Se não gostamos de política, como podemos mudá-la?

14/08/2018 07:59

Os políticos eleitos são os responsáveis por ações e decisões do cotidiano da política brasileira, como desenvolver políticas públicas, programas de governo e elaborar ou mudar leis que impactam na nossa vida.

Na prática, é a política que decide se haverá subsídio para os combustíveis, se haverá financiamentos para casa própria, se seremos obrigados a comprar um kit de primeiros socorros para o nosso carro, quando iremos nos aposentar, se as mulheres terão direito ao aborto ou se haverá pena de morte no Brasil.

Os políticos eleitos decidem a política e a política nos diz o que podemos ou não fazer! O que é certo e o que é errado, o que é crime e o que não é. Inclusive, são os políticos que definem as leis que “não pegam”, que não são cumpridas por estarem distantes da realidade social, da vida cotidiana. Um exemplo de “lei que não pega” é a lei da pirataria: vender produtos falsificados é crime, mas esses produtos continuam sendo comercializados nas ruas principais de cada cidade.

Se a política é vital para nossa organização social a grande pergunta é como a sociedade se relaciona com a política?

Quando questionado sobre o hábito de conversar sobre política, o gaúcho se divide: metade não tem o hábito de conversar sobre política e a outra metade conversa, mesmo que de vez em quando.

E quando se trata de política, governo, partidos e eleições 2/3 dos gaúchos não têm interesse sobre o tema. Sendo que 1/3 dos gaúchos se consideram descrentes (não acreditam na política e nos políticos e tendem a votar branco, nulo ou se abster nas próximas eleições).

Aqueles que fazem as duas coisas: tem interesse por política e o hábito de conversar sobre política são caracterizados como formadores de opinião, que representam apenas 10% do Estado. Entre o perfil deste grupo se destacam os homens, e as pessoas com mais escolaridade e renda. Quando maior o acesso a informação, maior o interesse por política.

Os formadores de opinião têm opinião sobre a política que querem e a que não querem, tem crença, ideologia e princípios. É um grupo que reflete, debate, critica e influencia as pessoas que os cercam.

Mas quem decide o processo eleitoral não debate sobre o assunto, não se envolve com o tema e nem gosta de falar sobre política. Mais da metade dos gaúchos se declaram sem ideologia (tanto faz se um partido é de direita ou de esquerda), acreditam na pessoa do candidato, observam o seu discurso e se este discurso está alinhado a sua demanda momentânea. Para este eleitor não há problema em votar em um candidato do PSDB para presidência e em um candidato do PT para governador.

A atual conjuntura de distanciamento e descrença com a política está associada a história política do Brasil: a forma como a participação política foi ou não foi instituída e o papel da educação ou vice-versa (pois um influencia o outro).

A política precisa estar presente nas primeiras instituições sociais: como família e escola, e a sociedade precisa ter claro o seu papel neste processo. Mas não se cria um hábito sem um gatilho e uma rotina. O gatilho se dá pelo entendimento, pela compreensão de que a política é transformadora se formos partícipes deste processo. E o hábito se dá a partir da participação, do envolvimento em torno do bem comum, da causa coletiva.

O ser humano é caracterizado por sua capacidade de pensar e intervir na realidade que o circunda. Política é crença e crença forma valores.

A expectativa do eleitor para 2018

08/08/2018 16:49

A principal pergunta deste momento é qual o desejo do eleitor? Perguntar o desejo do eleitor não é uma tarefa fácil para um instituto de pesquisa, pois o eleitor tem dificuldade de dizer suas expectativas.

O sentimento do eleitor em relação aos políticos se assemelha ao sentimento de mágoa de uma pessoa traída e enganada. Muitos eleitores estão decepcionados, outros frustrados e alguns estão rancorosos.

Com a premissa de que “a esperança é a última que morre”, uma parcela dos eleitores tenta renovar as esperanças. Enquanto que outra parcela se divide entre eleitores descrentes e racionais, que se mostram pragmáticos com a realidade em que vivem.

Neste contexto, durante uma pesquisa o eleitor primeiro precisa desabafar, criticar, reclamar e depois disso é que ele consegue projetar seus desejos, suas expectativas. A primeira coisa que o eleitor almeja é por uma mudança no comportamento dos políticos ou na forma como o sistema político está organizado. Ele deseja que os políticos façam apenas a sua obrigação: representar o povo com honestidade.

