Os eleitores não acreditam nos partidos, mas creem na democracia

31/10/2017 18:00

Sempre digo que a democracia representativa deveria ser vista como um “telhado” e a análise da consistência do telhado deveria ser medida pela estrutura das paredes, que deveriam por sua vez, ser constituídas pelo exercício da cidadania (com conhecimento dos direitos e deveres) e pela prática da participação política (que inclui o debate e o engajamento da sociedade nas instituições representativas, sejam associações, sindicatos, partidos, etc).

Para haver participação política é necessário a crença e a legitimidade da política. Infelizmente, as pesquisas mostram que para a maior parte da sociedade a política é sinônimo de partido político, de político e de corrupção.

O conceito de política é muito amplo e deveria guiar o “homem” em sociedade, em especial, em um Estado Republicano. A política pode contemplar desde a habilidade de se relacionar com os outros, a cortesia e urbanidade, passando pela orientação ou método político até a arte de governar. A cidade e as leis que temos são fruto da política, a cidade e as leis que queremos ter devem ser frutos do debate político. A política é perene à nossa existência social e, na percepção da sociedade, a política é representada por Instituições e por representantes do povo. O receio é que a falta de crença na política contamine a crença na democracia.

Em pesquisa estadual realizada pelo IPO – Instituto Pesquisa de Opinião, no início deste mês de setembro, com 1.500 gaúchos distribuídos proporcionalmente nas sete mesorregiões do Estado, verificou-se que a maioria dos gaúchos não confiam nos partidos políticos, mas acreditam na democracia. Pergunta aplicada: E pensando no debate entre democracia (governo de muitos) e ditadura (governo de um) é melhor para o Brasil...

- Se manter na democracia 69,3%
- Ter uma ditadura 22,9%
- Não sabe avaliar 7,8%

A maior parte dos gaúchos acredita que a melhor forma de governo é a democracia. Em Porto Alegre, este percentual chega a 79,3% e o menor desempenho está na região da Serra, com 64,4%. Há uma relação direta com a renda e o acesso a informação. Quanto maior a renda e o grau de escolaridade, maior o percentual de pró democracia.

A relação entre rejeição partidária e democracia não se mostra significativa, tendo em vista que quem rejeita e quem não rejeita os partidos políticos prefere a democracia.

É como se a população dissociasse a política da democracia e este fenômeno está alicerçado no personalismo político. A maioria da população não reconhece valor na política (não se interessa, não percebe importância) e tem ojeriza a classe dos políticos. No entanto, estes eleitores acreditam em pessoas e atribuem à estas pessoas um voto de confiança, depositando nelas suas esperanças e crenças. E assim anda a democracia, um telhado que é sustentado pela terceirização da crença em outrem!

Entre Lula, Bolsonaro e à procura do salvador da pátria

24/10/2017 16:20

Estudo o comportamento dos eleitores há mais de 20 anos e a cada novo pleito aprendo muito com cada processo. Dito isso, posso afirmar: o pleito de 2018 será histórico!

O eleitor está cansado, está exaurido com o nível endêmico da corrupção e a situação política do país, e ainda, é acusado de não saber votar. Os políticos conclamam para que o eleitor vote com consciência e o eleitor conclama para que os partidos políticos escolham com consciência os candidatos que os representarão. O problema é anterior a escolha eleitoral, diz respeito a falta de princípios na escolha dos candidatos dentro dos próprios partidos.

O eleitor analisa as opções disponíveis, que vão de Lula a Bolsonaro e faz suas escolhas. Em ambos os casos, o voto ideológico tem um peso secundário.

A maioria dos eleitores que intencionam votar em Lula o fazem por gratidão, por reconhecimento aos programas sociais implementados no país durante os governos do PT. Estes programas alteraram a vida de muitas pessoas, proporcionaram dignidade, mobilidade social e a realização de sonhos. É comovente ouvir relatos de famílias que conseguiram financiar uma casa no programa Minha Casa Minha Vida e que seu filho teve acesso ao ensino superior pelo Prouni. Como a corrupção é vista por 90% dos gaúchos como um mal que permeia todos os políticos, a análise é que “pelo menos Lula fez”.

A maioria dos eleitores pró Bolsonaro temem a situação do país, se preocupam com o aumento dos índices de criminalidade e acreditam que Bolsonaro não estaria comprometido com conchavos políticos e corporações, tendo condições de enfrentar os principais dilemas que atingem a sociedade. É como se Bolsonaro representasse a angústia reprimida, a indignação perante a falta de princípios que se expressam nas práticas do jeitinho brasileiro.

Entretanto, a maior parcela do eleitorado não quer saber de Lula e nem de Bolsonaro em função da frustração com os atuais políticos. Procuram um candidato que seja exemplo de honestidade e que tenha a capacidade de encorajar o país a se reformular, a fazer as disrupturas necessárias a fim de superar as práticas permissivas que alimentam a corrupção. Os eleitores procuram um salvador da pátria, uma pessoa que tenha a capacidade de liderar e que tenha experiência como gestor.

Os eleitores sabem que um salvador da pátria é algo idealizado, mas apregoam que a esperança é o que motiva a crença no amanhã e permite sobreviver frente a toda frustração.

Os gaúchos se dividem entre o real e o virtual!

18/10/2017 07:30

As redes sociais estão presentes no cotidiano dos gaúchos. Pesquisa realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, no mês de setembro de 2017, verificou que 84,2% da população a partir dos 16 anos está conectada às redes sociais. Equivale dizer que 8 em cada 10 gaúchos estão nas redes, em especial, no Facebook e WhatsApp.

Os que utilizam redes sociais, o fazem todos os dias. Um hábito que começa desde o acordar, quando toca o despertador (aliás, o próprio celular), com a atualização no feed de notícias e vai se repetindo no correr do dia até a hora de deitar-se. O smartphone se tornou parte inerente ao indivíduo, integrando-o com os amigos, com os acontecimentos e dando-lhe a capacidade de gravar e registrar os fatos cotidianos. Literalmente, é uma ferramenta que concede ao indivíduo a “voz do empoderamento”, fazendo com que indivíduos se transformem em personas, valorizando cada vez mais o individual.

A conexão nas redes sociais ocorre em todas as faixas de idade, de escolaridade e de renda, sendo mais acentuada entre os mais jovens (entre 16 e 34 anos, com índice de até 98% de utilização) e entre os consumidores com maior renda (utilização de mais de 90% entre as classes A e C).

Verifica-se que os tipos de devices (dispositivos) utilizados pelo entrevistado variam de faixa etária para faixa etária. Entre a população acima dos 50 anos (e em especial aqueles inativos economicamente), as redes sociais são, principalmente, acessadas pelos computadores ou notebooks. Já entre os jovens e a população economicamente ativa, as redes são mais acessadas pelos smartphones e tablets. A população com maior renda começa a utilizar as redes sociais em Smart TVs, seja para acessar o You Tube ou assinar canais de TV on demand, disponibilizados largamente pelo mercado.

Neste cenário, o smartphone se torna mais do que um instrumento de comunicação. É um "companheiro de entretenimento e de interação social", onde o usuário "se desconecta" do mundo real, conectando-se demasiadamente ao “mundo virtual”.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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