Rio Grande

Literatura

Rio-grandino escreve livro baseado na Força Expedicionária

Por Rodrigo de Aguiar , 16/08/2019, 13h43

A participação da Força Expedicionária Brasileira na histórica Batalha de Montese, durante a Segunda Guerra Mundial, é o cenário do livro O Peso de Uma Escolha, de autoria do rio-grandino Cláudio Saiere. A publicação é a primeira aventura literária do recepcionista do setor de convênios do Hospital de Cardiologia da Santa Casa e foi um sucesso de vendas desde o dia do seu lançamento, em 27 de julho, no Espaço Cultural Ênio Fernandes.

Apaixonado pelos assuntos ligados ao combate, ele explicou que na grande maioria dos filmes e livros sobre o tema são mencionados russos, americanos e nazistas, mas em nenhum deles existem referência ao feito histórico obtido pelos brasileiros. Escrito entre os meses de novembro e dezembro de 2018, a inspiração surgiu ao chegar em casa, durante uma pausa para um café, depois de um dia cansativo de trabalho.

O talento literário de Cláudio foi despertado por Fátima, professora e filha de uma paciente que estava internada no hospital que passava diariamente pelo recepcionista e percebia seu interesse pela leitura. “Um dia ela me questionou sobre o livro que estava lendo e também se eu não tinha vontade de escrever meu próprio livro. Respondi a ela que não tinha esse talento, mas mesmo assim ela insistiu e disse que acreditava na minha alma de escritor”, completou.

Nesse sentido, os 33 dias depois daquela xícara de café na cozinha de casa foram de muito trabalho para unir os pontos e encaminhar a história. O conteúdo pronto esbarrava na falta de recursos e o destino das páginas parecia de fato ser alguma pasta do computador de Saiere até que o médico obstetra, Ari Lima, tomasse conhecimento da iniciativa e ficasse encantado pelo teor daquele trabalho literário.

A partir daí, o incentivo que antes era para a elaboração do livro passou a ser pela publicação publicamente dita. Depois de tanta cobrança, Saiere levantou orçamentos e constatou que os custos não poderiam ser arcados por ele e ao explicar os motivos ao médico foi surpreendido com a notícia de que a publicação seria completamente viabilizada por ele. Com isso, o contrato com a editora foi assinado e o texto foi encaminhado para revisão e demais procedimentos.

A história tem como personagem principal a telefonista Vivian, de 24 anos, que trabalha em uma empresa de consultoria jurídica e enfrenta problemas familiares devido ao consumo exagerado de álcool pelo pai. O objetivo da jovem é o de trocar de setor para viabilizar seu retorno para a faculdade de Biologia e seu primeiro contato com a Segunda Guerra Mundial acontece justamente quando ela entrega uma ficha de solicitação ao dono da empresa, o temido Raul Mendes.

O empresário começa a contar a história sobre a morte de seu irmão no combate depois de Vivian observar uma foto dos dois na parede do escritório. A partir disso, ela passa a ouvir barulhos e ter pesadelos com pedidos de socorro, experiências que se tornam ainda mais frequentes com o passar dos dias e a fazem pensar que está ficando louca. Emocionalmente debilitada, ela marca de se encontrar com uma amiga em uma praça da cidade, local onde tudo acontece.

Lá, a personagem avista um menino que parecia estar perdido. Preocupada, pergunta ao garoto se ele precisa de ajuda. Com um sorriso no rosto, a criança sinaliza negativamente e diz que, na verdade, quem está precisando de auxílio é ela. Ao ser tocada na testa pelo menino, Vivian fica tonta e desmaia. Ao acordar, ela se vê no corpo de um soldado integrante do Décimo Primeiro Batalhão da Força Expedicionária Brasileira que estava indo em direção à Montese com o objetivo de desestruturar as forças do eixo.

Escrever sempre foi uma constante na vida de Cláudio, principalmente letras de músicas, mas escrever um livro foi uma surpresa muito positiva para ele. E a produção literária não parou por aí, pois a segunda publicação já está em fase final de desenvolvimento e abordará uma questão completamente diferente do primeiro, que será ambientada em Rio Grande, mais especificamente na Bibliotheca Riograndense.

Foto: Rodrigo de Aguiar/Grupo Oceano

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