Quem “bate” sem consciência esquece, quem “apanha” conscientemente não esquece!

27/07/2016 14:00

Vivemos em um cotidiano de muita informação e de baixa resolução. Muitas marcas estão mais preocupadas em “vender” a sua imagem do que em atender uma demanda, uma expectativa.

 

Quando um consumidor desenvolve uma expectativa, um desejo em função da aderência de um anúncio publicitário está construindo um sonho, uma meta em seu conjunto de valores. Esta meta, este sonho passa a ser compartilhado em sua rede de relações e passa a fazer parte das projeções, das ações deste consumidor.

 

Nos estudos etnográficos, realizados pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, que investigam o processo de consumo motivado por anúncios publicitários, há sempre uma parcela de consumidores que externam a sua frustração com uma determinada marca/ produto em relação a oferta e a entrega.

 

A decepção com uma marca ou produto que nasce pós adesão de um anúncio publicitário coloca o consumidor, automaticamente, na categoria de detrator da marca, “ele tem um motivo para reclamar e uma missão protecionista: não deixar que outros passem pelo que ele passou”, criando um certo neologismo: “quem apanha de uma marca não esquece”.

 

A posição de detrator é resultado de uma frustração motivada por uma decepção que sempre tem um case prático, uma disfuncionalidade, um resultado negativo.

 

Em muitos casos este consumidor que “acreditou” nos atributos ou qualidades destacadas pela campanha, respondeu a uma oferta ou ação estratégica, não teve suporte da gestão da marca diante de problemas com o produto. Não obstante, os consumidores relatam situações de contato com SAC (Serviços de atendimento do consumidor) da marca em questão, sendo que estes possuem uma burocracia que os inibe.

 

Há muitos relatos que desenham pontualmente que quando a decepção vira denúncia no Procon ou ação judicial é porque o sonho virou um pesadelo. E o pior, é que existem marcas/ produtos que “bateram” e nem tem consciência disso pois não fazem a gestão de seus detratores com a simples premissa de que há muitos promotores!

Quantos influenciam e quantos são influenciáveis?

20/07/2016 07:00

Com a ampliação do relacionamento da população nas redes sociais, onde a opinião é instantânea e sem “réplica presencial” as pessoas se manifestam sobre “qualquer tema, o tempo todo”, externando sua posição, seu apoio, descontentamento ou até mesmo receio.

Para o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião será vital observar a reação social em um ano histórico, onde seconjugam diferentes fenômenos que irão afetar a população e pautar o noticiário, tais como:

a) Processo de impeachment;
b) Olimpíadas no Brasil;
c) Desdobramentos da Operação Lava Jato, sendo a maior operação anticorrupção de nossa história;
d) Crise econômica;
e) Eleições municipais.

O RS tem, em média, 1/3 de sua população que pode ser considerada como formadora de opinião pelo indicador: pessoas que declaram se interessar sobre política+ conversar sobre política.

Estes formadores de opinião concentram-se, principalmente, na população economicamente ativa, com idade entre 16 e 40 anos, curso superior e renda acima de 5 salários mínimos nacionais.

A tendência é que 33,3% dos gaúchos debatam os acontecimentos e tencionem a reflexão com sua rede de relação, para o bem ou para o mal. A pauta deve variar, relacionando os temas que estarão na agendado país com a tendência de continuidade ou mudança de cada município. Os formadores de opinião são agentes importantes que influenciam e “dão o passo” para a tendência das eleições em cada uma das cidades.

Analisando os formadores de opinião, dentre os 60% que estão nas redes sociais, verifica-se uma tendência de 20% dos gaúchos se manifestarem nas redes sociaissobre questões políticas e seus acontecimentos correlatos, com influência na intenção de voto de sua rede de contatos.

Registra-se que estes formadores de opinião não estão associados diretamente a um partido político, se mostram céticos e descrentes em relação a atual situação política do país. São formadores de opinião por se interessarem por política e gostarem de conversar com outas pessoas sobre o tema. São cidadãos ativos que estarão acionando as redes sociais e exigindo que os candidatos e partidos revisitem suas proposições.

O empoderamento crítico do cidadão consumidor!

13/07/2016 10:00

Está em curso uma mudança comportamentalda sociedade que pode ser denominada como o empoderamento crítico do cidadão consumidor. O marco desta mudança comportamental remonta as manifestações de junho de 2013! 

 

As manifestações de 2013 foram ativadasefetivamente pelas redes sociais, quando metade dos gaúchos já acessavam a internet. As redes sociais socializaram um conhecimento eatravés de váriasmetamensagens,as informações compartilhadas nas redes ressignificarame continuam a ressignificaro papel dos“agentesdecisores”, criando um novo “politicamente correto”: o direito de ser crítico.

