Porto do Rio Grande

Obras

Secretaria de Portos não tem previsão para o início da dragagem do canal de acesso ao Porto

Por Rodrigo de Aguiar , 10/05/2018, 10h53

Ontem à tarde, o Grupo Oceano divulgou a aprovação do Plano Conceitual de Dragagem de Manutenção do canal de acesso ao Porto do Rio Grande pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). A notícia chegou como um alento para os problemas de navegabilidade, principalmente em dias que a maré está baixa e os navios não conseguem entrar ou deixar o complexo portuário, implicando em atrasos e custos extremamente elevados.

De acordo com o superintendente do Porto, Janir Branco, o plano aprovado apresentava um volume de 3 milhões e 500 mil m3 de sedimentos, o que facilitou a obtenção do licenciamento ambiental. O projeto inicialmente licitado pelo governo federal e que não foi aprovado dava conta da retirada de 18 milhões e 700 mil m3 de materiais e tinha como objetivo a ampliação da bacia de evolução, local onde as embarcações realizam giros durante as manobras de desatracação.

Nesse sentido, será realizada somente a limpeza do canal para garantir o cumprimento dos contratos com os terminais portuários, principalmente os graneleiros que exigem um calado de maior profundidade. Depois da realização da dragagem, o canal contará com 12,80 metros de profundidade e as manobras serão garantidas sem a necessidade da observação da elevação ou baixa da maré. “Essa obra impactará diretamente na segurança da navegação”, completou Branco.

Os episódios de aparecimento de lama no Cassino levantaram discussões sobre a interferência da última dragagem e motivaram a mobilização de ativistas em prol da conservação da praia e busca por explicações para o problema. Em razão disso, Janir informou que tem recebido constantemente os representantes do grupo SOS Cassino, os quais fizeram algumas sugestões para evitar o surgimento de novos casos com a realização da nova retirada de sedimentos.

Uma das sugestões trazidas e que será implementada durante a obra é o monitoramento dos sedimentos por meio de traçantes, uma espécie de corante que é adicionado aos materiais, quando eles ainda estão armazenados no porão da draga, e em caso de aparecimento na beira da praia será possível fazer a identificação. Outra medida que foi solicitada diz respeito ao monitoramento do sítio onde será realizado o descarte dos sedimentos.

Segundo Janir, o ponto de despejo fica distante cerca de 18 km da ponta dos molhes, em uma área de aproximadamente 20 metros de profundidade. No local, a superintendência instalou uma boia para o monitoramento das correntes e desde que estes dados começaram a ser analisados, foi comprovado que a correnteza segue em direção ao oceano, mas qualquer alteração nos dados, durante a realização da dragagem, implicará na paralisação imediata da obra.

Branco não soube precisar a data de início das obras, pois a contratação do serviço está a cargo da Secretaria Nacional de Portos. O órgão federal respondeu por meio de nota e informou que não há previsão para a assinatura da ordem de serviço, pois em virtude do volume aprovado pelo Ibama estar aquém do inicialmente licitado, será necessária a realização de um estudo das nuances técnicas e jurídicas envolvidas.

O comunicado diz, ainda, que a superintendência está incumbida de apresentar até esta sexta-feira um Parecer Técnico e Jurídico sobre o assunto.

Fotos: Assessoria de comunicação SUPRG

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