A empatia como antídoto para intolerância

08/01/2020 10:55

Temos visto a intolerância se fazer cada vez mais presente e se expressar em pensamentos polarizados, intransigência, repressão, racismo, sexismo, homofobia e nas mais diversas formas de preconceito. A história nos mostra que o principal antídoto para a intolerância é a ampliação da tolerância.

Para ampliar a tolerância é necessário empatia, capacidade de compreender o outro, de se colocar em sua situação. É uma tarefa que exige inteligência emocional, tanto para compreender o contexto de uma situação quanto para observar as suas motivações. Exige a mais simples das qualidades: a paciência!

A modernidade ampliou os direitos individuais e a liberdade de expressão. Com ela, veio a necessidade de evolução constante, com a exigência de mais anos de estudo e dedicação permanente à carreira profissional. E ainda apareceram as redes sociais, ocupando cada vez mais o tempo das pessoas.

Essa combinação trouxe consigo fatores estressantes e potencializou a ampliação do individualismo e a ideia de que cada um pode ser um “juiz de plantão”, que pode julgar e condenar moralmente qualquer pessoa, a qualquer tempo.

Somos seres sociais e emocionais e o cotidiano acelerado e cada vez mais frenético, aliado à diminuição de valores e crenças, tem reduzido nossa capacidade de lidar com algo que não se enquadre em nossas expectativas ou exigências. E nesse contexto, a intolerância ganha força!

A intolerância vai crescendo dentro de um círculo vicioso que está sendo permissivo para a sociedade. Imagine uma situação trivial, onde uma pessoa faz uma postagem na internet manifestando a sua opinião sobre a importância de se dar mais atenção às crianças do que aos animais. Dependendo da forma como essa pessoa escrever o texto, poderá ser criticada severamente por quem gosta de animais. E a partir daí o debate entra em um campo de desrespeito, onde um é intolerante e julga o outro sem entrar no principal mérito do debate: tanto as crianças quanto os animais precisam de atenção.

Quando ficamos mais individualistas, ativamos o egoísmo e ficamos suscetíveis à ansiedade, ao estresse e à depressão. E nesse cenário, qualquer sinal de preconceito ou de rejeição ativa a possibilidade de intolerância, que se manifesta pelo desrespeito.

Para combatermos o preconceito ou a rejeição precisamos ampliar nosso relacionamento social, a nossa interação social. Para tanto, o principal desafio é ampliar nossa capacidade de aceitação, que se estabelece em diferentes níveis:

1º) A capacidade de autoaceitação, ter consciência de que o ser humano precisa se aceitar, se sentir bem no meio social do jeito que é e não querer que ninguém seja igual a ninguém. A primeira meta é se aceitar, para influenciar a percepção da família e o julgamento da sociedade.

2º) A aceitação familiar, que exige a compreensão de que as pessoas são diferentes e de que a família é composta por distintas caraterísticas e personalidades. A família deve ser o berço do respeito, da generosidade, da compressão, da igualdade e da dignidade. A relação familiar tem o poder de diminuir o individualismo e a intolerância e de estimular a empatia.

3º) Aceitação social, que inclui a capacidade de diálogo e de respeito em todos os tipos de relacionamentos: seja na escola, no trabalho, na vizinhança ou entre amigos. A aceitação social necessita de tolerância e de muito exercício empático: para entender o outro, preciso me colocar em seu lugar!

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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