O consumidor almeja pelo crédito

28/11/2017 16:00

Indicadores de produção industrial e comercial apontam que a economia começa a reagir, sinalizando uma tendência positiva. O varejo recebeu o aporte dos saques do FGTS, investiu em campanhas promocionais como black friday e aguarda a entrada do décimo terceiro. A população almeja por novos postos de trabalho e renegociação das contas atrasadas para alterar a condição de inadimplente e voltar a utilizar o cartão de crédito, que é um farol de esperança.

O cartão de crédito atua como um motivador natural dos consumidores: quando a pessoa tem crédito acredita que pode sonhar, se sente protegida, se arrisca a comprar. Se não tem crédito, a desmotivação aumenta junto com as preocupações.  

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião verificou a expectativa dos gaúchos com o futuro a partir da seguinte questão: Pensando na sua vida e na vida da sua família, o que o(a) Sr.(a) espera para este ano? (%)

- Vai melhorar 46,9%
- Vai ficar como está 27,8%
- Vai piorar 23,9%
- Não sabe avaliar 1,5%

Os gaúchos se dividem e os que tem dúvida com o futuro optam por cautela na hora da compra. A tendência é que o ticket médio de cada presente de natal seja inferior a R$ 100,00, mantendo a média de 2016. Além de suprir alguns gastos com as festividades do final de ano, há três linhas de comportamento na utilização do décimo terceiro:

a) O primeiro grupo pensa em pagar dívidas ou parte delas para sair da inadimplência, ou até mesmo apenas equilibrar as contas do mês.

b) O segundo, temeroso com a economia, pensa em poupar, em ter uma reserva técnica, prevendo, especialmente, o aumento das despesas no início do ano (IPTU, IPVA, Educação...).

c) O terceiro grupo tende a investir o décimo terceiro em presentes, em bens de consumo duráveis ou em produtos destinados à família, tentando equacionar a lista de pendências do ano.

O décimo terceiro servirá como um estimulo para os gaúchos, em especial, para os 46,9% que acreditam que situação irá melhorar e se o comércio almeja a ampliação de suas vendas, precisa fomentar uma campanha de renegociação com os seus clientes inadimplentes. Quase um axioma: mais crédito, mais vendas!

A rejeição aos partidos estimula a rejeição à política

22/11/2017 16:00

Quando se questiona a confiança nos partidos, os gaúchos são unânimes: 97% não confiam nos partidos! Quando a pergunta é sobre a rejeição a algum partido, os gaúchos se dividem: metade da população rejeita, especificadamente algum partido político e a outra metade não rejeita.

Analisando a relação entre a intenção de voto em diferentes candidatos com a rejeição partidária, o mesmo fenômeno se mantém: metade dos eleitores de cada um dos principais candidatos ao governo do RS rejeitam algum partido político.

Significa dizer que a rejeição aos partidos adentrou na cultura política dos gaúchos e está presente na posição dos eleitores de diferentes candidatos. Este cenário favorece o ciclo vicioso das campanhas personalistas, estimulando os candidatos a diminuir ou ocultar as siglas partidárias de seu material publicitário.

Diante do conhecimento de que a maioria não confia e metade rejeita os partidos políticos a questão a saber é: os gaúchos conhecem os ideais, as propostas dos atuais partidos? Na percepção dos gaúchos, estes ideais se diferenciam?

Os resultados da pesquisa realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, em setembro de 2017, indicam que:

- 71,9% não conhece os ideais dos atuais partidos;
- 19,7% conhece os ideais dos atuais partidos e considera que eles sejam todos iguais;
- 8,4% conhece os ideais dos atuais partidos e considera que eles sejam diferentes.

De um lado, a descrença em relação aos partidos está associada aos contínuos escândalos de corrupção e a ideia de que os partidos são compostos por pessoas que visam interesses e vantagens pessoais. De outro lado, o principal dilema dos partidos políticos está associado ao desconhecimento de seus ideais ou propostas: os partidos são todos iguais! É vital que os partidos revisitem seus ideais, seus propósitos e, principalmente, revejam a sua relação com a sociedade e com os eleitores. Para resgatar a crença na política é necessário restabelecer uma confiança mínima nos partidos.

A responsabilidade é da sociedade ou dos políticos?

07/11/2017 14:35

Vivemos uma época em que novos temas e debates são postos cotidianamente, alguns muito instigantes, como o debate da inovação social. A inovação social se refere às novas estratégias e formas de organização que visam o atendimento das necessidades sociais. É o pensar social das condições de trabalho, da educação, da saúde, da qualidade de vida e do desenvolvimento sustentável de comunidades.

