O olhar do gaúcho sobre o Brasil

12/12/2017 18:00

Imagine um entrevistador do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião lhe abordando e realizando a seguinte pergunta: “em sua opinião, o Brasil nos últimos anos mudou para melhor, está igual ou mudou para pior? E depois pedindo para que você relatasse as justificativas que sustentam sua percepção. No mês de dezembro o IPO realizou este questionamento a 1.500 gaúchos, distribuídos nas sete mesorregiões do IBGE.

Os resultados indicam que 84,7% dos gaúchos avaliam que o Brasil piorou, 12,5% que o país está igual e para 2,6% está melhor.

Na leitura dos gaúchos há dois problemas estruturais que resultam em consequências diretas para a população: corrupção e má gestão administrativa.

- Corrupção: A população reconhece que a corrupção é um problema endêmico e que faz parte da cultura política brasileira. Entretanto, se aterroriza com os desdobramentos da operação Lava Jato e operações correlatas, seja pelo número de pessoas envolvidas, quanto pelo volume de recursos desviados. Relatam informações de valores desviados e fazem analogia com serviços públicos que poderiam ser executados (na área da saúde, segurança, educação e infraestrutura).

- Má gestão administrativa: Na percepção da população a burocracia e a lentidão do serviço púbico estão a serviço da corrupção que amplia a má gestão pelo atendimento de interesses pessoais e pela prática de desvios e malversação de recursos públicos: “onde se tira de quem mais precisa”. Segundo os entrevistados, o atual Presidente não tem legitimidade para fazer alterações na estrutura do país por estar envolvido no escândalo, comprometido com a política do “toma lá dá cá”. A percepção negativa com o Presidente se estende a todo Congresso (90% não confiam no Congresso Nacional).

Na percepção dos gaúchos, os desvios de recursos por corrupção e/ou por má administração trazem sérias consequências para a população, piorando a vida e diminuindo as expectativas com o futuro:

- Situação da economia: É um grande dilema da sociedade. Em especial, a diminuição do poder de compra. Os entrevistados relatam os ganhos que tiveram em anos anteriores, com capacidade de aquisição de bens, melhoria da qualidade de vida e acesso a educação. Classificam o ano de 2017 como um ano de luta pela manutenção: manutenção de sua condição financeira, manutenção do emprego, manutenção das contas em dia.

-  Redução dos serviços públicos: A população relata que o “cobertor tem diminuído” e o que “era ruim tem ficado pior”. Relatam que os problemas se agravaram na área da saúde, da segurança pública, da educação e nas rodovias federais.  Contextualizam obras não conclusas por todo o Estado: UPAS inauguradas que não funcionam, creches que não foram conclusas, pontes e rodovias inacabadas.

- Reformas trabalhistas e previdenciária: Diante de um cenário de dificuldade econômica e de descrença com os governantes, os eleitores criticam a reforma trabalhista e previdenciária. Avaliam que as mudanças são necessárias (tendo em vista o aumento da longevidade e o desenvolvimento das tecnologias). Contudo, acreditam que estas mudanças deveriam ser realizadas com mais envolvimento da sociedade e por um governo eleito para representar estas pautas.

Para os entrevistados, a esperança poderá ser renovada com o processo eleitoral de 2018, dependendo dos candidatos. A população vive um sentimento dicotômico de frustração e esperança. Se preocupa com o hoje e sonha com o amanhã.

O consumidor sonha com o dinheiro e gasta com o cartão

06/12/2017 17:00

O mundo virtual disputa cada vez mais espaço com o mundo real, ao ponto de que a Bitcoin (moeda digital que só existe na rede de computadores) já é aceita como meio de pagamento em alguns países e está sendo utilizada para comprar imóveis no Brasil. No mundo, já há vários bilionários de Bitcoins e a moeda digital valorizou 900% em 2017.

Mas o dinheiro de papel ainda ocupa o imaginário da população, mesmo que uma parcela considerável das transações comerciais seja realizada por meio digital, através do cartão. E quando se utiliza o cartão de crédito, há casos em que o consumidor conta com um dinheiro que não tem, ao menos naquele momento da compra.

Em pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião sobre modalidades de pagamento verifica-se que o cartão já é utilizado pela maioria da população, inclusive entre a população de menor renda.

O cartão de crédito/ débito confere ao consumidor um empoderamento tangível: se houver uma necessidade é só sacar o cartão do bolso. E se não tiver dinheiro na conta, é só parcelar.

A escolha da modalidade de pagamento (débito ou crédito) depende da condição financeira do período e da motivação do momento da compra. Se o cliente tiver uma demanda ou for estimulado a consumir e estiver sem saldo, utilizará o crédito.

De uma forma geral, a pesquisa indicou que o consumidor utiliza o cartão oscilando entre os sentimentos racionais e emocionais, associados a uma conjuntura ou estímulo.