O sentimento de traição está associado a percepção de que a maioria dos políticos atuam em causa própria e que a corrupção é uma consequência natural do poder. Para o eleitor quando um político é eleito passa a ter um cargo e estrutura e fica suscetível as intempéries da corrupção. O eleitor acredita que a maioria dos políticos acaba sucumbindo.

Diante deste contexto o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião questionou aos eleitores gaúchos se o resultado da eleição geral de outubro de 2018 vai fazer a vida melhorar?

- Vai fazer a vida melhorar = 24,9%

- Vai ficar a mesma coisa = 48,9%

- A vida vai piorar = 21,4%

- Não sabe avaliar = 4,8%.

O resultado demonstra que quase a metade dos eleitores não acredita que a eleição de 2018 trará melhoria para a vida das pessoas. E a outra metade se divide entre os que creem em melhoria e os que temem pela piora do cenário.

Quando o eleitor pensa no Brasil, sua maior preocupação é com o combate a corrupção. Na leitura da população, o controle da corrupção tende a diminuir a maior parte das mazelas sociais. É como se a corrupção fosse percebida como um mal que diminui a capacidade do Estado e paralisa os governantes.

Os eleitores fazem ilações de toda ordem. Associam a corrupção da Petrobrás como um dos motivadores da crise econômica. Concluem que crise fomenta o aumento do custo de vida (da energia, dos combustíveis) e, por consequência, afeta a capacidade de compra da população que por sua vez, propicia o aumento do desemprego. Com mais dificuldades econômicas, aumenta a injustiça social e há mais famílias e jovens vulneráveis a influência e o domínio do crime organizado. O crime organizado se fortalece e aumenta a sensação de insegurança da sociedade.

Por isso que o eleitor afirma que as principais prioridades para o próximo Presidente devem ser: o combate a corrupção, a economia e a segurança. Mas isso não diminui a relevância de temas como saúde, educação e infraestrutura.

É importante destacar que o eleitor não esquece de registrar que, por essência, a educação deveria ser a pauta principal de um governante. A educação tem o poder de transformar o sistema de crença das pessoas a partir da inserção de novas visões de mundo. E a sociedade necessita ter consciência e rever o papel que o jeitinho brasileiro ocupa no cotidiano. E como ele está impregnado nas relações sociais e serve como uma escada para a corrupção.

O eleitor irá zapear os candidatos

31/07/2018 11:41

No dia 16 de agosto começa a campanha eleitoral e, no dia 31 de agosto, o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. Além disso, os candidatos poderão fazer campanha eleitoral nas redes sociais e impulsionar suas publicações, aparecendo, a qualquer tempo, na timeline dos eleitores.

Nestas eleições gerais o eleitor terá que destinar voto a seis candidatos: presidente, governador, dois senadores, deputado federal e estadual. Uma ingrata tarefa para os eleitores que oscilam entre a esperança e a frustração.

Com o crescimento da internet e com a maioria dos gaúchos conectados as redes sociais (86%), o principal questionamento é sobre qual meio o eleitor utilizará para se informar sobre o processo eleitoral e, principalmente, o peso das redes sociais nas eleições do Brasil.

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião tem realizado estudos quantitativos e qualitativos no RS a fim de compreender a percepção e a tendência dos eleitores.

Questionados especificamente sobre a inclinação de assistir ao horário eleitoral gratuito, a maioria dos eleitores (57,4%) declara que assistirá ao horário na televisão. Ao serem interpelados sobre a utilização das redes sociais para se informar sobre as eleições, 40,3% dos eleitores afirmam que utilizarão as redes para buscar informações sobre os candidatos.

É importante registrar que um meio não substitui o outro. Para a maioria dos eleitores, cada meio de comunicação tem um papel: TV é o espaço do conhecimento dos candidatos e da credibilidade e as redes sociais são o espaço para pesquisa e relacionamento com os candidatos.

A televisão é vista como o local de apresentação dos candidatos, onde o eleitor poderá analisar a todos de forma comparativa. O tempo de TV confere um poder simbólico aos candidatos. Para o eleitor, quanto maior é o tempo de TV de um aspirante a um cargo, maior é a sua capacidade de articulação e representação política. Em época de fake news, a campanha eleitoral na televisão será um espaço importante para que o eleitor escolha a sua base de candidatos para pesquisa no Google. E, segundo os eleitores, os candidatos “ficha limpa” não terão receio de indicar a pesquisa de seu nome na internet.

