Pneus e Etc, há 20 anos no mercado

22/11/2016 16:00

A história de hoje começou há 20 anos, mas não é a da Oceano FM, embora esteja entrelaçada a ela. Também há 20 anos nascia a Pneus e Etc, pioneira no ramo de rodas de liga leve em Rio Grande. Conversamos com Rodrigo Almeida Pessoa, grande empreendedor que transformou a então pequena loja, em uma gigante do mercado.

Rodrigo trabalhava no departamento de compras da empresa Adubos Trevo e tinha muitos contatos no mercado, em São Paulo, onde a onda de personalizar os pneus dos carros já era forte. Sua paixão pelo fusca que tinha o fez estreitar relações com os fornecedores de rodas de veículos. Rodrigo queria apenas personalizar a sua caranga, mas a criatividade e seu espírito empreendedor fizeram com que a paixão pelas quatro rodas virasse um negócio de sucesso.

No inicio, tudo não passava de um hobby, era o que ele fazia nas horas vagas e aproveitava para complementar as suas finanças, mas logo foi instigado por um dos forncedores a comprar um número maior de material para trabalho. A partir disso, Rodrigo que já era conhecido por fazer esse tipo de serviço, ampliou os negócios e no dia 6 de outubro de 1996 inaugurou a loja Pneus e Etc, já com o objetivo de trabalhar no ramo automotivo tendo como carro chefe os pneus, rodas e assessórios.

Atualmente além dos serviços tradicionalmente oferecidos, a Pneus e Etc conta com todo o atendimento de um autocenter, realizando os serviços de suspensão, freios, geometria e balanceamento de rodas e o melhor... Tudo isso em um único local.


Grupo Oceano: Com esse inicio fantástico, como foi o começo da loja?
 
Rodrigo Pessoa: Eu comecei a vender pneus usados aqui mesmo, mas a loja não era desse tamanho, era bem menor. A localização não era boa para comércio, já que há 20 anos essa região não era tão movimentada. Muita gente me chamou de louco por ter aberto a loja aqui (Rua José Bonifácio 140), mas depois a região cresceu muito. Eu montei um foco de trabalho. Eu sempre quis trabalhar de forma correta e com uma boa linha, um padrão específico, independente do que os outros fazem. A minha ideia era entrar no mercado e ficar como eu estou hoje: 20, 30, 40 anos e não entrar e sair do mercado. No inicio eu vendia os pneus e indicava uma borracharia para fazer a montagem, mas eu queria esse filão para dar de cortesia ao meu cliente, aí comprei a primeira máquina e coloquei um funcionário para trabalhar comigo, depois coloquei o balanceamento e em 2000 comprei a primeira geometria. Hoje nós trabalhamos com pneus, rodas de liga leve e de ferro, geometria e balanceamento, tudo na área de suspenção de nacionais e importados e freios. Sendo que as peças são todas nossas, trabalhamos com produtos exclusivos. O estoque é nosso, ou seja, eu dou a garantia da peça. Eu diminuo a minha margem de lucro, mas só coloco produto de qualidade no carro do nosso cliente. O meu compromisso é fazer o trabalho uma única vez.

G.O: Atualmente a loja é reconhecida em toda a região, como foi que vocês chegaram nesse patamar ?

R.P: Muito trabalho! E postura de trabalho, sendo correto sempre. É uma coisa que eu falo para toda a pessoa que quer abrir o seu negócio, 'antes de começar a trabalhar com qualquer coisa estude muito sobre ele e procure saber mais do que qualquer um em relação ao teu negócio'. Ninguém  pode saber mais sobre o teu negócio do que tu e eu fiz isso. Eu estudei muito tudo sobre pneus. Eu nunca apliquei em um carro, a não ser que o cliente determinasse para mim - por que a gente respeita isso. Eu sempre indiquei com muita propriedade, eu não chuto o que eu acho que vai ficar legal no carro do cliente. Hoje tem a questão da fiscalização que cuida e autua sobre, mas na época não tinha. Com esse trabalho trasparente, começou a se espalhar que nós trabalhávamos de forma muito técnica e isso foi muito positivo. Além do mais, todo o dia eu estou aprendendo, até por que o mercado evolui muito rápido, analisa a infinidade de veículos que circulam por aí, são muitos né? Nós temos que saber de cada um deles e muda tudo de um para outro.

G.O: Com todas essas novidades que surgem a cada dia, como vocês fazem para não ficar para trás?

R.P: Quando surge alguma coisa nova no mercado a gente já busca algum tipo de treinamento para trazer para os colaboradores. Por exemplo, vamos trabalhar com correia dentada, a gente busca no mercado todas as matérias específicas desse treinamento, como é que faz ? (embora já se tenha um conhecimento inicial) Então a gente pega o que há de mais consideravel no mercado, estuda e posterior a isso traz algum representante e ele dá uma palestra mostrando as tendências do mercado. Outra coisa que eu invisto muito, sempre acreditei que o meu funcionário não tem que passar trabalho, então eu invisto muito em equipamento. Muito mesmo. A ideia é poupar o meu trabalhador e agilizar o serviço. Tudo o que a gente faz é tempo, então tudo o que puder fazer para ganhar tempo eu faço. Até por que o meu funcionário também recebe por produtividade, então isso agiliza e qualifica o serviço prestado aqui.

