Quando a insegurança predomina, a segurança é a prioridade!

25/10/2016 17:40

Hoje 80% dos gaúchos consideram a segurança como a prioridade, índice que se mantém em Porto Alegre e nas cidades da região metropolitana. Das menores as maiores cidades, a segurança é o novo dilema da sociedade. Os gaúchos continuam reclamando dos problemas tradicionais como saúde, infraestrutura e educação, mas a segurança passou a ocupar o ranking dos medos e receios de forma permanente.


A cada novo noticiário de violência, a cada nova tragédia, o medo e o receio da sociedade potencializam o tema, gerando problemas de ordem psicológica, de saúde pública e outras tantas mazelas. Por associação as tragédias cotidianas que não escolhem local, o temor se estabelece quando se para em uma sinaleira, quando se busca um filho na escola ou até mesmo no estacionamento de um supermercado.

Para a população é como se os seus direitos básicos estivessem sendo limitados, como: a) direito a vida, b) direito de ir e vir e c) direito a propriedade.
Quanto maior é a aculturação desta sensação de insegurança, maior será a mudança comportamental a ser observada na sociedade. Essa mudança pode ser percebida, antropologicamente, em várias situações:

- Auto toque de recolher: as pessoas passam limitar os horários de circulação, especialmente à noite. Os pais motivam os filhos a navegar na internet ou trazer a namorada para dormir em sua casa, diminuindo os riscos de exposição dos filhos a situações perigosas.

- Limitação de um perímetro: quanto maior é o conhecimento do ambiente, maior é a sensação de segurança da população, logo, as pessoas procuram circular nas ruas e bairros que possuem familiaridade, tentando manter a sensação de segurança a partir da relação com o ambiente.

- Diminuição dos adornos: Com a sensação de insegurança ampliada as pessoas com receio passam a evitar a exposição de joias, relógios, roupas de marcas e aparelhos eletrônicos quando transitam nas ruas.

- Segurando o inseguro: Como o direito à propriedade está sendo questionado, quando um assaltante com uma arma impõe a regra da “perda” consentida, a alternativa de manutenção da propriedade privada passa a ser a realização de seguros. Antes de pensar em comprar um carro, o cidadão pensa no seguro do carro.

Diante da omissão do Estado, a população passa a desenvolver novas práticas de sobrevivência, buscando alternativas para driblar os riscos da “selva de pedra” dos centros urbanos. Cada um destes comportamentos influenciam o ordenamento da sociedade, causando mazelas que perpassam as relações sociais que se estabelecem em casa, na rua e na escola. Quanto maior o medo, maior é o individualismo e menor será o sentimento de solidariedade.

A crise que começa na política, perpassa a economia e atinge toda a sociedade

17/10/2016 16:00

A crise que começa na política, perpassa a economia e atinge toda a sociedade

 

 

 

O resultado das eleições 2016 mostraram altos índices de alienação eleitoral (votos brancos, nulos e abstenções), resultante da crescente descrença da população em relação aos partidos e aos políticos. Indicadores monitorados pelos cientistas do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião identificaram que a população tem mais confiança nos empresários gaúchos (38%), do que nos três poderes governamentais constituídos (executivo, legislativo e judiciário estadual).

 

Cabe salientar que esta descrença e este ceticismo é permissivo à sociedade e tem atingido todas as instituições sociais, incluindo o mercado consumidor. Quanto menor a crença nas instituições, menor a confiança na organização social constituída e maior é o nível de individualismo.

 

Esse individualismo dificulta e diminui o sentimento de solidariedade e a capacidade de integração, tendo como consequência, a limitação do desenvolvimento social, intelectual e econômico. É, por essência, um individualismo pragmático.

Nas entidades de classe, sindicados e associações o pragmatismo individualista limita a renovação das lideranças e a defesa de bandeiras tornando-se uma barreira para o alcance de novos propósitos.

 

Na educação, é notória a dificuldade dos professores em trabalhar com a indisciplina dos alunos. Jovens munidos da tecnologia, com a conivência dos pais, partem do pressuposto que estão no mundo para serem servidos e que o conhecimento está disponível para os nativos digitais.