A partir da credibilidade da televisão estes eleitores utilizarão as redes sociais para pesquisar sobre a vida dos candidatos, ver as informações nos portais de transparência, checar denúncias, analisar projetos ou, até mesmo, entrar em contato a fim de analisar sua capacidade de retorno.

Em comparação com a eleição de 2014, a campanha eleitoral de 2018 continuará sendo realizada de forma presencial, mas também se fará muito presente nas redes sociais.

O tradicional “santinho de cola” continuará sendo entregue, mas será acompanhado de uma versão digital que rodará pelo WhatsApp dos grupos, fazendo com que muitos eleitores consultem o seu smartphone quase em frente da urna.

Enquanto que a metade dos eleitores irá zapear os candidatos, utilizando os vários meios, 1/3 dos eleitores não querem saber de eleição e, declaradamente, se apresentam como eleitores descrentes que tendem a se alienar (votar branco, nulo ou se abster).

Muita coisa continuará igual nesta eleição! Não faltará o eleitor de última hora, que não vai assistir ao horário eleitoral, não vai acompanhar os candidatos nas redes sociais e que vai pedir indicação aos amigos e familiares. E como já é conhecido, também terá o eleitor que espera a troca de favores, pensando somente em seu próprio benefício.

Como você se comporta no supermercado?

24/07/2018 11:45

Fazer compras no supermercado é uma jornada comum à maioria da população. Mas o que parece ser tão igual, necessariamente, não o é!

Cada decisor de compra tem um tipo de comportamento quando vai ao supermercado e este comportamento não está associado apenas ao orçamento, a capacidade econômica de cada família. Além da questão financeira há diferenças relacionadas as características, a cultura alimentar e a rotina de compromissos de cada decisor.

Há pelo menos sete tipos de consumidores:

O consumidor prático = É o consumidor que não tem muito tempo e precisa otimizar suas compras. Procura o supermercado em que possa realizar a compra com agilidade. Este consumidor leva em consideração o espaço entre as gôndolas, a sinalização dos corredores, a manutenção dos produtos em seus locais de costume e até mesmo a agilidade das filas.

O consumidor racional = É aquele que faz a lista de compra em casa e compra o que está na lista, o que realmente precisa. Este consumidor escolhe o supermercado que tenha o mix mais variado de opções, com preço justo e localização próxima.

O consumidor pechincheiro = É o típico consumidor de folhetos e promoções. Pega os encartes de supermercado e compara produtos X preços. Este consumidor pode mesclar suas compras em diferentes locais e calcula a economia de cada compra. A comparação de preços é realizada pelos que tem poucos recursos, mas também pelos que não gostam de “jogar dinheiro fora”.

O consumidor desligado = É aquele que sabe que há várias coisas faltando em sua casa, mas como não planejou as compras acaba levando produtos que não precisava e deixando de levar o que precisava.

O consumidor de vizinhança = É aquele consumidor que reside perto de um supermercado e acaba realizando compras muito frequentes, pegando o que precisa para o dia. Este consumidor estabelece uma relação de amizade com os funcionários e a ida ao supermercado se torna parte do lazer cotidiano. Trata-se de um consumidor que tem uma agenda mais tranquila, sem uma rotina de trabalho.

O consumidor consciente = Este consumidor tem uma visão holística sobre a compra. Avalia desde o posicionamento do supermercado em termos de política de gestão de pessoas até as principais marcas de produtos comercializadas. É o consumidor valoriza marcas com responsabilidade social e, especialmente, produtos locais.

O consumidor regrado = É aquele decisor de compra que prioriza uma alimentação saudável para sua família ou tem familiares com restrição alimentar (como alergia a lactose ou glúten). Para este consumidor é importante que o supermercado tenha um mix variado de produtos naturais, orgânicos e alternativos.

O volume de compra de cada tipo de consumidor está diretamente associado ao preparo do alimento. Quanto maior for a prática de preparar os alimentos em casa, maior será o consumo de produtos de supermercado. Famílias que almoçam fora ou se alimentam com lanches rápidos mantém um ticket médio de compra menor do que as que preparam em casa.

O consumo de produtos de limpeza varia de acordo com o tamanho do imóvel, composição familiar e a frequência de limpeza (que está associada ao hábito, a cultura de cada família). Neste debate, a estabilidade maior é dos produtos de higiene e beleza. Neste caso, o consumo varia mais pelo poder aquisitivo. Quanto maior a renda familiar, maior o acesso a produtos de higiene e beleza.

Cada consumidor tem um estilo, você já pensou no seu?

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

Outros Blogs

Voltar Topo