A decisão de compra racional avalia os recursos disponíveis, a capacidade econômica e até mesmo o nível de comprometimento da renda familiar. Este tipo de consumidor avalia:

a) valor do bem a ser adquirido;
b) o saldo disponível ou as condições financeiras no período da compra;
c) o limite do cartão.

Os consumidores que compram motivados por estímulos conjunturais (pela emoção), são motivados pela influência da sociedade (modismos, pressão social, consumismo) ou por movimentos do mercado (promoções, descontos, marketing, etc).

O cartão tende a ocupar um espaço cada vez maior nas transações comerciais, até mesmo pelo seu papel simbólico: o consumidor se sente mais seguro “andando com o cartão do que com o dinheiro”.

Para o consumidor o cartão é uma “moeda” que pode ser utilizada de várias formas e lhe confere o poder de avaliar a melhor opção dentro do orçamento doméstico... pelo menos enquanto o Bitcoin não se populariza!

O consumidor almeja pelo crédito

28/11/2017 16:00

Indicadores de produção industrial e comercial apontam que a economia começa a reagir, sinalizando uma tendência positiva. O varejo recebeu o aporte dos saques do FGTS, investiu em campanhas promocionais como black friday e aguarda a entrada do décimo terceiro. A população almeja por novos postos de trabalho e renegociação das contas atrasadas para alterar a condição de inadimplente e voltar a utilizar o cartão de crédito, que é um farol de esperança.

O cartão de crédito atua como um motivador natural dos consumidores: quando a pessoa tem crédito acredita que pode sonhar, se sente protegida, se arrisca a comprar. Se não tem crédito, a desmotivação aumenta junto com as preocupações.  

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião verificou a expectativa dos gaúchos com o futuro a partir da seguinte questão: Pensando na sua vida e na vida da sua família, o que o(a) Sr.(a) espera para este ano? (%)

- Vai melhorar 46,9%
- Vai ficar como está 27,8%
- Vai piorar 23,9%
- Não sabe avaliar 1,5%

Os gaúchos se dividem e os que tem dúvida com o futuro optam por cautela na hora da compra. A tendência é que o ticket médio de cada presente de natal seja inferior a R$ 100,00, mantendo a média de 2016. Além de suprir alguns gastos com as festividades do final de ano, há três linhas de comportamento na utilização do décimo terceiro:

a) O primeiro grupo pensa em pagar dívidas ou parte delas para sair da inadimplência, ou até mesmo apenas equilibrar as contas do mês.

b) O segundo, temeroso com a economia, pensa em poupar, em ter uma reserva técnica, prevendo, especialmente, o aumento das despesas no início do ano (IPTU, IPVA, Educação...).

c) O terceiro grupo tende a investir o décimo terceiro em presentes, em bens de consumo duráveis ou em produtos destinados à família, tentando equacionar a lista de pendências do ano.

O décimo terceiro servirá como um estimulo para os gaúchos, em especial, para os 46,9% que acreditam que situação irá melhorar e se o comércio almeja a ampliação de suas vendas, precisa fomentar uma campanha de renegociação com os seus clientes inadimplentes. Quase um axioma: mais crédito, mais vendas!

A rejeição aos partidos estimula a rejeição à política

22/11/2017 16:00

Quando se questiona a confiança nos partidos, os gaúchos são unânimes: 97% não confiam nos partidos! Quando a pergunta é sobre a rejeição a algum partido, os gaúchos se dividem: metade da população rejeita, especificadamente algum partido político e a outra metade não rejeita.

Analisando a relação entre a intenção de voto em diferentes candidatos com a rejeição partidária, o mesmo fenômeno se mantém: metade dos eleitores de cada um dos principais candidatos ao governo do RS rejeitam algum partido político.

Significa dizer que a rejeição aos partidos adentrou na cultura política dos gaúchos e está presente na posição dos eleitores de diferentes candidatos. Este cenário favorece o ciclo vicioso das campanhas personalistas, estimulando os candidatos a diminuir ou ocultar as siglas partidárias de seu material publicitário.

Diante do conhecimento de que a maioria não confia e metade rejeita os partidos políticos a questão a saber é: os gaúchos conhecem os ideais, as propostas dos atuais partidos? Na percepção dos gaúchos, estes ideais se diferenciam?

Os resultados da pesquisa realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, em setembro de 2017, indicam que:

- 71,9% não conhece os ideais dos atuais partidos;
- 19,7% conhece os ideais dos atuais partidos e considera que eles sejam todos iguais;
- 8,4% conhece os ideais dos atuais partidos e considera que eles sejam diferentes.

De um lado, a descrença em relação aos partidos está associada aos contínuos escândalos de corrupção e a ideia de que os partidos são compostos por pessoas que visam interesses e vantagens pessoais. De outro lado, o principal dilema dos partidos políticos está associado ao desconhecimento de seus ideais ou propostas: os partidos são todos iguais! É vital que os partidos revisitem seus ideais, seus propósitos e, principalmente, revejam a sua relação com a sociedade e com os eleitores. Para resgatar a crença na política é necessário restabelecer uma confiança mínima nos partidos.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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