 

No mundo do trabalho, o individualismo ultrapassa a relação entre patrões e empregados, potencializando uma disputa natural entre os profissionais comprometidos e os displicentes.

 

Assim como o eleitor, o consumidor quer uma relação de mais transparência, uma busca por qualidade e preço justo. O consumo e a relação com as marcas também são atingidos por este pragmatismo. O consumidor cada vez mais desconfiado, quer o melhor custo X benefício.

 

Os dilemas da família podem ser medidos por diferentes métricas, em especial, as que perpassam o aumento dos índices de depressão e estresse até a ampliação do número de pessoas que optam por um espaço só seu.

 

A ampliação do individualismo prejudica cada uma das instituições sociais e fragiliza a sociedade como um todo. A vida do homem em sociedade pressupõe a união em torno da segurança, da educação, do desenvolvimento e do aprimoramento coletivo. A união pressupõe integração em torno de elementos comuns de identidade, um sentimento de comunidade que seja compartilhado. Temos que revistar este princípio, sob pena de perdê-lo!

Quanto maior a satisfação do eleitor, menor é a alienação eleitoral

06/10/2016 10:00

A alienação eleitoral (absenteísmo, brancos e nulos) venceu as eleições em várias cidades do RS. O exemplo dos resultados eleitorais da capital Porto Alegre, referência esta análise:

 

- Alienação eleitoral = 38,4%;

 

- Nelson Marchezan (PSDB) = 29,84%;

 

- Sebastião Melo = 25,93%.

 

            O que motiva o alto índice de alienação eleitoral está associado, em parte, ao ceticismo do eleitor em relação a política, “a negação da política”, cenário em que 95% dos eleitores gaúchos não confiam nos políticos.

 

A alienação eleitoral também está associada à baixa satisfação dos munícipes de uma cidade com a sua administração municipal. Tomando como referência as 10 maiores cidades do RS, os menores percentuais de alienação ocorreram nas cidades em que os Prefeitos possuíam um indicador de avaliação positiva (ótimo e bom) acima de 45% e conseguiram converter sua avaliação positiva em votos.

 

O prefeito de Passo Fundo, Luciano Azevedo (PSB), concorreu à reeleição, com avaliação positiva de 77% dos eleitores, obtendo a maior votação da história, com 76,2% dos votos válidos e uma taxa de alienação eleitoral de 22,15% na cidade.

 

Já em Canoas, o Prefeito Jairo Jorge (PT), com 67,6% de avaliação positiva, conduziu sua sucessora Beth Colombo (PRB) para o segundo turno com 45,79% dos votos. Não convertendo totalmente sua avaliação positiva em votos, manteve uma alta taxa de alienação eleitoral (40,59%) entre os munícipes.

 

Em Pelotas, o Prefeito Eduardo Leite (PSDB), com 57,3% de avaliação positiva, elegeu em primeiro turno, pela primeira vez na história da cidade, sua sucessora Paula Mascarenhas (PSDB), com 59,9% dos votos válidos e uma taxa de alienação eleitoral de 18,78% na cidade.

 

O prefeito Alexandre Lindenmeyer (PT), de Rio Grande, alcançou 50,8% de avaliação positiva e se reelegeu com 52,2% dos votos válidos, sendo que a taxa de alienação eleitoral do município 30,04%.

 

Alceu Velho (PDT), de Caxias do Sul, desfrutando de 46,9% de avaliação positiva como Prefeito, encaminhou seu candidato à sucessão, Edson Néspolo (PDT), para o segundo turno com 43,5% dos votos válidos e com 21,22% de alienação eleitoral registrada entre os munícipes.

 

Os dados demonstram que quanto melhor for a gestão de um Prefeito, maior é a sua capacidade de se reeleger ou levar seu sucessor ao segundo turno. A teoria do voto econômico se aplica a estes casos, onde os eleitores tomam sua decisão eleitoral tentando diminuir os riscos de sua escolha. Se o governo vai bem, o eleitor tende a dar mais um voto de confiança.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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