A sensação de insegurança do gaúcho

30/08/2016 17:30

O tema da insegurança é uma preocupação crescente no Estado do RS e, em especial, entre os porto-alegrenses.

As pesquisas quantitativas e qualitativas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião monitoram a ampliação do sentimento de insegurança do gaúcho, sendo que a segurança pública atinge um patamar de 80% da preocupação da sociedade. Os gaúchos continuam reclamando dos problemas tradicionais como saúde, infraestrutura e educação, mas a segurança passou a ocupar o ranking dos medos e receios. O medo e o receio da sociedade potencializam o tema, gerando problemas de ordem psicológica e de saúde pública. A sensação de insegurança é resultado da omissão do Estado.

A legitimidade do Estado se configura pelo aparato da força física. Em sua essência, o Estado é constituído pela composição dos três poderes; Executivo, Legislativo e Judiciário. A população quando reclama do tema da segurança, indiretamente, “responsabiliza cada um dos poderes constituídos”, sob a seguinte ótica: o Executivo não executa, o Legislativo não faz leis adequadas e o Judiciário é moroso e conivente com um ordenamento jurídico distante da realidade.

Menos da metade dos gaúchos confia no aparato repressivo (45%). Do ponto de vista prático, pode ser compreender, pelas pesquisas qualitativas, a leitura que a população tem do sistema:

- Há um baixo número de policiais nas ruas, em especial, da Brigada Militar. Sendo este um tema vital para população.
- Se cristaliza a premissa de que há uma morosidade no atendimento. A população argumenta que não é atendida quando necessita ou que não há retorno das investigações, relatando um descaso com o cidadão. Tal percepção amplia a desconfiança com o aparato repressivo e muitas pessoas nem registram as ocorrências, “pois acreditam que não dá em nada”, limitando a validade das estatísticas policiais.
-  A estrutura da polícia é parca, “que chega ao ponto de responder para o usuário que não tem veículo para atender uma ocorrência”;
- Há falta de apoio institucional aos policiais, que estão “amordaçados” em uma burocracia legal, “os policiais chegam em uma comunidade e não podem fazer nada pois não tem flagrante, não há provas e assim por diante”;
- Há dúvida se a lei é feita para proteger vidas ou para “aprisionar os homens de bem” que estão a mercê dos bandidos armados. A população afirma que “enquanto os bandidos ficam soltos a população se fecha atrás das grades”. A pessoas acreditam que quem “faz as leis não tem coragem de morar nas vilas ou não sabe como é a rotina de um policial”. Para os entrevistados os deputados e juízes deveriam se colocar na “pele do cidadão”, viver a rotina das ruas antes de fazer ou julgar as leis;
- O sistema de inteligência da polícia não atua no “desbaratamento” das quadrilhas que comercializam desde celulares até peças de carros roubados, “a cada esquina se vê os receptadores do crime comercializando seus produtos e ninguém faz nada”;
- Existe a percepção de que há condescendência da justiça com a injustiça ou no mínimo uma morosidade que favorece os criminosos, e em especial, com os menores infratores. A maior parte da população acredita que “a polícia prende num dia e a justiça solta no outro”;

O resultado desta percepção atinge a credibilidade e a legitimidade do Estado, constituído em seus três poderes. O temor da população neste momento está associado aos dilemas básicos que remontam as conquistas básicas Estado de Direito (direito a vida, a liberdade e a propriedade).

Enquanto muitos apregoam os avanços do Estado Democrático de Direito, a população busca estratégias de sobrevivência, temendo um retrocesso, que por sensibilidade social, oscila em um sentimento de Estado de Direito e de Feudalismo (ausência de um Estado). A população se sente cada vez mais desconfiada e abandonada, não sabe como fazer valer seus direitos e teme os “senhores feudais ligados ao tráfico” que tem o “direito de vida e de morte” sobre a população, enquanto os reis e nobres dos três poderes estão encastelados.

Uma campanha eleitoral em multitelas

23/08/2016 19:10

A campanha eleitoral no rádio e na TV começa neste dia 26 de agosto. Será uma eleição diferente. Seja pela descrença do eleitor em relação à política e aos políticos na era da Operação Lava Jato, seja pelo empoderamento dos eleitores a partir das redes sociais.

Pesquisas realizadas pelo IPO, em cidades de diferentes portes do RS, indicam que esta será uma campanha de multitelas: o eleitor estará assistindo ao programa eleitoral e comentando no smartphone, para o bem ou para o mal dos candidatos.
O início das campanhas será marcado pela “tendência de um terço”:

1) Um terço dos eleitores afirmam que assistirão ao horário eleitoral gratuito na TV ou no rádio. Esta tendência varia de cidade para cidade. A TV será predominante, sendo substituída pelo rádio somente em cidades que não haja programa eleitoral pela TV. Em ambos veículos de comunicação, a tendência é de que o público seja composto por pessoas com maior faixa etária, acima de 35 anos e expoentes das classes C, D e E, em especial, de famílias com renda de 1 a 2 salários mínimos.

2) Em cidades de médio e grande porte 60% dos eleitores estão conectados às redes sociais. Em cidades de pequeno porte, este percentual chega a 30%. Dentro destes percentuais de utilização, inicialmente um terço dos eleitores declaram que acompanharão o pleito através das plataformas digitais. Em especial, a população com idade inferior a 35 anos e com renda familiar acima de 3 salários mínimos.

