A percepção da sociedade sobre as redes sociais

16/07/2019 09:43

É inegável que a internet e as redes sociais estão atuando como agentes transformadores do comportamento social. Há uma alteração comportamental em curso! Estamos no meio de uma revolução digital que altera o nosso modus operandi, altera os nossos valores e influencia em nossas práticas cotidianas.

Temos muito mais informação, sabemos instantaneamente o que acontece e também nos expomos mais. Pesquisamos uma informação em uma rede e em seguida passamos a ser “pesquisados” pelo sistema, que avalia integralmente nossas práticas digitais: onde clicamos, onde vamos, o aplicativo que usamos, se compramos algo e quais são os nossos sonhos ou, pelo menos, os sonhos que constituímos a partir de nossas publicações nas redes sociais.

Se estamos sendo objetos desse processo de transformação tecnológica, a grande pergunta é como a sociedade gaúcha percebe os impactos causados pelas redes sociais? Diante desta inquietação, o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião aplicou a seguinte pergunta, a uma amostra representativa do RS: Em sua opinião, o impacto causado pelas redes sociais na sociedade é mais positivo ou mais negativo?

- Mais positivo = 47,6%

- Mais negativo = 37,8%

- Não sabe avaliar = 14,6%

Quando se analisa a percepção por faixa etária verifica-se que há não uma tendência dos mais jovens pensarem de uma forma e dos mais velhos de outra. Quem tem entre 25 a 34 anos percebe o impacto das redes sociais de forma mais positiva (64,2%), são pessoas com mais autonomia, que mantém um comportamento mais individualista e tem as redes sociais como aliada.

Já os que tem entre 18 e 24 anos e nasceram com um contato mais intenso com a internet, apresentam uma percepção negativa acima da média (40,8%) e, por já conhecerem bem as redes sociais e estarem em uma fase de descoberta, valorizam experiências que favoreçam o contato pessoal.

A pesquisa investigou o motivo pelo qual o entrevistado mantém determinada percepção sobre o impacto das redes sociais. Dentre os 47,6% que declararam que o impacto das redes sociais é mais positivo verificou-se os seguintes argumentos: para 57,0% as redes permitem a atualização da informação, 18,0% argumentam que conecta as pessoas e 6,7% destacam a praticidade. O entretenimento é citado por 3,8% dos entrevistados.

Dentre os 37,8% que avaliam que as redes sociais trazem impactos negativos, mapeou-se os seguintes raciocínios:  a maior preocupação (35,4%) é com as notícias falsas, chamadas de fake news, 11,2% avaliam que as redes tiram o tempo das pessoas e criam a distração digital. Sendo que 10,1% afirmam que as pessoas ficam mais individualistas e 6,3% reclamam de golpes e fraudes pela internet. Para 5,3% as redes sociais estimulam a violência, associada à agressão verbal, 4,2% acreditam que há muita bobagem e publicações desnecessárias e 3,6% destacam a exposição demasiada das pessoas.

As redes sociais nos propiciam a informação atualizada de nossos amigos e familiares e sobre o que acontece em nossa cidade, país e no mundo. Toda essa informação está disponível na palma da nossa mão em qualquer local que tenha sinal de internet.

Mas as redes sociais também nos “roubam” o tempo, nos tornam mais individualistas, nos passam informações falsas e estrategicamente montadas para nos enganar e, em alguns casos, nos fazem vítimas de crimes cibernéticos. O grande segredo é termos a consciência de que a internet e as redes sociais são ferramentas que devem nos auxiliares e não devem nos governar.

O gaúcho confia nos empresários

09/07/2019 09:52

Enquanto o governo do RS passa por uma histórica crise financeira, os gaúchos acreditam que o Estado continua a se desenvolver para além do governo ou independente do governo. Na percepção dos gaúchos, esse desenvolvimento é alavancado pela população e, em especial, pelo empreendedorismo dos empresários que trabalham e investem nesse Estado.

Pela crença da maior parte da população, o Estado ajuda se não atrapalhar! Quando a pauta é desenvolvimento, as maiores preocupações da população estão associadas à tributação, infraestrutura e segurança pública. A leitura do senso comum pressupõe que o desenvolvimento advém da capacidade das empresas produzirem e escoarem a produção com segurança.

O raciocínio predominante do gaúcho tem a agroindústria como referência. Se o campo prospera, a cidade também prospera. Para tanto, desejam que o Governo do Estado não amplie impostos, mantenha uma premissa de desoneração tributária e concentre suas forças na manutenção e ampliação dos acessos rodoviários.

