Quanto mais difícil o cenário, maior a importância do povo

20/12/2017 07:20

Imagine você sendo questionado por um entrevistador do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião sobre "o que existe ou acontece no RS que te enche de orgulho?". Ao realizar este questionamento para uma amostra dos gaúchos verificou-se que 1/3 dos gaúchos citam os simbolismos do Estado (tradicionalismo e os ícones que representam a cultura gaúcha). Até aqui nenhuma novidade!

O interessante é que outro 1/3 dos entrevistados destacam o fator humano (o povo, a solidariedade do povo e a união do povo) como motivo de orgulho, são pessoas declarando orgulho de outras pessoas. Cabe registrar que a "história/ povo de história" e os times de futebol aparecem com menos de 10% cada.

A tradição, os simbolismos do povo gaúcho são marcados pela integração, pelo sentimento de comunidade, pela percepção de pertencimento. Os elementos identitários de integração estão presentes nas batalhas rememoradas ou na forma de socializar o alimento, como chimarrão e o churrasco: que motivam a ação coletiva, o compartilhamento.

Se de um lado a atual conjuntura econômica e política ampliam a descrença nas instituições, de outro lado a sociedade aposta no sentimento de igualdade e solidariedade com seus pares. A população se compadece assistindo a cada noticiário: com as vítimas de violência, com os doentes que não conseguem atendimento e até mesmo com os funcionários públicos que não recebem o salário em dia.

O cenário de decepção, com as mazelas do Estado e de apatia com a política, alimenta o sentimento de frustração e favorece a necessidade da crença. É um ciclo vicioso, assim como a alegria precede a tristeza, a esperança precede a frustração. O gaúcho acredita que a esperança está na cooperação, na reciprocidade, na confiança, no companheirismo e nas atitudes positivas.

O povo gaúcho se orgulha de seus símbolos e de suas virtudes e esta combinação é essencial, matéria-prima para a construção de uma associação cívica em prol do fortalecimento das instituições e da democracia. Agora, o detalhe: para ativar esta matéria-prima, para ter a adesão e apoio do povo é necessário: propósito e liderança.

O olhar do gaúcho sobre o Brasil

12/12/2017 18:00

Imagine um entrevistador do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião lhe abordando e realizando a seguinte pergunta: “em sua opinião, o Brasil nos últimos anos mudou para melhor, está igual ou mudou para pior? E depois pedindo para que você relatasse as justificativas que sustentam sua percepção. No mês de dezembro o IPO realizou este questionamento a 1.500 gaúchos, distribuídos nas sete mesorregiões do IBGE.

Os resultados indicam que 84,7% dos gaúchos avaliam que o Brasil piorou, 12,5% que o país está igual e para 2,6% está melhor.

Na leitura dos gaúchos há dois problemas estruturais que resultam em consequências diretas para a população: corrupção e má gestão administrativa.

- Corrupção: A população reconhece que a corrupção é um problema endêmico e que faz parte da cultura política brasileira. Entretanto, se aterroriza com os desdobramentos da operação Lava Jato e operações correlatas, seja pelo número de pessoas envolvidas, quanto pelo volume de recursos desviados. Relatam informações de valores desviados e fazem analogia com serviços públicos que poderiam ser executados (na área da saúde, segurança, educação e infraestrutura).

- Má gestão administrativa: Na percepção da população a burocracia e a lentidão do serviço púbico estão a serviço da corrupção que amplia a má gestão pelo atendimento de interesses pessoais e pela prática de desvios e malversação de recursos públicos: “onde se tira de quem mais precisa”. Segundo os entrevistados, o atual Presidente não tem legitimidade para fazer alterações na estrutura do país por estar envolvido no escândalo, comprometido com a política do “toma lá dá cá”. A percepção negativa com o Presidente se estende a todo Congresso (90% não confiam no Congresso Nacional).

