O gaúcho confia nos empresários

09/07/2019 09:52

Enquanto o governo do RS passa por uma histórica crise financeira, os gaúchos acreditam que o Estado continua a se desenvolver para além do governo ou independente do governo. Na percepção dos gaúchos, esse desenvolvimento é alavancado pela população e, em especial, pelo empreendedorismo dos empresários que trabalham e investem nesse Estado.

Pela crença da maior parte da população, o Estado ajuda se não atrapalhar! Quando a pauta é desenvolvimento, as maiores preocupações da população estão associadas à tributação, infraestrutura e segurança pública. A leitura do senso comum pressupõe que o desenvolvimento advém da capacidade das empresas produzirem e escoarem a produção com segurança.

O raciocínio predominante do gaúcho tem a agroindústria como referência. Se o campo prospera, a cidade também prospera. Para tanto, desejam que o Governo do Estado não amplie impostos, mantenha uma premissa de desoneração tributária e concentre suas forças na manutenção e ampliação dos acessos rodoviários.

A opinião pública vai formando uma crença, que está baseada em um estado psicológico que os indivíduos assumem e tem como base uma proposição ou premissa de verdade. E quando se fala em premissas de verdade, a história brasileira tem empilhado motivos para que a população desenvolva uma percepção negativa em relação aos políticos, baseada em decepções e ampliação da desconfiança.

E quanto maior a negação aos políticos, maior é a aposta nos empresários. Isso ocorre porque nossa educação cristã é baseada em dicotomias (certo X errado, bom X mal, justo X injusto, etc) e a frustração precisa ser substituída por uma esperança.

Tradicionalmente, para se testar o grau de confiança, se realiza várias perguntas individuais, onde o entrevistado declara a sua confiança em cada instituição (governo, assembleia, justiça, mídia, empresários, etc). Este tipo de teste demonstra que quem confia, tende a confiar na maior parte das instituições e, quem desconfia, tende a desconfiar da maior parte delas. E, que um percentual da população confia mais nas instituições que não estão associadas à política...

Para avaliar a percepção dos gaúchos de forma dicotômica, político versus empresários, o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião realizou a seguinte pergunta a uma amostra representativa dos gaúchos: Atualmente, o(a) Sr.(a) confia mais nas empresas ou nos políticos?

- Confiam mais nas empresas: 67,6%

- Confia mais nos políticos: 0,8%

- Não confia em nenhum dos dois: 27,6%

- Confia em ambos: 1,2%

- Não sabe: 2,8%

A análise por perfil socioeconômico sinaliza que, quanto maior a renda familiar, maior a confiança nas empresas. E quanto menor a renda familiar, maior a desconfiança com as empresas e com os políticos. Em termos de faixa etária, a maior confiança está na faixa etária entre 25 e 34 anos, em especial, entre a população economicamente ativa, que depende do mercado de trabalho e deposita esperanças nos empresários.

Não podemos nos esquecer que o Estado precisa que os empresários e os políticos trabalhem harmonicamente em torno do desenvolvimento e do bem comum da sociedade. Para tanto, se faz necessário que os políticos revejam sua postura, em especial, no que diz respeito às práticas permissivas como: promessas não cumpridas, favorecimento da sua rede de relacionamento e envolvimento em corrupção.

A população só deseja que os políticos façam o que está previsto na essência de nossa Constituição, que sejam republicanos!

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