A mulher como agente político

23/11/2016 12:00

Por princípio, o agente político é aquele detentor de cargo eletivo, eleito por mandatos transitórios. Nas eleições municipais de 2016, 641 mulheres foram eleitas ao cargo de prefeita – representam 11,57% do total –, demonstrando uma queda em relação às eleições municipais de 2012, onde foram eleitas 659 prefeitas. As cotas de gênero, portanto, que delimitam um percentual obrigatório de 30% de participação feminina nos processos eleitorais, não tem surtido o efeito desejado como um instrumento de ação afirmativa, tendo em vista que, nas eleições municipais de 2016, os homens tiveram uma participação de 88,43% das vagas ao executivo municipal do país.

Não são apenas as cotas de gênero, no entanto, que traduzem o momento político das mulheres na sociedade. Em 2006, as conquistas legais da promulgação da Lei Maria da Penha e a posterior regulamentação dos direitos trabalhistas das empregadas domésticas colocaram o país na vanguarda mundial.

Tratam-se de conquistas paulatinas, em que as mulheres precisam revisitar o conceito de agente político para além de sua premissa formal. É necessário, portanto, descontextualizar o conceito de agente político, no bojo das relações de cidadania, onde a mulher é a principal protagonista: a família e a educação.

As pesquisas de opinião realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião demonstram que é justamente no público feminino que se encontra o maior ceticismo e desinteresse político. Tem-se, nessa grande parcela da população, a crença de que a política é a fonte de todos os males e que a participação é uma ação efetivada por pares que se aglutinam para tirar proveito próprio de alguma situação.Como, então, podem as mulheres reverter a situação de injustiça, se elas mesmas não acreditam mais nas formas tradicionais da ação política? É necessário que elas passem a debater o conceito da política, revisitando os conceitos de ação política, de espaço público e do papel das decisões políticas no seio da família, da educação dos filhos, e da lógica da sociedade.

Este debate sobre a política não deve ser artificialmente imposto, mas precisa, para ser eficaz, perpassar a família, a associação de bairro, a associação de pais e mestres, os sindicatos e, inclusive, os partidos políticos, com vistas à constituição de uma cultura política com bases democráticas, onde as mulheres sejam agentes políticos naturais e legítimas, para além de qualquer cota de gênero.A política deve ser um ato político onde a mulher se inscreve, se escreve e permanentementereescreve, influenciando sua rede de relações e utilizando seu poder de argumentação para o redesenho do Estado que almeja. As mulheres devem ser agentes políticos com base cultural, democrática e factual, não apenas atingindo, mas também superando o condicionamento exclusivo do direito.

O consumidor e o décimo terceiro

16/11/2016 17:00

A crise econômica funciona por ondas. Primeiro afeta o processo produtivo da indústria, para depois atingir as demais áreas da economia, e por último, a sociedade como um todo, mudando os hábitos de consumo da população. Estudos comportamentais realizados pelos cientistas do IPO mostram que o consumidor precisa de um ciclo de duração de meio a um ano para alterar seu planejamento doméstico. Este ciclo se altera quando o consumidor se depara com dívidas ou com a falta de recursos, quando “passa a gastar mais do que ganha”.

A primeira mudança no comportamento do consumidor se caracteriza pela diminuição do consumo por impulso, que afeta as compras de produtos ou serviços considerados supérfluos. Preocupados com a ampliação de gastos gerados pelas festas de final de ano e com as contas do início do próximo ano, os gaúchos iniciam uma segunda mudança de comportamento, que incide no corte de despesas e na busca de fontes alternativas de recursos.

Diante deste cenário de resguardo financeiro, o gaúcho será mais cauteloso nas compras de final de ano, com tendência declarada de gastar um  ticket médio de cada presente, inferior a R$ 100,00. As festividades de natal (alimentação, passeio, presentes) tendem a não comprometer mais do que 1/5 do salário da família. Os 4/5 restantes tendem a ser utilizados em três grupos comportamentais, conforme as características ou situação de cada família:

a) O primeiro grupo pensa em "pagar dívidas", ou até mesmo em apenas "equilibrar as contas do mês".
b) O segundo, temeroso com a economia, pensa em poupar, em ter uma reserva técnica, prevendo, especialmente, o aumento das despesas no início do ano (IPTU, IPVA, Educação...).
c) O terceiro grupo tende a investir o décimo terceiro em presentes, em bens de consumo duráveis ou em produtos destinados à família, incluindo a contratação de serviços necessários para qualificação da moradia. Este grupo vai utilizar o décimo terceiro para cobrir um investimento ou conserto que a renda normal não permitiu.