Com o andar da campanha, a mobilização dos candidatos e pela necessidade de escolher “o menos pior dos candidatos” os eleitores se integrarão nas multitelas. Ou seja, quando o eleitor se integrar ao “tempo da política”, assistirá um programa de TV ou escutará o programa de rádio tendendo a responder apelos interativos dos candidatos a fim de se manifestar nas redes sociais. Como a ação será para o bem ou para o mal, se o eleitor perceber algo que o desagrade ou não seja verdadeiro poderá, instantaneamente, repreender um programa ou comercial, registrando a sua indignação nas redes sociais. O eleitor terá a grande tela na frente e a pequena tela na mão.
Se a grande tela não for verdadeira, a pequena tela mostrará como o eleitor critico deste pleito estará atento. Quem desconsiderar a força da pequena tela, verá o resultado de uma tela menor ainda, a da urna eletrônica.

Na política nossas “façanhas” não são mais modelo

16/08/2016 13:30

Há uma década atrás a opinião dos eleitores do RS se dividia em duas lógicas de comportamento:

a) os que avaliavam que os políticos do Estado eram referência em integridade e se destacavam em relação aos políticos nacionais;
b) e os que acreditavam que a integridade dos políticos gaúchos era semelhante à dos políticos nacionais.

Em pesquisas atuais realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião verifica-se que mais de 80% dos eleitores gaúchos declaram que acompanham o noticiário sobre a operação Lava Jato.

Para os eleitores, o escândalo de corrupção que baseia a operação Lava Jato “parece não ter fim”. Temem em fazer analogia com o que daria para fazer com o montante da corrupção em termos de investimentos na área da saúde, educação e infraestrutura, “pensar no que poderia ser feito com as cifras desviadas é inimaginável!” Para os eleitores é como se a população brasileira passasse por dificuldades pelo saque dos políticos corruptos.

Cada nova fase da operação amplia o desencanto com os políticos, que são descritos pelos eleitores como usurpadores da estrutura pública, atuando em prol do seu interesse pessoal. Os eleitores avaliam que os políticos são todos iguais e se preocupam apenas com seus interesses e “gostam de tirar vantagem em tudo”.

Essa nova leitura social sobre os políticos faz com que os gaúchos avaliem que “são todos iguais” e quando se inquere um entrevistado a comparar o político gaúcho com o político nacional, tem-se o seguinte resultado:

-    Melhor que os políticos nacionais = 18%
-    Igual aos políticos nacionais = 66%
-    Piores do que os políticos nacionais = 16%

De uma forma geral, mais de 80% dos entrevistados consideram os políticos do Estado como iguais e/ou piores aos políticos nacionais, acabando com a áurea que permeava o imaginário coletivo em torno dos políticos do RS.
Essa percepção não está associada a leitura de que os políticos do RS são, necessariamente, corruptos! Não é isso, a avaliação ainda está no campo da interrogação, da dúvida!

Há percepção de que os políticos são lenientes com seus pares! Há dúvida se esta condescendência é resultado de participação no esquema ou incapacidade de enfrentamento, “parece que os políticos gaúchos não têm poder ou influência”. O eleitor está desencantado e cheio de dúvidas e os políticos gaúchos precisam reencontrar sua credibilidade perante o eleitorado, mostrando que o refrão do hino rio-grandense tem seu valor e pode ser recontextualizado.

4 passos da jornada de compra

03/08/2016 10:00

Cada vez mais os estudos qualitativos realizados pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião utilizam-se de ferramentas e novas tecnologias para subsidiar o processo de investigação, incluindo técnicas de design thinking. Esta técnica começa pela exploração, com a identificação de um problema para obter um entendimento claro da situação, a partir da perspectiva dos consumidores ou usuários de um serviço, o que permite compreender os passos-a-passos da jornada de compra do consumidor, em especial, na era on-line.

Desejando o produto = o primeiro passo para jornada de compra diz respeito a motivação, ao desejo em relação a um produto ou bem, que cria a sensação de necessidade. O consumidor precisa ter sido influenciado por outro consumidor ou pelas campanhas publicitárias que ocorrem no off-line.

Pesquisando sobre o produto = Após ter sido “picado pela mosca azul do consumo” os consumidores utilizam o on-line para pesquisar sobre o produto, compreender informações sobre seu descritivo, similares, experiências de outros consumidores, canais de comercialização e valores. Neste contexto o consumidor ativa o comportamento de pesquisa omnichanel, podendo comprar em diversos canais, cruzando compras em ambiente físico ou virtual.

Descobrindo a pronta entrega do produto = Se a necessidade de consumo do bem ou serviço estiver aliada a um desejo, o consumidor não irá esperar por uma entrega futura, vai decidir a compra pelo canal de comercialização que tiver a pronta entrega. Inclusive, as pessoas com maior faixa etária tendem a evitar a compra on-line temendo a forma e o tempo de entrega. Neste sentido, a loja física possui vantagem em relação ao mundo virtual, desde que tenha vendedores capacitados a oferecer um pronto atendimento ao consumidor, auxiliando no planejamento da logística de entrega.

Efetivando a compra = Após ter a necessidade ativada e encontrar o local para realização de compra os consumidores relatam a importância das formas de pagamento para efetivação de compra. Alguns consumidores almejam pela ampliação do prazo de pagamento, mesmo sob pena de juros.

A jornada de consumo pode ser entendida por um processo que envolve a divulgação do off-line, em especial, a televisão, seguida pelo relacionamento do consumidor com o produto no on-line. E assim segue as novas tendências de consumo, com o consumidor se relacionando com as marcas entre as multitelas e a loja física, e dependendo do tradicional “bom atendimento” e da negociação, com prazo de pagamento.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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