Não há problema em trabalhar, o problema é conseguir trabalho

28/06/2019 10:51

Nesse momento um dos principais debates do país está associado à proposta de nova reforma da previdência, elaborada pela equipe econômica do Presidente Jair Bolsonaro. A proposta estabelece uma idade mínima para conseguir se aposentar e, paralelamente, uma contribuição mínima para o INSS.

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião realizou uma pesquisa de opinião no Estado do RS para verificar o conhecimento e a posição dos gaúchos quanto à nova proposta de reforma da previdência. Para medir o grau de conhecimento utilizou-se uma escala de intensidade: O(a) Sr.(a) tomou conhecimento da nova proposta de reforma da previdência encaminhada pelo Governo Federal? E o(a) Sr.(a) diria que está bem informado, mais ou menos informado ou mal informado sobre esse tema?

- Tem conhecimento e está bem informado 16,4%

- Tem conhecimento e está mais ou menos informado 57,4%

- Tem conhecimento e está mal informado 24,4%

- Não teve conhecimento 2,0%

Os dados indicam que a grande maioria está informado, sendo que 73,8% se consideram bem informados ou mais ou menos informados. Depois, verificou-se a posição do gaúcho sobre a nova reforma, aplicando a seguinte questão: Considerando tudo o que o (a) Sr.(a) viu e ouviu sobre a reforma da previdência, o(a) Sr.(a) é a favor ou contra a reforma da previdência?

- A favor da proposta de nova reforma da previdência 35,0%

- Contra a proposta de nova reforma da previdência 43,6%

- Indiferente à proposta              5,0%

- Não sabe avaliar ou não tem conhecimento 16,4%

Dentre os que são favoráveis à nova proposta de reforma da previdência, o principal argumento está associado a fatores contingenciais presentes no discurso oficial: como a necessidade de diminuir os gastos do governo e ampliar a capacidade econômica do país.

Dentre os contrários, destacam-se os de menor faixa etária, chegando a 51,9%. Quanto mais jovens, maior a contrariedade à nova proposta de reforma da previdência. O segundo grupo mais crítico é a população de 50 a 59 anos, com 46,9% de contrariedade a proposta. A pesquisa identificou que quanto menor a renda, maior a contrariedade com a nova proposta de reforma da previdência.

Em ambos os casos, a maior preocupação é com a idade mínima para se aposentar: proposta de 62 anos para mulheres e 65 anos para os homens. A contrariedade da população com a reforma da previdência está associada à preocupação com o mercado de trabalho, com as vagas de emprego para as pessoas com maior faixa etária.

São argumentos racionais e muito sensíveis de quem conhece as dificuldades de inserção no mercado de trabalho e as restrições de vagas para quem já passou dos 50 anos de idade. Além da concorrência natural provocada pelas taxas de desemprego do Brasil, essas pessoas sofrem com a ampliação da tecnologia no mercado de trabalho que atinge diretamente as atividades operacionais e braçais, tais como: porteiros, ascensorista de elevador, ajudantes de pedreiros, etc.

Na prática, a aprovação da nova proposta de reforma da previdência terá que ser precedida por uma política pública que motive a inclusão das pessoas mais velhas ao mercado de trabalho. Caberá aos representantes do povo o debate, a educação e estímulo das empresas, seja com incentivos fiscais ou até mesmo cotas para pessoas acima de 55 anos de idade. Não adianta só dizer que as pessoas precisam trabalhar mais tempo, é necessário criar as condições propícias para o trabalho.

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