Seja em qualquer dos três grupos, o décimo terceiro servirá como um alento para os gaúchos. Subsidiará, portanto, o replanejamento das férias, onde se deverão explorar as potencialidades na própria cidade de moradia, das praias próximas e, inclusive, o estreitamento da relação entre as famílias, que tendem a resgatar as visitas e os passeios coletivos.

O desrespeito ao que importa

09/11/2016 18:00

No estudo nacional sobre Direitos Humanos realizado pelo IPO verificou-se que o direito social mais importante é o direito social mais desrespeitado.
Os entrevistados foram questionados sobre os direitos sociais mais importantes e mais desrespeitados. O direito à vida é o direito civil mais importante para a população brasileira, considerado como o principal direito humano (83,8%). Para a população, o direito à vida está associado a garantia da segurança pública, mas prioritariamente, deve perpassar o direito a saúde pública.

O direito social mais importante para os brasileiros é o direito a saúde (87,2%) e esse direito está associado diretamente ao direito a vida, direito mais elementar da era moderna. Trata-se do acesso a saúde pública, mas também do direito a tratamentos de saúde preventivos, alternativos e a uma política de planos de saúde justa. O contraditório é que no Brasil, o direito social mais importante (saúde 87,2%) é o direito social mais desrespeitado (saúde 84,9%), não é à toa que o tema é central nos sucessivos processos eleitorais.

A população argumenta que a garantia de seus direitos sociais é mantida pelo apoio da família (64,8%) ou por seu próprio esforço pessoal (37,0%). Na prática, a percepção da população é que o Estado não garante seus direitos sociais básicos, as condições estruturais oferecidas a população criam um sentimento contingencial de Estado mínimo, onde a população “cada vez conta menos com os serviços públicos”.

Quando a população é questionada sobre a fonte de conhecimento sobre seus direitos, a família volta ao centro da declaração (73,1%) contra 33,6% de importância da escola e professores.

A análise do direito social mais importante e do direito social mais desrespeitado demonstra duas grandes lições: que a descrença da população em relação a política não está associada apenas a desesperança em relação a demagogia de políticos, antes a situação dos serviços públicos, em especial, a saúde pública do país. E que a capacidade de resiliência do brasileiro é a força motriz que está assentada na família, que é o farol que guia a população.

O que lhe vem à cabeça quando ouve falar em Direitos Humanos?

03/11/2016 12:00

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião coordenou um estudo nacional sobre direitos humanos, no final do ano de 2014.

Neste estudo entrevistou-se 2.010 brasileiros, distribuídos em 150 cidades. Dentre as muitas questões realizadas, destaca-se a percepção, espontânea, da população sobre o significado de Direitos Humanos. “Quando o Sr.(a) ouve falar em direitos humanos, o que o Sr.(a) pensa, o que lhe vem à cabeça? Direitos Humanos é......”

Direitos do cidadão/ sociedade    20,5%
Direito a saúde            14,9%
Direito a escola            12,0%
Direito a ser perdoado        10,3%
Direito a liberdade            9,6%
Respeito ao próximo        9,3%
Direito de ir e vir            7,9%
Direito a vida                7,6%
Emprego/ trabalho para todos    4,7%
Melhorias na vida da população    4,1%
Direito a moradia            4,0%
Lei que protege os infratores    3,8%

Nuvem de palavras da associação com os Direitos Humanos*

A análise dos principais resultados indica que o conceito de Direitos Humanos é mais associado a Direitos Sociais, (saúde, educação, emprego) e, posteriormente, a Direitos Civis (ir e vir, segurança, liberdade de expressão).


Contudo que a população não faça a distinção entre os tipos de direitos, a representação dos Direitos Humanos está mais associada aos direitos sociais, do que aos direitos civis e políticos.


O cenário observado aponta para um amadurecimento da sociedade que conclama por melhores serviços sociais, demonstrando que embora ainda se anseie pelos direitos mais básicos do estado democrático de direito, há no imaginário social o clamor para o atendimento das demandas sociais, que devem ser planejadas no âmbito das políticas públicas.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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