Na percepção dos gaúchos, os desvios de recursos por corrupção e/ou por má administração trazem sérias consequências para a população, piorando a vida e diminuindo as expectativas com o futuro:

- Situação da economia: É um grande dilema da sociedade. Em especial, a diminuição do poder de compra. Os entrevistados relatam os ganhos que tiveram em anos anteriores, com capacidade de aquisição de bens, melhoria da qualidade de vida e acesso a educação. Classificam o ano de 2017 como um ano de luta pela manutenção: manutenção de sua condição financeira, manutenção do emprego, manutenção das contas em dia.

-  Redução dos serviços públicos: A população relata que o “cobertor tem diminuído” e o que “era ruim tem ficado pior”. Relatam que os problemas se agravaram na área da saúde, da segurança pública, da educação e nas rodovias federais.  Contextualizam obras não conclusas por todo o Estado: UPAS inauguradas que não funcionam, creches que não foram conclusas, pontes e rodovias inacabadas.

- Reformas trabalhistas e previdenciária: Diante de um cenário de dificuldade econômica e de descrença com os governantes, os eleitores criticam a reforma trabalhista e previdenciária. Avaliam que as mudanças são necessárias (tendo em vista o aumento da longevidade e o desenvolvimento das tecnologias). Contudo, acreditam que estas mudanças deveriam ser realizadas com mais envolvimento da sociedade e por um governo eleito para representar estas pautas.

Para os entrevistados, a esperança poderá ser renovada com o processo eleitoral de 2018, dependendo dos candidatos. A população vive um sentimento dicotômico de frustração e esperança. Se preocupa com o hoje e sonha com o amanhã.

O consumidor sonha com o dinheiro e gasta com o cartão

06/12/2017 17:00

O mundo virtual disputa cada vez mais espaço com o mundo real, ao ponto de que a Bitcoin (moeda digital que só existe na rede de computadores) já é aceita como meio de pagamento em alguns países e está sendo utilizada para comprar imóveis no Brasil. No mundo, já há vários bilionários de Bitcoins e a moeda digital valorizou 900% em 2017.

Mas o dinheiro de papel ainda ocupa o imaginário da população, mesmo que uma parcela considerável das transações comerciais seja realizada por meio digital, através do cartão. E quando se utiliza o cartão de crédito, há casos em que o consumidor conta com um dinheiro que não tem, ao menos naquele momento da compra.

Em pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião sobre modalidades de pagamento verifica-se que o cartão já é utilizado pela maioria da população, inclusive entre a população de menor renda.

O cartão de crédito/ débito confere ao consumidor um empoderamento tangível: se houver uma necessidade é só sacar o cartão do bolso. E se não tiver dinheiro na conta, é só parcelar.

A escolha da modalidade de pagamento (débito ou crédito) depende da condição financeira do período e da motivação do momento da compra. Se o cliente tiver uma demanda ou for estimulado a consumir e estiver sem saldo, utilizará o crédito.

De uma forma geral, a pesquisa indicou que o consumidor utiliza o cartão oscilando entre os sentimentos racionais e emocionais, associados a uma conjuntura ou estímulo.

A decisão de compra racional avalia os recursos disponíveis, a capacidade econômica e até mesmo o nível de comprometimento da renda familiar. Este tipo de consumidor avalia:

a) valor do bem a ser adquirido;
b) o saldo disponível ou as condições financeiras no período da compra;
c) o limite do cartão.

Os consumidores que compram motivados por estímulos conjunturais (pela emoção), são motivados pela influência da sociedade (modismos, pressão social, consumismo) ou por movimentos do mercado (promoções, descontos, marketing, etc).

O cartão tende a ocupar um espaço cada vez maior nas transações comerciais, até mesmo pelo seu papel simbólico: o consumidor se sente mais seguro “andando com o cartão do que com o dinheiro”.

Para o consumidor o cartão é uma “moeda” que pode ser utilizada de várias formas e lhe confere o poder de avaliar a melhor opção dentro do orçamento doméstico... pelo menos enquanto o Bitcoin não se populariza!

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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