Entretanto, não podemos nos perder de temas vitais e históricos como a participação política, que é vista com indiferença ou até de forma negativa pela cultura política brasileira. Por princípio, a participação política resulta no engajamento social. O engajamento social mobiliza a reflexão e as deliberações coletivas em torno dos direcionamentos da sociedade, desde a condução de políticas públicas e sociais até as ações de inovação social.

Em pesquisa estadual realizada pelo IPO – Instituto Pesquisa de Opinião, no início do mês de setembro, com 1.500 gaúchos distribuídos proporcionalmente nas sete mesorregiões do Estado, verificou-se que a maioria não tem o hábito de participar de associações, sindicatos ou partidos e têm dúvidas quanto a responsabilidade da sociedade sobre a política brasileira.

Pergunta aplicada: E pensando em toda situação da política brasileira (esquemas e escândalos de corrupção), uns dizem que a  responsabilidade é dos políticos e outros dizem que a responsabilidade é de toda a sociedade.

Qual a sua posição? (%)
- A responsabilidade é de toda a sociedade 51,3%
- A responsabilidade é apenas dos políticos 43,9%
- Não sabe avaliar 4,8%

A falta de participação fomenta uma certa omissão social, a mesma sociedade que delega a responsabilidade da representação e da condução do país aos políticos se mostra muito indignada com reformas trabalhistas, com os conluios dos políticos em torno de interesses pessoais ou corporativos e se mostra estarrecida com os desdobramentos intermináveis da Lava Jato.

Esta omissão social é reflexo da maneira como o sistema político está estruturado no país. Um sistema que é baseado em instituições representativas, como partidos, sindicatos e associações e que atua na oxigenação do personalismo, no individualismo e na manutenção dos interesses pessoais em detrimento dos interesses coletivos, o “toma lá dá cá”.

A cristalização da omissão social naturalmente fomenta a apatia social. Uma parte acredita que a sociedade tem responsabilidade, mas qual a ferramenta de participação é confiável? Como cada um poderia contribuir? E confiar em qual instituição? E como saber que as deliberações estão em torno do bem comum?

Estes e outros questionamentos fazem parte das dúvidas de uma sociedade apática, mas que almeja por inovação social.

Os eleitores não acreditam nos partidos, mas creem na democracia

01/11/2017 16:00

Sempre digo que a democracia representativa deveria ser vista como um “telhado” e a análise da consistência do telhado deveria ser medida pela estrutura das paredes, que deveriam por sua vez, ser constituídas pelo exercício da cidadania (com conhecimento dos direitos e deveres) e pela prática da participação política (que inclui o debate e o engajamento da sociedade nas instituições representativas, sejam associações, sindicatos, partidos, etc).

Para haver participação política é necessário a crença e a legitimidade da política. Infelizmente, as pesquisas mostram que para a maior parte da sociedade a política é sinônimo de partido político, de político e de corrupção.

O conceito de política é muito amplo e deveria guiar o “homem” em sociedade, em especial, em um Estado Republicano. A política pode contemplar desde a habilidade de se relacionar com os outros, a cortesia e urbanidade, passando pela orientação ou método político até a arte de governar. A cidade e as leis que temos são fruto da política, a cidade e as leis que queremos ter devem ser frutos do debate político. A política é perene à nossa existência social e, na percepção da sociedade, a política é representada por Instituições e por representantes do povo. O receio é que a falta de crença na política contamine a crença na democracia.

Em pesquisa estadual realizada pelo IPO – Instituto Pesquisa de Opinião, no início deste mês de setembro, com 1.500 gaúchos distribuídos proporcionalmente nas sete mesorregiões do Estado, verificou-se que a maioria dos gaúchos não confiam nos partidos políticos, mas acreditam na democracia. Pergunta aplicada: E pensando no debate entre democracia (governo de muitos) e ditadura (governo de um) é melhor para o Brasil...

- Se manter na democracia 69,3%
- Ter uma ditadura 22,9%
- Não sabe avaliar 7,8%

A maior parte dos gaúchos acredita que a melhor forma de governo é a democracia. Em Porto Alegre, este percentual chega a 79,3% e o menor desempenho está na região da Serra, com 64,4%. Há uma relação direta com a renda e o acesso a informação. Quanto maior a renda e o grau de escolaridade, maior o percentual de pró democracia.

A relação entre rejeição partidária e democracia não se mostra significativa, tendo em vista que quem rejeita e quem não rejeita os partidos políticos prefere a democracia.
É como se a população dissociasse a política da democracia e este fenômeno está alicerçado no personalismo político. A maioria da população não reconhece valor na política (não se interessa, não percebe importância) e tem ojeriza a classe dos políticos. No entanto, estes eleitores acreditam em pessoas e atribuem à estas pessoas um voto de confiança, depositando nelas suas esperanças e crenças. E assim anda a democracia, um telhado que é sustentado pela terceirização da crença em outrem!

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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