O papel das redes sociais na eleição

29/06/2016 10:00

 

O “tempo da política” se aproxima com a contiguidade das campanhas eleitorais e os políticos e seus marqueteiros questionam:

 

“Qual o papel das redes sociais na eleição”?

 

“Os eleitores utilizam as redes sociais para se informar sobre política”?

 

O IPO – Instituto Pesquisa de Opinião tem monitorado a adesão dos gaúchos às redes sociais e a interação destes com a política, realizando os mais variados estudos e cruzamentos.

 

A priori, as principais constatações demonstram que:

 

- Em média, 60% dos gaúchos utilizam as redes sociais. Quanto mais urbanizada uma cidade, maior a utilização das redes, quanto menor a urbanização da cidade, menor a utilização das redes sociais, sendo que os menores índices oscilam em torno de 30%.

 

- Dentre os que utilizam as redes sociais, em torno de 10% costumam usar as redes sociais para se informar ou fazer política. Pensando no caso do RS, dentre os 60% dos gaúchos que utilizam as redes sociais, 10% procura se informar ou atua politicamente, o que representa 6% do Estado.

 

- Os entrevistados afirmam que não aceitam que políticos os marquem em publicação nas redes e desconsideram quando há publicações de políticos em que seus amigos são marcados. Para os eleitores, posts com marcação de muitas pessoas pode estar associado desde vírus até oportunismo político (sem a autorização).

 

- A expectativa dos eleitores do mundo virtual é a mesma do mundo real: buscar informações, trocar opiniões com o proposto de compreender ou se aproximar da “verdade” almejada: “o candidato que pode realmente melhorar a cidade e a vida das pessoas”. Os usuários vetam a troca de acusações ou ataques entre políticos e curtem as postagens que mostram a realidade, seguida de proposta concreta e objetiva de soluções para os problemas. A humanização dos candidatos ocorre com as fotos relativas a vida pessoal, seu cotidiano familiar e valores.

 

- As postagens sobre política que passam pela timeline dos eleitores devem seguir a lógica imposta pelo mundo virtual,que já possui um excesso de informação e é altamente visual. Neste contexto, os eleitores desejam textos pequenos e esperam que as informações sejam representadas em fotos, esquemas, infográficos e com links para os interessados em se aprofundar na temática. As fotos devem ter textos que expliquem o projeto, ideia ou pensamento do candidato.

 

Os candidatos e seus marqueteiros terão que projetar duas campanhas: uma para o mundo real e outra para o mundo virtual. Em ambos cenários, encontrarão um eleitor cético, descrente e altamente crítico. A decepção com a política amplia a criticidade dos eleitores e obriga os políticos a rever seus conceitos e plataformas de atuação.

 

 

 

 

DEL - Desenvolvimento Econômico Local: o case de Rolante

22/06/2016 15:00

O propósito de um projeto de Desenvolvimento Econômico Local (DEL) é de fomentar a capacidade econômica de uma determinada área para melhorar seu desenvolvimento e a qualidade de vida de todos. Este é um processo pelo qual os parceiros públicos, o setor empresarial e os não governamentais trabalham coletivamente para criar melhores condições ao crescimento econômico e geração de emprego.

 

O sucesso de um projeto de desenvolvimento econômico local depende da ampliação do capital social de uma comunidade, pois depende do protagonismo dos atores locais, na formulação de estratégias, na tomada de decisões econômicas e na sua implementação. Como proposto por Robert Putnam, capital social se caracteriza pelo conjunto de recursos sociais possuído por um grupo, através de redes de trabalho com as quais se constitui uma comunidade cívica, sentimento de solidariedade e igualdade com os demais membros da comunidade, normas de cooperação, reciprocidade, confiança e atitudes positivas, reveladas através da confiança no outro, no governo e no funcionamento das instituições.

 

A cidade de Rolante - RS está sendo uma das pioneiras desta ação no RS, e o DEL está sendo usado para fortalecer a capacidade local das comunidades, melhorar o ambiente para investimentos e aumentar a produtividade e a competitividade dos negócios locais, dos empreendedores e dos trabalhadores, com a seguinte configuração de matriz competitiva local:

 

a) Governo local (incluindo a junção dos três poderes);

 

b) Infraestrutura (utilização da estrutura do município para bem comum);

 

c) Entorno institucional (terceiro setor, ACIS, entidades...);

 

d) Recursos humanos e naturais;

 

e) Empresarial.

 

O DEL, é uma metodologia que nasceu na cidade de Essen na Alemanha, trazida para o Brasil em parceria com o Banco Mundial e objetiva a implementação de estratégias para o desenvolvimento econômico local que possam nortear o desenvolvimento de uma cidade a longo prazo.

 

Um dos principais desafios sociais deste tipo de projeto está nos dilemas da atual cultura política. Quando há baixo nível cívico, há maior insegurança, os cidadãos são mais desconfiados, as instituições se tornam frágeis e as leis são parcialmente obedecidas. Neste contexto, se faz necessário fortalecer os elementos identitários da população, ampliando os elos de solidariedade que tendem a fortalecer o sentimento de comunidade. Com aumento do sentimento de comunidade a maior parte da população de uma cidade responderia a uma política de cooperação com o objetivo de ampliar o desenvolvimento local, o bem comum de uma cidade.

 

            O capital social começa na vivência diária: na confiança, companheirismo, na simpatia, e no relacionamento social entre os indivíduos e famílias que compõem uma unidade social. A confiança entre as pessoas se amplia na confiança entre os indivíduos e, por consequência, entre negociadores.