 

Este novo “politicamente correto” está embasado na percepção de que a maioria da população está insatisfeita e parte do pressuposto que um cidadão consumidor tem “o direito e o meio para reclamar”. Esta percepção de “direito + meio” permite ao cidadão consumidor utilizar a sua timeline para reclamar,com a mesma intensidade, sejade um amigo, de um produto, de uma marca ouaté mesmo de um político ou de todos os políticos.

 

Este empoderamento crítico não está associado, necessariamente, a origem clássica do conceito de empoderamento social, que pressupõe uma aquisição de consciência coletiva. A consciência do empoderamento crítico se processa de forma individual, cada um se sente no direito de reclamar, de “colocar a boca no trombone” e este “direito de reclamar” não tem muitos limites, tendo em vista que neste mundo virtual não se tangibiliza instantaneamente o constrangimento social que ocorre nas relações pessoais do mundo real.Neste contexto, esta reclamação ou crítica inclusive pode estar baseada em informações falsas, que foram “jogadas” na rede com o propósito de macular uma imagem ou prejudicar uma pessoa.

 

Este cidadão consumidorempoderado de uma crítica, munido de uma percepção de que detém o “direito e o meio de manifestação” adquire uma nova característica: a exigência! Esta exigência está associada a busca de informação sobre o produto/ bem ou sobre o candidato que está sendo avaliado.Este cidadão consumidor tende a se tornar cada vez mais exigente, seja na escolha de um produto, de uma marca ou de sua decisão de voto e terá como aliado “o mundo na palma de sua mão”, a informação!

O eleitor não sabe votar ou o partido não sabe escolher?

06/07/2016 14:00

O processo eleitoral se avizinha e logo os partidos políticos terão que lançar os seus candidatos a prefeito e a vice-prefeito. Esta escolha geralmente ocorre em função das forças políticas que se constituem em um diretório partidário: ganha o direito de ser candidato o pré-candidato que tem mais capacidade de angariar apoio dentro de seu partido.
Muitos partidos apresentam seus candidatos e após uma derrota eleitoral afirmam: o eleitor não sabe votar! O eleitor analisa as opções do cenário eleitoral e diz: os partidos não sabem escolher seus candidatos! Um ciclo vicioso que poderia ser quebrado se os partidos observassem as demandas e os anseios dos eleitores, em especial, em um cenário de terrificante instabilidade política.

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião mapeou os principais atributos que os eleitores esperam de um candidato a Prefeito ou a vice-Prefeito.

- Ficha limpa (não estar sendo processado pela justiça eleitoral/ não pode ter o risco de ser considerado ficha suja). Com a era “lava Jato” este é principal indicador de um bom candidato.

- Ter caráter/ ser integro/ honesto = O eleitor deseja um candidato Ficha Limpa do ponto de vista legal e integro do ponto de vista moral. O candidato precisa ser reconhecido pela comunidade e por seus pares como uma pessoa de palavra, que cumpre o prometido. Vivemos um momento em que a moralidade pública é um elemento sinequa non para a sociedade (Ficha limpa + integridade/ honestidade). O eleitor simplifica o princípio: “se não posso confiar como pessoa, não posso confiar como político”.

- Experiência como gestor = Experiência administrativa/política mínima, com capacidade de gerir projetos, pessoas. Esta característica é avaliada pelo eleitor tanto do ponto de vista de experiência como de formação. O currículo do candidato e sua trajetória são de suma importância para atestar condição mínima de gerir as demandas sociais.

- Capacidade de negociação/ saber ouvir as pessoas = Em um momento de instabilidade política, os eleitores desejam um representante que tenha a capacidade de mediação política, de "ouvir as pessoas", discernimento e sensibilidade para compreender as demandas e buscar uma solução com menor percentual de conflito possível. Os eleitores rejeitam os candidatos arrogantes, que se "sentem donos da verdade" e que não tenham a capacidade de negociar. O princípio de decisão do eleitor é simples e está associado a origem da democracia representativa: quem representa precisa ter a capacidade de apresentar a melhor saída para as partes envolvidas, devendo sempre primar pelo interesse público em detrimento do interesse pessoal.

- Ação pelo bem-comum. = Ter tido mandato, ter vivenciado ou sido gestor de um projeto social, trabalhado em prol de uma comunidade, “ter colocado a mão na massa sem esperar nada em troca”. A decepção dos eleitores com a política e os políticos amplia o anseio por um candidato que coloque em primeiro lugar a capacidade de governança. Na fórmula dos eleitores este conceito aglutina, de certa forma, a maior parte dos atributos anteriores: pessoa íntegra + com experiência + com capacidade de medicação +ação efetiva de projeção ou execução de projetos sociais = político que se deseja, que irá entender e representar a sociedade.

A premissa dos eleitores desenvolve uma fórmula básica, tão básica que remonta os princípios mais elementares da representação política.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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