O boato se propaga na era digital: os principais comportamentos dos usuários

25/01/2017 07:55

Vivemos em uma era digital, com mais de 60% dos gaúchos conectados nas redes sociais, onde a informação e a boato disputam as timelines da população. No dicionário, boato significa “notícia que corre publicamente de boca em boca, sem procedência e sem veracidade confirmada”.

Como temos acesso a muita informação, por muitos meios e dispositivos, os boatos acabam se misturando a fatos reais e alimentam as conversas do dia a dia. Durante a interação social que ocorre no cotidiano (trabalho, escola, ônibus, família...), as pessoas se envolvem, discutem ou até repassam os boatos de forma consciente ou inconsciente. O boato também é resultante da informação incompleta ou distorcida e motiva o diálogo, tendo em vista que o ser humano projeta o futuro com base nas informações do passado e na vivência do presente. Muitos boatos fazem parte desta construção, tendo em vista que há rumores que persistem mesmo depois da publicação de fatos comprovados que os desmintam.

Os boatos sempre estiveram presentes na história da experiência humana, sendo divulgados e compartilhados pelos sistemas de comunicação vigentes em cada época, antes mesmo da existência das técnicas de “pombo correio”, do telégrafo ou do “orelhão”. Com a evolução do sistema de comunicação, os boatos ganham presença física nas “linhas do tempo” de cada usuário das redes sociais, se multiplicam em tempo real e são acompanhados por imagens, que “garantem certa veracidade ao fato”.

Nas pesquisas de opinião, realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião verifica-se que há pelo menos quatro tipos de comportamento social em relação aos boatos nas redes sociais:

a) Os reticentes = Aqueles que não confiam nas informações das redes sociais. Avaliam que a maior parte das postagens das redes sociais não são verídicas, incluindo a postagem de usuários que criam cenários ou situações não reais para ostentar uma realidade que não existe cotidianamente.

b) Os realistas = Usuários que filtram as informações de sua timeline. Confiam nas informações oriundas de fontes com credibilidade e descartam informações de páginas ou amigos duvidosos, exagerados ou vaidosos.

c) Os maravilhados = Caracterizam-se por usuários “ingênuos” que acreditam em todas informações disponibilizadas, sem prestar atenção na fonte ou na data da postagem.

d) Os indiferentes = Tratam-se dos usuários que não se interessam pelas notícias ou acontecimentos da sociedade, muito menos sobre as informações que balizam a vida de autoridades ou de pessoas que não fazem parte do seu núcleo mais próximo.

Nesta era digital, portanto, é vital a consciência de que não podemos repassar informação ou notícias sem conferir a veracidade de suas fontes, tendo os seguintes cuidados:

- Ter a consciência de que os boatos existem;
- Ter a prática de confirmar/ checar a fonte/ buscar informação oficial;
- Ser reticente antes de passar adiante boatos ou notícias;
- Refletir o papel do boato em questão no contexto social e político em que ele se constitui, observando os diferentes atores que podem motivar o debate e os seus interesses escusos.

Conceder o benefício da dúvida aos boatos pode resultar na minimização do poder da mentira. Ser mais reticente a boatos pode resultar em bondade, em perspicácia, diminuindo o poder da malícia e da inveja. Na prática, quem não alimenta boatos contribui para a diminuição da ansiedade, do estresse e da depressão.

60% dos gaúchos estão nas redes sociais

18/01/2017 10:00

A maior parte dos consumidores gaúchos está conectada nas redes sociais e, em grande parte, esta conexão se dá na forma de multitelas, com o acesso em diferentes dispositivos (smartphone, tablets, notebook, desktop...).

A conexão nas redes sociais ocorre em todas as faixas etárias, de escolaridade e de renda, mas é mais acentuada entre os mais jovens e entre os consumidores com maior renda.

A faixa entre 16 e 24 anos alcança 92,8% de utilização e entre a população de 25 a 34 anos, há um índice de 83,5%. A análise por renda demonstra que entre a classe C a utilização das redes sociais é de 50,9% e entre as classes A e B, de 76,6%.

Entre a população acima dos 50 anos (e em especial a inativa economicamente), as redes sociais são, principalmente, acessadas pelos computadores ou notebooks. Já entre os jovens e a população economicamente ativa, as redes são mais acessadas pelos smartphones e tablets. A população com maior renda começa a utilizar as redes sociais em smart TVs, seja para acessar Youtube ou assinar canais de TV por demanda, como o Netflix.

O mundo virtual ampliou a interação social e motiva a adesão às redes sociais, “uma forma moderna de relacionamento social”, “o local onde todo mundo está”. Na percepção dos jovens, estar nas redes sociais é tão necessário quanto as suas necessidades fisiológicas básicas: para muitos, não é possível se desligar do celular e do “que está acontecendo”.
A população com mais de 40 anos, além de utilizar as redes sociais para o entretenimento, vê nesta tecnologia uma forma de manter o contato com amigos e família e de se informar sobre os acontecimentos do país. Este grupo etário avança na lógica de ampliar sua rede de contato através da rede e de desenvolver relações comerciais que visem à ampliação de negócios.