A opinião pública vai formando uma crença, que está baseada em um estado psicológico que os indivíduos assumem e tem como base uma proposição ou premissa de verdade. E quando se fala em premissas de verdade, a história brasileira tem empilhado motivos para que a população desenvolva uma percepção negativa em relação aos políticos, baseada em decepções e ampliação da desconfiança.

E quanto maior a negação aos políticos, maior é a aposta nos empresários. Isso ocorre porque nossa educação cristã é baseada em dicotomias (certo X errado, bom X mal, justo X injusto, etc) e a frustração precisa ser substituída por uma esperança.

Tradicionalmente, para se testar o grau de confiança, se realiza várias perguntas individuais, onde o entrevistado declara a sua confiança em cada instituição (governo, assembleia, justiça, mídia, empresários, etc). Este tipo de teste demonstra que quem confia, tende a confiar na maior parte das instituições e, quem desconfia, tende a desconfiar da maior parte delas. E, que um percentual da população confia mais nas instituições que não estão associadas à política...

Para avaliar a percepção dos gaúchos de forma dicotômica, político versus empresários, o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião realizou a seguinte pergunta a uma amostra representativa dos gaúchos: Atualmente, o(a) Sr.(a) confia mais nas empresas ou nos políticos?

- Confiam mais nas empresas: 67,6%

- Confia mais nos políticos: 0,8%

- Não confia em nenhum dos dois: 27,6%

- Confia em ambos: 1,2%

- Não sabe: 2,8%

A análise por perfil socioeconômico sinaliza que, quanto maior a renda familiar, maior a confiança nas empresas. E quanto menor a renda familiar, maior a desconfiança com as empresas e com os políticos. Em termos de faixa etária, a maior confiança está na faixa etária entre 25 e 34 anos, em especial, entre a população economicamente ativa, que depende do mercado de trabalho e deposita esperanças nos empresários.

Não podemos nos esquecer que o Estado precisa que os empresários e os políticos trabalhem harmonicamente em torno do desenvolvimento e do bem comum da sociedade. Para tanto, se faz necessário que os políticos revejam sua postura, em especial, no que diz respeito às práticas permissivas como: promessas não cumpridas, favorecimento da sua rede de relacionamento e envolvimento em corrupção.

A população só deseja que os políticos façam o que está previsto na essência de nossa Constituição, que sejam republicanos!

O jeitinho brasileiro começa dentro de casa

02/07/2019 14:23

O jeitinho brasileiro está introjetado em nossa cultura política. É como se estivesse no nosso DNA comportamental. Vivemos em uma república, que significa “coisa pública”. Culturalmente, muitos entendem que o que é público não é de ninguém. Temos que trabalhar na perspectiva contrária:  o que é público é de todos e deve ser zelado por todos.

Mudar uma cultura dominada pelo jeitinho é um caminho árduo e que precisa perpassar a educação que começa dentro das nossas casas, avançar dentro das escolas, para mostrar resultados a partir de exemplos práticos nas relações cotidianas. Para tanto, é necessária a consciência de que o jeitinho é algo próximo e que está perto de nós. Temos que compreender quais práticas são baseadas no jeitinho ou são jeitinho em sua essência.

O jeitinho é uma forma de burlar, é um atalho que torna o caminho mais fácil. Utiliza-se da rede de relacionamento, da omissão ou da conivência das pessoas, promovendo vantagens pessoais a alguém. O jeitinho faz um ganhar e outro perder, tira a chance de quem é correto e privilegia quem não é.

O jeitinho está enraizado em pequenas práticas que vão ganhando força, dando o tom da cultura política, se estabelecendo nas relações sociais e sendo a base para os diferentes níveis de corrupção do país.

A luta contra o jeitinho deve começar dentro das casas, com o reforço do caráter, com a orientação e com o exemplo cotidiano. Em uma república não existe meio certo, existe o certo e o errado. Tanto é, que o direito de um termina quando o do outro começa. O jeitinho deve ser observado nas pequenas ações cotidianas:

- Quando uma criança aparece com um brinquedo que não é seu e os pais não fazem nada;

- Quando uma criança cola na prova e os pais ainda dizem que o filho é esperto, pois enganou a professora;

- Quando se vê o filho furar uma fila e não o orienta;

- Quando o filho quebra algo em uma loja e os pais fazem de conta que não viram nada;

- Quando um filho assina um documento enviado pela professora, como se fosse um dos pais;

- Quando o filho mente a idade para se cadastrar em uma rede social e os pais aceitam;

- Quando um colega assina a lista de presença por outro colega que não foi à aula;

- Quando se coloca o nome de um colega no trabalho que ele não fez.

