após esta reflexão temos que ter claro o que dizemos e o que gostaríamos de dizer e se o que dizemos e o que gostaríamos de dizer visam o bem comum!

 

Verificando as possibilidades, as ações que podem ser feitas em busca de melhorias, em busca de consensos e construções coletivas, visando o diálogo, respeitando as diferenças culturais, religiosas, étnicas, ocorrerá o amadurecimento da sociedade, a diminuição dos conflitos e, por consequência, a vulnerabilidade da opinião pública.

Entre o ser e o parecer ser!

13/05/2016 10:00

A sociologia estuda a sociedade, seu significado tem origem no latim socius (associação, sociedade) e do grego logos (ciência, razão, estudo). A tarefa cotidiana de um instituto de pesquisa com base sociológica busca compreender que nem tudo que “parecer ser”, realmente o é!

Sentimos este dilema, essa necessidade de tentar compreender a diferença entre “o ser” e o “parecer ser” no nosso cotidiano, em cada relação estabelecida, seja no local de trabalho, no ônibus ou até mesmo no convívio familiar. Muitas vezes percebemos que o dito não corresponde com a realidade social ou com a realidade individual de quem nos fala. E a distância entre “o ser” e o “parecer ser” tem se ampliado constantemente desde a massificação das redes sociais, tornando cada vez mais as pessoas “escravas” do “parecer ser”. As relações sociais passam a ser estabelecidas e “medidas” pelas postagens nas redes sociais, criando uma divisão muito interessante entre a vida de um indivíduo no mundo real e no mundo virtual.

O que era difícil de entender, fica quase que incompreensível! E neste cenário que entra a sociologia buscando compreender os fenômenos de interação entre os indivíduos, como se constitui sua forma de relação interna nas estruturas (classes ou camadas sociais, redes sociais, valores e cultura, relação com as instituições sociais e até mesmo posição e cumprimento das normas e leis), os conflitos e as formas de poder e cooperação geradas em cada comunidade ou sociedade.

Exemplos práticos da investigação entre este dilema entre “o ser” e “o parecer ser” são facilmente identificados quando se estuda a opinião da sociedade sobre temas polêmicos (como a opinião sobre pena de morte e aborto, etc). Utilizando técnicas dedutivas, a investigação deste tipo de questão começa a partir de uma pergunta geral em que o indivíduo tende a responder a sua posição como “opinião pública” e que retrata, na maioria dos casos, o que o respondente “parecer ser”, indo até situações específicas de seu cotidiano, onde ele expõe o que realmente “ele é”, ou neste caso, pensa. Ou seja, pensando em um exemplo prático, a resposta inicial tende a ser favorável a pena de morte, com a justificativa devidamente assentada na situação da segurança pública e com exemplos de cases nacionais. As perguntas seguintes, colocando o indivíduo em uma relação de proximidade com o possível apenado (conhecido, vizinho, chegando até um filho ou irmão) faz com que o entrevistado mude a sua avaliação, demonstrando o que pensa sobre o tema quando o problema “bate a sua porta”, sua essência de pensamento e avaliação se mostra e os resultados de cada questão são totalmente distintos, demonstrando os ziguezagues que as pesquisas de opinião costumam fazer, conforme a metodologia utilizada.

Esses são exemplos do trabalho do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, que utiliza a ciência como ferramenta de sistematização da informação realizando pesquisas sobre os fenômenos que se repetem nas interações sociais. Os sociólogos observam os padrões comuns para formularem teorias sobre os fatos sociais com os métodos de estudo da sociologia que envolvem técnicas qualitativas (descrição detalhada de situações e comportamentos) e quantitativas (análise estatística que demonstra a generalização dos comportamentos). O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião estuda “o ser”.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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