 

            Com a confiança mútua, com sentimento de comunidade ativado se constitui o ambiente para projeção de uma meta comum, de um projeto futuro para a comunidade. Esta meta comum subsidia a premissa de um futuro compartilhado pelo grupo, fortalecendo a identidade coletiva que dialoga com os vários grupos que compõe um projeto como do DEL e que, a longo prazo, efetiva a colaboração entre os grupos.

 

O projeto DEL que está sendo desenvolvido na cidade de Rolante deve ser observado pelos agentes públicos e pelos formadores de opinião do RS como um projeto de empoderamento da sociedade em prol do bem comum e uma saída para a crise.

Eleições 2016: 5 lógicas do eleitor no desejo de mudança

14/06/2016 11:30

Partindo do pressuposto de que a intenção de voto é o sintoma de um comportamento, uma das primeiras tarefas de um candidato é analisar os indicadores de gestão e a tendência de continuidade ou mudança do eleitorado de uma cidade.

A priori, para um governante pedir continuidade, além de manter um patamar mínimo de 40% de avaliação positiva (ótimo e bom), precisa difundir as"marcas" do seu governo para que os eleitores “promotores” tenham argumentos de convencimento.

Na atual conjuntura a palavra "mudança" e a expectativa de mudança desejada pelos eleitores não está associada, necessariamente,à "troca de governante", massim com a"forma de gestão". O eleitor deseja a resolutividade dos serviços prestados, espera que os serviços sejam realizados com eficácia e eficiência.

As várias pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião demonstram que a maioria do eleitorado não está preocupada com "a troca de governante". A preocupação do eleitor está situada"com a forma de administrar" e no "cuidado com as questões básicas de uma cidade”.

Quando questionados sobre o significado da palavra“mudança”, fazem associações relacionadasà melhoria de serviços públicos tais como: (saúde, educação, segurança...). Para os eleitores, a forma ou maneira de administrar uma cidade significa “melhoria na gestão”, “agilidade”, “otimização”, “resultados”.... Ou seja, o eleitor deseja que os serviços públicos funcionem de uma forma mais efetiva, solucionando os problemas do dia-a-dia da forma mais ágil possível.

Via de regra, verifica-se que o raciocínio da maior parte do eleitorado aoavaliar o tema “mudança” segue a seguinte lógica:

1º) O eleitor pensa de forma objetiva em um serviço. Cita o serviço que na sua opinião precisa receber mais atenção (por exemplo, a saúde);

2º) Na sequênciaavalia que além de o “governante” priorizar o serviço, precisa repensar a forma de “fazer”, "como o serviço funciona" e "como deveria funcionar";

3º) Durante esta reflexão, o eleitor remonta alguns insights da eleição anterior e das propostas que estavam em suas lembranças ou que foram divididas em sua rede de relações. Em muitos casos, o eleitor chega à conclusão de que “talvez” seja melhor “trocar” o governante.

4º) Passa a analisar as alternativas dispostas no cenário eleitoral, as alternativas de candidaturas.

5º) Sabendo "o que quer mudar", o eleitor procura o candidato que tenha as características e o comprometimento com a necessidade ou meta dele, eleitor.

É neste contexto de reflexão do eleitor em prol de uma "mudança" que prime por "cuidar da manutenção básica dos serviços públicos" que se deve analisar a tendência da decisão de voto do eleitorado nas eleições de 2016.

A vida nasce para lei ou a lei nasce para vida?

08/06/2016 14:00

As perguntas devem balizar as reflexões sobre a “sociedade que temos” e a “sociedade que queremos ter”. E realizar perguntas é a tarefa primordial de uma empresa de pesquisa, como o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião.

Entretanto, comumente os entrevistados passam a realizar perguntas para os entrevistadores durante uma entrevista, em especial, quando a pesquisa trata de questões relativas a implementação de uma nova lei ou regra.

Quando uma nova lei é colocada em vigor a primeira dúvida da população,que tem conhecimento sobre a mesma, é quanto a sua legitimidade, “se será uma lei que irá pegar”, se será uma “lei que será cumprida”.

As leis sugiram para proteger e organizar a sociedade e o Estado e, devem visar o bem comum. No Estado Democrático de Direito as leis existem para garantir que a democracia e os direitos de todos sejam respeitados, sendo que ao obedecer às leis contribuímos para um mundo mais justo para todos.

E como pode ocorrer proteção e organização se a maior parte das leis é de desconhecimento público? Ou pior,se uma lei é de conhecimento público mas “não pega”/ não é cumprida?

Quando uma lei “não pega”, trata-se de uma lei que não possui legitimidade, importância social perante a comunidade. A “lei que não pega” é resultado de um distanciamento entre o ordenamento jurídico e a realidade factual, uma lei criada em um gabinete, “de quem olha o mundo pela janela”!

Quando uma lei ou regra é ilegítima do ponto de vista social e a mesma passa a ser exigida com base na coerção ou coação social alimenta uma percepção de que a “vida nasce para lei”. Ou seja, de que a lei é um imperativo social de dominação, em especial, para os que não possuem uma rede de relação favorecida pelo “jeitinho”, fortalecendo a ideia do senso comum de que “para os amigos tudo, para os inimigos os rigores da lei”.

Agora, quando a sociedade reconhece a importância de uma lei, quando a população se sente partícipe do processo, e é agente constitutivo do debate, há leitura de que “a lei nasce para a vida”, que a lei está a serviço da vida e é vital para a vida em sociedade.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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