Aplicar o jeitinho brasileiro é fazer uma gambiarra. Muitas vezes, para se burlar uma regra, se tem mais trabalho do que para cumprir a regra. Há casos de estudantes que gastam mais tempo preparando a cola do que estudando.

Quem pratica o jeitinho tem uma desculpa na ponta da língua, desenvolve a capacidade de transferir a culpa.

- Se joga papel no chão por falta de lixeira;

- Se ocupa a vaga de estacionamento para deficiente com o argumento de que será por pouco tempo;

- Se fura a fila e se diz que alguém deu bobeira;

- Se ocupa o espaço público, pois outros também ocuparam;

- Se arranca uma muda de flor de uma praça por não ter esta flor em casa;

E como um faz, o outro se sente no direito de fazer e o jeitinho vai tomando conta do corpo da sociedade, se estabelecendo no nosso DNA comportamental. A mudança deste cenário requer etapas integradas:

a) A consciência dessa realidade;

b) O debate sobre essa realidade, refletindo e deliberando o que é certo e o que é errado;

c) A educação, que deve começar dentro de casa com exemplos e orientação;

d) A prática, onde se abre mão de vantagens pessoais, trabalhando em prol do bem comum, da coisa pública.

Não há problema em trabalhar, o problema é conseguir trabalho

28/06/2019 10:51

Nesse momento um dos principais debates do país está associado à proposta de nova reforma da previdência, elaborada pela equipe econômica do Presidente Jair Bolsonaro. A proposta estabelece uma idade mínima para conseguir se aposentar e, paralelamente, uma contribuição mínima para o INSS.

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião realizou uma pesquisa de opinião no Estado do RS para verificar o conhecimento e a posição dos gaúchos quanto à nova proposta de reforma da previdência. Para medir o grau de conhecimento utilizou-se uma escala de intensidade: O(a) Sr.(a) tomou conhecimento da nova proposta de reforma da previdência encaminhada pelo Governo Federal? E o(a) Sr.(a) diria que está bem informado, mais ou menos informado ou mal informado sobre esse tema?

- Tem conhecimento e está bem informado 16,4%

- Tem conhecimento e está mais ou menos informado 57,4%

- Tem conhecimento e está mal informado 24,4%

- Não teve conhecimento 2,0%

Os dados indicam que a grande maioria está informado, sendo que 73,8% se consideram bem informados ou mais ou menos informados. Depois, verificou-se a posição do gaúcho sobre a nova reforma, aplicando a seguinte questão: Considerando tudo o que o (a) Sr.(a) viu e ouviu sobre a reforma da previdência, o(a) Sr.(a) é a favor ou contra a reforma da previdência?

- A favor da proposta de nova reforma da previdência 35,0%

- Contra a proposta de nova reforma da previdência 43,6%

- Indiferente à proposta              5,0%

- Não sabe avaliar ou não tem conhecimento 16,4%

Dentre os que são favoráveis à nova proposta de reforma da previdência, o principal argumento está associado a fatores contingenciais presentes no discurso oficial: como a necessidade de diminuir os gastos do governo e ampliar a capacidade econômica do país.

Dentre os contrários, destacam-se os de menor faixa etária, chegando a 51,9%. Quanto mais jovens, maior a contrariedade à nova proposta de reforma da previdência. O segundo grupo mais crítico é a população de 50 a 59 anos, com 46,9% de contrariedade a proposta. A pesquisa identificou que quanto menor a renda, maior a contrariedade com a nova proposta de reforma da previdência.

Em ambos os casos, a maior preocupação é com a idade mínima para se aposentar: proposta de 62 anos para mulheres e 65 anos para os homens. A contrariedade da população com a reforma da previdência está associada à preocupação com o mercado de trabalho, com as vagas de emprego para as pessoas com maior faixa etária.

São argumentos racionais e muito sensíveis de quem conhece as dificuldades de inserção no mercado de trabalho e as restrições de vagas para quem já passou dos 50 anos de idade. Além da concorrência natural provocada pelas taxas de desemprego do Brasil, essas pessoas sofrem com a ampliação da tecnologia no mercado de trabalho que atinge diretamente as atividades operacionais e braçais, tais como: porteiros, ascensorista de elevador, ajudantes de pedreiros, etc.

Na prática, a aprovação da nova proposta de reforma da previdência terá que ser precedida por uma política pública que motive a inclusão das pessoas mais velhas ao mercado de trabalho. Caberá aos representantes do povo o debate, a educação e estímulo das empresas, seja com incentivos fiscais ou até mesmo cotas para pessoas acima de 55 anos de idade. Não adianta só dizer que as pessoas precisam trabalhar mais tempo, é necessário criar as condições propícias para o trabalho.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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