Neste cenário, o smartphone se torna mais do que um instrumento de comunicação. É um "companheiro de entretenimento e de interação social", onde o usuário "se desconecta" do mundo real e se conecta em um “mundo virtual”, a tal ponto em que é possível encontrar um casal de namorados jantando em um restaurante, tendo cada um deles sua atenção voltada ao dispositivo móvel que os desconecta do jantar a dois.

Novos dilemas se somam a dilemas antigos

10/01/2017 17:10

Ao longo de décadas, a saúde pública se destacou como a principal prioridade dos gaúchos. A população afirmava que tinha como se defender na área da segurança, evitando locais inseguros, cuidando o horário de circulação, andando em grupos, entre outras medidas adotadas. A preocupação em relação à vida centrava-se na saúde:em média, 1/3 da população tinha receio de descobrir uma doença fatal ou de sofrer um infortúnio no trabalho ou no trânsito e não ter o atendimento adequado ou, simplesmente, não ter o atendimento. A saúde pública sempre esteve no centro dos dilemas tradicionais, dilemas antigos.

Nos últimos anos, a segurança passou a ser um novo dilema, ocupando os primeiros lugares no ranking geral de prioridades. Perplexa, a população introjeta a cultura de que não há mais lugar e nem horário, que a violência pode acontecer na frente de casa, em uma esquina qualquer, na frente da escola ou em local movimentado.

O novo dilema da segurança pública vem acompanhado de outrosnovos dilemas que afetam a sociedade moderna: como a mobilidade urbana, em especial, a situação do trânsito (tanto em fluidez quanto em violência) e a retração da economia que diminui o poder de compra, aumenta o risco de desemprego e atua como uma das justificativas do atraso dos salários no setor público.

O anseio da sociedade é de superação de prioridades. A população almeja que cada governante resolva um ciclo de problemas ou avance na minimização deles. A sensação da população é de um contínuo retrocesso, com a diminuição da resolução de problemas tradicionais e a ampliação de novos dilemas.

Tal percepção acirra a descrença com a política e com os governantes e obriga a sociedade a buscar mecanismos de sobrevivência individual e de solidariedade coletiva.

Novo ano com velhas preocupações

04/01/2017 18:00

A população gaúcha com menos de quarenta anos,que cresceu após o Plano Real,está vivenciando a sua primeira crise econômica e aprendendo a lidar com a dificuldade de colocação no mercado de trabalho. O ano mudou, mas as preocupações continuam.

Como o ditado diz que “não há nada tão ruim que não tenha algo de bom”, a maioria da população renova as esperanças no novo ano, apostando que a contenção familiar, o trabalho e a solidariedade serão seus verdadeiros parceiros. Diante da descrença com os políticos e governantes, a população não acredita que os governos deem respostas positivas à sociedade no curto e médio prazo. A população conta cada vez menos com seus governantes!

Pesquisa realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em dezembro de 2016 questionou os gaúchos sobre a percepção entre as mudanças e as melhorias em suas vidas pessoais, no RS e no Brasil.
 
Os dados indicam que a população gaúcha se divide quando avalia a questão, sendo que 1/3 acredita que a sua vida mudou para melhor, 38,4% avaliam que a sua vida ficou da mesma forma e 28,3% afirmam que sua vida piorou nos últimos anos. O principal argumento que corrobora a“piora da vida das pessoas” está associado à crise econômica, que diminui a capacidade dos indivíduos em cuidar de sua alimentação, moradia, saúde, educação e dar amparo aos seus familiares. Até 2014, a política econômica do país permitiu e estimulou o consumo e mais de ¼ dos gaúchos aderiram a esta política, comprometendo parte de sua renda com financiamento de casa própria, de carro ou bens de consumo duráveis. Com o aumento da inflação e com a ampliação do desemprego, estes gaúchos entram em 2017 em estado de alerta, na busca de soluções ou de alternativas para a contenção de seus gastos e para a ampliação de sua renda.

A unanimidade aparece quando a população é questionada sobre os avanços do RS e do país. No caso do RS, 65,5% dos gaúchos afirmam que o Estado piorou nos últimos anos e o principal dilema está associado à situação da segurança e da saúde pública. Quando pensam no país, 76,7% relatam que o país piorou e o argumento principal está associado à crise econômica e política, associando a corrupção e a operação Lava Jato.

Porém, o gaúcho, como os brasileiros, acredita que “dias melhores virão”: mais de 66% esperam que a economia reaja em 2017 e que as reformas políticas sejam realizadas para que o país volte à estabilidade de outrora.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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