G.O: Como é a sua relação com o seu empregado?

R.P: Durante o período do Polo Naval, onde todo mundo se deslumbrou e largou o seu serviço, eu não perdi um funcionário. Tirando um funcionário que está há quatro anos aqui, os outros cinco estão há mais de  dez anos. Por que que eu não perdi? Porque o meu colaborador é meu parceiro e como é que eu faço isso? Ele tem o salário dele, ele tem a hora extra dele e mais a produtividade dele, então o incentivo para ele trabalhar é ele mesmo. Eu dou o suporte, as ferramentas e uma boa condição e eles fazem o resto. Se ele tiver 1h30min para fazer um carro e fizer em 45 minutos, ele sabe que esse tempo ele ganhou para fazer outro carro e isso deu certo. Eu não tenho problema de falta de tempo vago no cafezinho ou atraso, todo mundo sabe o que tem que fazer. Não há a necessidade de cobrança, o lado ruim é que cada vez que entra alguém e a pessoa não se enquadra nesse sistema ela acaba saindo, porque a engrenagem é muito redonda e assim cada um sabe o seu papel aqui dentro.


Grupo Oceano: Qual a lição após o período em que o Polo Naval teve a maior movimentação aqui no município?

R.P: Naquela época a gente trabalhava com a agenda lotada 10 dias para frente e isso mudou. Não que a gente não tenha agenda, eu tenho pra semana que vem, mas não é como era. O mercado retraiu e a gente deu uma incrementada. Hoje fazemos correia dentada e embreagem. A gente trabalha com essas novidades no padrão Pneus e Etc, qualidade acima de tudo. Na crise tire o "S", jogue para o final e transforme ele em $ (risos). Então são serviços extras que nós estamos oferecendo para ter um rendimento maior, naquele período, na minha opinião, nenhum riograndino ganhou dinheiro, quem ganhou dinheiro foi a especulação. O que foi o mercado imobiliário? Com valores fora da realidade. Mas enfim, a gente conseguiu organizar a empresa, melhorou o tempo de trabalho, nossa forma de trabalho ficou mais enxuta. Então o que que acontece, reduzindo o custo fixo com funcionários a gente otimizou o restante. Com mais três funcionários que eu tinha a gente atendia 30% a mais do que atendemos hoje, então reduziu praticamente a mesma coisa. O meu funcionário que já se doava, vestiu um pouco mais a camiseta e acabou lucrando mais e a gente não perde o serviço do dia a dia. A unica coisa que mudou da época do polo naval é que a gente tem que aproveitar o hoje. O tempo que a Oceano não vendeu hoje pela manhã ela não vai vender mais e ela não pode ficar com tempo ocioso, que é o nosso caso. O cara do restaurante que atendia 500 pessoas hoje está atendendo 200, o que muda é o investimento que ele fez para atender as 500, por isso muita gente quebrou. Para tu teres uma ideia, a Pneus e Etc estruturou toda a empresa, toda a visão de mercado, investimentos, postura de estoque e de vendas. Em setembro de 2014, o Polo não tinha explodido ainda. A Eduarda trabalha comigo e é o meu braço direito, é o meu financeiro, sentamos e conversamos: como é que nós vamos agir, como vamos manter os clientes, como angariar novos clientes, sentir o que o cliente precisa. O cliente precisa de prazo, as pessoas tem um orçamento para o carro (e eu fico contente em ver que as pessoas estão se organizando), então eu preciso conseguir uma boa condição de pagamento, o prazo, e assim vai. Nesse período de verão o mercado aquece junto com a temperatura, o pessoal procura roda, enfim. Agora esse ano já foi bem melhor, as coisas estão se ajustando.

G.O: Como é que tu vende a tua empresa para o público, como trabalhas com a mídia?

R.P : Eu sempre utilizei a técnica de fixação de marca. Primeiro comecei na TV, a gente tem a visão de que o visual atrai, só que eu te confesso que o maior retorno que eu tive foi com a rádio Oceano FM. Tanto é que, esse é o unico veículo que eu nunca parei de anunciar. Só no comentário do Alexandre Garcia eu já estou há 13 anos. E sempre me ajudou muito. No inicio da rádio eu era meio contrário a trabalhar com o rádio, mas aí acabamos negociando e me foi oferecido este produto. Era exatamente o que eu queria. E assim, né, é intocável (risos). Eu sinto o retorno do público e eu consigo medir isso, que é algo que eu nunca consegui fazer. Sempre que eu faço algum tipo de promoção e divulgo na rádio o telefone não para. Fora isso a minha relação com a rádio é ótima, eu não tenho e nunca tive problema algum, sempre tudo que é solicitado é atendido na hora.

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